<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577</id><updated>2012-01-06T15:09:26.865-03:00</updated><category term='exterminador'/><category term='Gruta'/><category term='Madalenas'/><category term='árabes'/><category term='dança contemporânea'/><category term='jornalismo'/><category term='Nós Outros'/><category term='Palhaços Trovadores'/><category term='Nosso Lar.'/><category term='Batman'/><category term='Casa da Atriz'/><category term='Walter Bandeira'/><category term='conto'/><category term='Como se fosse...'/><category term='rua'/><category term='Diretor'/><category term='teatro.'/><category term='Ator'/><category term='cigarro'/><category term='Guerra ao Terror.'/><category term='Fosca'/><category term='Um Sonho Possível'/><category term='Oscar.'/><category term='opinião pessoal'/><category term='PL 122/06'/><category term='Moderno'/><category term='leis.'/><category term='educação.'/><category term='dança'/><category term='Belém do Pará'/><category term='televisão'/><category term='Ogun'/><category term='Lei Seca'/><category term='Diário'/><category term='Outros 5 Anos.'/><category term='Cultura'/><category term='Espiritismo'/><category term='festival'/><category term='Chico Xavier'/><category term='Haikai'/><category term='Cláudio Barradas'/><category term='Círio de Nazaré'/><category term='armas'/><category term='amizade.'/><category term='Opinião pessoal. Teatro.'/><category term='resultados'/><category term='cotas'/><category term='Poesia.'/><category term='Brasil'/><category term='considerações pessoais'/><category term='Scorcese.'/><category term='Som e Fúria.'/><category term='saúde.'/><category term='Avatar'/><category term='Cuíra'/><category term='cortejos'/><category term='Dramaturgia'/><category term='Moliere.'/><category term='HOMOFOBIA'/><category term='literatura'/><category term='x-men'/><category term='São Jorge'/><category term='vício'/><category term='Paixão de Cristo'/><category term='Shakespeare'/><category term='Ilha do Medo'/><category term='Curta a Cena'/><category term='Opinião pessoal. Sociedade. Homofobia'/><category term='justiça'/><category term='DIREITOS'/><category term='Belém'/><category term='literatura.'/><category term='olimpíadas'/><category term='trânsito'/><category term='arte.'/><category term='animação.'/><category term='João Lucas'/><category term='Aldeotas'/><category term='ingresso'/><category term='libaneses'/><category term='ator.'/><category term='Karine Jansen'/><category term='bashir.'/><category term='Rio de Janeiro'/><category term='violência'/><category term='crítica'/><category term='Espiritismo.'/><category term='teatro'/><category term='homossexualidade.'/><category term='saúde pública.'/><category term='opinião pessoal.'/><category term='cinema'/><category term='Arte'/><category term='Homossexualidade'/><category term='Opinião pessoal. Sociedade.'/><category term='auto-estima'/><category term='dúvida'/><title type='text'>Cúria d´Arte</title><subtitle type='html'>Apaga-te, ó delicada
chama! Apaga-te!A vida é sombra passageira.
Um mísero ator que chega, agita a cena inteira,
diz sua fala e sai. e ninguém mais o nota.

