quarta-feira, junho 27, 2007

PALCO GIRATÓRIO I

O QUE É O PALCO GIRATÓRIO.

A alma de um povo é a sua cultura. De que adianta desenvolver a indústria e o comércio, aumentar o PIB, democratizar a informática, alfabetizar jovens e adultos, fornecer bolsas assistencialista (mas válidas) para alimentação e vestuário, se aquilo que o povo é se estiola?
Porque sem cultura só resta a uma nação retornar ao pó de onde veio.
Num sentido mais amplo a cultura de um povo é o cabedal de conhecimentos, a ilustração, o saber de uma pessoa, ou grupo social, padrões de comportamento, crenças e costumes que os distinguem. Suas danças, musicalidade, imaginário; as histórias que formam a base da sua literatura, poesia e cinema; os ritmos que unem nossa ancestralidade e futuro.
No Brasil existem vários projetos de incentivo e apoio a cultura. Longe de tentar estabelecer um juízo de valores, reconhecemos que de uma maneira geral esses programas estão muito aquém das nossas necessidades. Nem falo apenas de patrocínios, faixa riscada de um disco de vinil, mas de formação de platéias, desenvolvimento teórico e prático de artistas, mapeamento, pesquisa e divulgação das muitas formas de arte produzidas no país.
Dentre esses projetos destacamos o Palco Giratório, idealizado pelo Departamento Nacional do Serviço Social do Comércio – SESC, constituindo-se num programa de circulação nacional de teatro e dança. Em sua primeira edição, em 1998, apenas cinco estados foram contemplados. Com o passar dos aos outros estados foram aderindo ao projeto e atualmente, apenas Espírito santo e Minas Gerais não participam do Palco Giratório. Em Belém o projeto chegou somente em 2004, onde ocorreu apenas a última das quatro etapas anuais.
Em cada etapa grupos convidados são levados a outros estados onde apresentam seus trabalhos, ministram oficinas e trocam experiências com os artistas locais.
Não existem uma periodicidade específica para cada etapa, que buscam, principalmente atender as demandas dos locais onde ocorrem.
Em 2007, por conta dos dez anos do Palco Giratório, além das quatro etapas tradicionais – maio, junho, agosto – quando o grupo visitante deverá permanecer pelo menos uma semana em Belém – e outubro – irá acontecer uma programação especial, em setembro.
Hoje o Palco Giratório é conhecido como uma rede de difusão de artes cênicas, porque não se limita a apresentações de espetáculos – sempre com um bate-papo ao final entre a equipe e a platéia –, mas inclui em sua programação oficinas, Pensamentos Giratórios – troca de idéias entre diretores visitantes e locais. Um debate com temática referente ao trabalho do grupo; Intercâmbios – onde o grupo visitante assiste ao espetáculo de uma companhia local e é estabelecido um dia para troca de experiências; Intervenções Urbanas – pequenos esquetes apresentados três vezes ao dia em locais de grande movimento e em horários de pico, além de outros programas relacionados, chamados Aldeias – pólos culturais de ação. Em Belém acontece a Aldeia Círio – Mostra SESC Círio de Artes, reunindo música, teatro, cinema, artes plásticas, numa extensa programação.
O Palco Giratório promove também o Festival Nacional Palco Giratório. Para Belém existe uma proposta para 2008 de um grande festival de teatro que reúna 12 grupos que fazem parte do circuito do Palco Giratório, apresentando dois a três espetáculos, além de companhias locais, com trinta dias de programação com apresentações diárias em diferentes pontos da cidade.

O Palco Giratório prima por buscar trabalhos e companhias fora do eixo comercial Rio – são Paulo, priorizando grupos que desenvolvam pesquisas em artes cênicas, empenho e qualidade nos seus espetáculos. Acredita assim valorizar e democratizar as artes cênicas. Todos os espetáculos têm entrada franca, com ampla divulgação pela mídia. Para conseguir esse feito, o SESC conta com recursos próprios – prova de que instituições sérias prezam a cultura de seu povo e reconhecem o imenso retorno que isso proporciona – e apoios. Em Belém o SESC conta com a colaboração do Instituto de Artes do Pará – IAP, Teatro Maria Sylvia Nunes, da Estação das Docas, Hotel Regente e Casarão do Boneco. Mas nas palavras do Ângelo, o maior apoio é mesmo da classe artística, que participa em peso de toda a programação, assistindo, acolhendo, trocando, incentivando.

Colaborou com este artigo Ângelo Franco, técnico de cultural do SESC-PA.

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