MACBETH (William Shakespeare)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>139</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7238685698627228801</id><published>2011-12-06T10:46:00.006-03:00</published><updated>2011-12-06T10:57:55.116-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Como se fosse...'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>COMO SE FOSSE... COMENTÁRIOS DE UMA ESPECTATRIZ.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-0QvA4WJTFso/Tt4eNJ4AVbI/AAAAAAAAAIE/uXkJhgvxSJg/s1600/COMO%2BSE%2BFOSSE.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 134px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-0QvA4WJTFso/Tt4eNJ4AVbI/AAAAAAAAAIE/uXkJhgvxSJg/s200/COMO%2BSE%2BFOSSE.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5683012991126099378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2011 me deu muitos presentes e entre eles, Como se fosse..., o espetáculo que me colocou em cena como ator e como autor, mas sem qualquer distanciamento de mem, do público, literalmente desnudo.&lt;br /&gt;Hoje eu sou ouvinte, eu, que tantas vezes me arvorei de comentarista. As palavras são de Rosilene Cordeiro, atriz que para mim é pura essência de arte, carisma e feminilidade. Outro presente! Deleitem-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;COMO SE FOSSE Poesia... COMO SE FOSSE Teatro... COMO SE FOSSE  O que eu queria dizer!&lt;br /&gt;Ao Hudson Andrade e ao Leoci Medeiros&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deleito-me em ver aquilo que tem fundura. &lt;br /&gt;Fundo poço de águas turvas ou claras, o aspecto do líquido aqui pouco importa de fato. &lt;br /&gt;Água em estado líquido carrega em si a inteireza do fluxo, corrente que é na "bruteza" da sua condição primeva.&lt;br /&gt;Vivi algo assim, como embebida pela maré, quando estive como "espectatriz" do espetáculo encenado pelo Hudson Andrade e o Leoci Medeiros, COMO SE FOSSE, em pauta na Casa da Atriz no mês de junho deste ano. &lt;br /&gt;Senti-me- por um certo momento mágico e arrebatador- uma celebridade entre célebres! Não o sou, mas estive celebridade quando tive a chance de presenciar dois atores, leves e graciosos atores!- "compartilhando mergulhos" na/ da cena teatral com apenas dois espectadores “de fora”, sendo eu mesma um deles. Na verdade éramos quatro na grande cena, ou melhor dizendo, seis porque o Paulo e a Yeyé Porto estavam lá. &lt;br /&gt;Não pretendo, nem teria como fazer uma análise crítica do mesmo porque disso, nada compreendo. Nem tão pouco seria capaz de organizar um comentário tão rápido que pudesse dar conta da ebulição de coisas que essa experiência me conferiu. Ao término, apenas consegui dizer aos presentes sobre o sentimento da hora: "Primeiro eu preciso voltar à superfície! rr. È algo sobre o qual eu  gostaria de escrever um pouco.” &lt;br /&gt;Bem, eu tenho feito algumas incursões perceptivas pela estética teatral em “estado” de platéia que reconhece a necessidade de prestigiar colegas de ofício, produtores de arte, teatral sobretudo, pois não há como fugir disso uma vez que nessa seara estou com os dois pés embutidos. Mas move-me, também, o desejo de exercitar o olho, as sensações das diversas partes do corpo, a mente desejosa de coisas boas, belas, poesias subliminares passíveis de seguirem comigo vida a fora, ofício a  dentro. &lt;br /&gt;Nessas parcas andanças, tenho colhido impressões, reflexões, quadros sem molduras de questionamentos, disparos de dúvida, dor, medo os quais dou-me na tentativa de atribuir vigor a esse fazer/ pensar que tem se constituído minha atividade teatral, desde os idos (bem idos!rr) dos meus 14 anos, isso na década de 80, como cria da FUMBEL que fui. &lt;br /&gt;Aprender leva tempo, a maturidade ensina-nos a abrir bem os olhos e o coração para o novo de cada coisa diante de nós.&lt;br /&gt;COMO SE FOSSE mágica, ali, naquele banco que se fez MEU lugar por algum momento, dividido com outra pessoa desconhecida, fiz uma viagem não planejada para o interior de um teatro pouco difundido, ao qual me propus, mesmo antes de sabê-lo como hoje o compreendo, meu lugar de encontro e mutação, teatro trabalho, transpiração, construção física-emocional-política.&lt;br /&gt;O espetáculo é idas e vindas. Sobe e desce, abre e fecha, riso e dor, pergunta e afirmação. Trata exatamente do interior disforme e pouco conhecido da grande massa. Fala dessa ARTE em 'capslock' que cruza o ser ator instigando-o à exaustão do corpo e da mente, tirando-lhe o sossego, a carne fria, a respiração tranqüila, que atira sua alma à parede arremessando verdades, inquirindo-o e devolvendo-lhe aquilo que o incomoda, que o aflige, denunciando sua fragilidade e sua permanente busca por realizá-lo com a maior verdade que lhe seja possível atribuir.&lt;br /&gt;Em frases/ textos selecionados dos clássicos do teatro num passeio histórico pelos diferentes lugares dos conceitos e depoimentos teatrais por teóricos do mundo afora até o que há de mais hodierno, vazando no contemporâneo da vida, vagamos como interlocutores da cena, sendo levados a ler o que o TEATRO continua a nos colocar como questões cruciais que atravessam o tempo cronológico desembocando no fazer que pretendemos hoje quando tocados por suas múltiplas poéticas. Pra mim é uma denúncia que as vezes é preciso voltar, estudar, olhar mais dentro, investigar, debruçar-se na correnteza que levanta a canoa que nos leva ao grande e tenebroso mar da realização teatral como obra de arte que é.&lt;br /&gt;Dizia aos meninos- Hudson e Leoci- inclusive, que o cerne do espetáculo deveria ser elevado a uma disciplina acadêmica, dado a necessária audiência de todos  nós  que nos dizemos seguidores das artes cênicas, pelo provocativo que suscita em torno desse trabalho laborioso, caótico, difuso e deleitoso do qual nos munimos como partícipes dessa empreitada que desejamos abraçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um instante, pensei no que significam os fóruns, as redes sociais criadas em torno da temática, as reuniões com pautas pontuais, os núcleos de formação específica, os estudos, as pesquisas, os eventos que temos empreendido em sua direção. Pensado sobre o largo e pedregoso caminho galgado por muitos ( bem poucos ainda!) em prol de políticas públicas que possam, finalmente, reconhecer e agregar à nossa ARTE/OFÍCIO o valor social e artístico ao qual Ela faz jus, pelo histórico de ação no mundo, pelas tantas vidas em torno dela organizadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai da Casa da Atriz mexida, sensação mista de confusão e alegria, revigorada (porque as vezes alguns espetáculos nos permitem essa vazão!) pelo fato de que não estou sozinha na ‘loucura’ (talvez a mais sã de toda minha carreira existencial) de perseguir um jeito peculiar -meu jeito- de cristalizar aquilo que eu penso, que eu acredito, que eu divulgo, que eu quero comunicar com a minha arte, não numa tentativa vazia e isolada, mas dialogando com tudo que possa colocar o teatro no lugar que lhe é merecido desde sempre: EM CENA! NA ANTEMÃO DA ARTE VIVA, PULSANTE, INTEGRAL E GALOPANTE EM PERMANENTE MUTAÇÃO!&lt;br /&gt;A todos os envolvidos nesse trabalho, um abraço gostoso e desejoso de vê-los logo, logo em cena novamente.&lt;br /&gt;Ao Hudson e ao Leoci, um cheiro mais que especial pela emoção que me deram, pelo olhar fundo vez ou outra dividido na contracena   extrema de cada fala compartilhada, daquela apresentação que, me permitam os demais, foi devotada a mim, justamente pelo mergulho que me dei na presença de vocês.&lt;br /&gt;As lágrimas dizem do resto, desse resto que não cabe no instante da palavra, mas que é capaz de resignificar o tempo e a qualidade do que sentimos uns pelos outros. Do ânimo que vamos dividindo como colegas de profissão e sonhos.&lt;br /&gt;Meu sentimento? Prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o coração festivo e de volta à respiração diafragmática!rr, abraço-os. &lt;br /&gt;COMO SE FOSSE um de vocês... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-F7e6_jAx7Os/Tt4eYL0bjgI/AAAAAAAAAIQ/9VyGwnFYMlA/s1600/ROSE.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-F7e6_jAx7Os/Tt4eYL0bjgI/AAAAAAAAAIQ/9VyGwnFYMlA/s200/ROSE.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5683013180626537986" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Rosilene Cordeiro, julho de 2011&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- É atriz. Entre seus trabalhos destacam-se &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Paixão Fosca&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Em Algum Lugar de Mim&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7238685698627228801?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7238685698627228801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7238685698627228801' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7238685698627228801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7238685698627228801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2011/12/como-se-fosse-comentarios-de-uma.html' title='COMO SE FOSSE... COMENTÁRIOS DE UMA ESPECTATRIZ.'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-0QvA4WJTFso/Tt4eNJ4AVbI/AAAAAAAAAIE/uXkJhgvxSJg/s72-c/COMO%2BSE%2BFOSSE.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7437296024969505941</id><published>2011-12-02T09:56:00.005-03:00</published><updated>2011-12-02T10:01:09.496-03:00</updated><title type='text'>CHOVE CHUVA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-q7YtRe1SRDk/TtjLarnpw-I/AAAAAAAAAH4/hDcPXZBjYac/s1600/chuva.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-q7YtRe1SRDk/TtjLarnpw-I/AAAAAAAAAH4/hDcPXZBjYac/s200/chuva.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5681514589173957602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em casa e já chovia. E assim foi. Mais forte, mais fraco, gotejando, respingando, batucando nos telhados, nas folhas, escorrendo nas paredes e nos muros.&lt;br /&gt;A chuva dá folga à Lua, que por trás das nuvens retoca o seu lado iluminado, gravitando enquanto engravida para marcar mais um mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva enxota os gatos para as caixas de ar condicionado, empurra pessoas pras marquises, esconde o guarda-noturno. Até agora, quase duas, não ouvi seu apito, matinta-macho montado em bicicleta.&lt;br /&gt;A chuva enovela os cães. O chuvisco intermitente cantarola ninares; a água refresca tudo. Ainda assim sinto calor, talvez porque não haja vento e sem vento a nuvem não viaja e continuar a chorar sobre meu bairro – ou será sobre a cidade?&lt;br /&gt;Se ela engrossa, a gente se preocupa. Se ela falta, a gente lastima. Se cai no domingo, a gente reclama. Se no retorno, não molha. Se é criança, gripa. Se é semente, incha. Se lago, engorda. Se poça, sonha grandezas de mar.&lt;br /&gt;Em Belém, chuva é sinônimo. Já foi relógio.&lt;br /&gt;As nuvens cospem relâmpagos quase mudos. É preciso atenção. Não é como o temporal: tonitruantes, abusados, violentos. São vagalumes gigantes nessa madrugada sem insetos.&lt;br /&gt;Tudo é tão calmo, tão quieto, que assusta. Tudo se recolhe, menos ela, a própria, a chuva, caindo calma como se fosse pra sempre.&lt;br /&gt;Não quero dormir, mas sei que devo. Amanhã tem muito que fazer e eu vou sair e pisar no chão molhado e ver o sol multiplicado nas gotas penduradas nos galhos, nas calhas. Quem sabe o sol virá de terno cinza. Pode ser. Mas aqui é Belém. Logo ele explode e seca tudo e a gente vai dizer: Ontem foi tão bom dormir. Tomara que hoje chova de novo, que meu amo me aconchegue.&lt;br /&gt;Uma formiga de asas pousa louca na cama. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Sem insetos”&lt;/span&gt;, eu disse?! Lanço-a longe. Protejo as orelhas &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“pra elas não fazerem ninho”&lt;/span&gt;, minha tia Coló dizia. Elas saíram de casa e procuram pousada. Eu, na minha cama, olho preguiçoso o interruptor do outro lado do quarto. Melhor fechar o caderno e apagar a luz. Tenho que dormir.&lt;br /&gt;Essa chuva vai longe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;02 de dezembro de 2011 AD&lt;br /&gt;2h08&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crédito da foto: Carlos Correia Santos, em São Paulo, novembro/2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7437296024969505941?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7437296024969505941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7437296024969505941' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7437296024969505941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7437296024969505941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2011/12/chove-chuva.html' title='CHOVE CHUVA'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-q7YtRe1SRDk/TtjLarnpw-I/AAAAAAAAAH4/hDcPXZBjYac/s72-c/chuva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-8195866300260686731</id><published>2011-11-23T12:26:00.001-03:00</published><updated>2011-11-23T12:33:40.256-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>EU 32</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://farm1.static.flickr.com/79/277542613_30e94277e1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 375px;" src="http://farm1.static.flickr.com/79/277542613_30e94277e1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Para ler ao som de Eurythmics: “Sweet dreams are made of this...”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Dormir, talvez sonhar”, diria Hamlet. Sonhar: olhar pra dentro de si mesmo, ou olhar pra fora?&lt;br /&gt;Se tudo o que há no sonho sou eu mesmo, sou parede, praça, mar e mistério. Se tudo o que se sonha está no subconsciente, o meu se chama lascívia. Se um sonho é um caminhar da alma, a minha tem tanta sede quanto meu corpo.&lt;br /&gt;“Dormir, talvez sonhar...”, repito Shakespeare e viro pro lado vazio da cama. Desço a mão até meu pau rígido e aperto até que doa. O ar condicionado não refreia o suor da testa. Cerro as cortinas tapando o luar e caminho em riste pelo escuro do quarto. O relógio anuncia às cinco horas e daqui a pouco trabalho e estarei novamente exausto, olhos vermelhos, olheiras, mau humor.&lt;br /&gt;Sento na cama, seguro o falo na mão que treme. O vai-vem dura pouco tempo e o jato me dá um coice contra o colchão de onde levanto duas horas depois com o toque irritante e insistente do despertador do celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiro a roupa, espalho espuma pelo rosto, corro a lâmina. Alguém bate à porta. Entreabro. Ele, sempre ele, sempre a mesma camiseta preta com letras brancas escrito sei lá o quê, o bermudão.&lt;br /&gt;“Deixa eu entrar!”, ele sussurra.&lt;br /&gt;A mão treme. O coração dispara. Bato a porta com força.&lt;br /&gt;O som me acorda.&lt;br /&gt;Desço a mão até meu pau rígido e aperto até que doa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...espalho espuma pelo rosto, corro a lâmina. Alguém bate à porta. O toque é sutil, quase inaudível, mas o susto desnorteia a mão e o sangue brota no pescoço logo abaixo do queixo. Mais três toques suaves. A mão já avança para a maçaneta, mas pára no meio do caminho.&lt;br /&gt;Se eu escuto a sua respiração tranqüila, ele certamente ouvirá a minha, ofegante. Tapo boca e nariz. Recuo dois passos. Silêncio.&lt;br /&gt;Acordo quando o relógio anuncia às cinco horas. Sento na cama. O vai-vem. O coice. O toque irritante e insistente do despertador do celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém bate à porta. Três toques. Suaves. Mas a mão desnorteada faz brotar sangue no pescoço logo abaixo do queixo. Pela porta entreaberta eu o vejo: ele, sempre ele, a mesma camiseta preta com qualquer coisa escrita e o bermudão.&lt;br /&gt;“Deixa eu entrar”, ele sussurra. Abro a porta o suficiente para que ele passe. Giro a chave duas vezes. Sinto no frio das minhas costas arrepiadas o braseiro do seu corpo magro e moreno.&lt;br /&gt;Me ajoelho diante do volume enorme que ameaça rasgar o bermudão e aperto com cuidado seu falo para que não doa. Entreabro os lábios. Chupo sua pica dura com fome de necessitado. Ele se curva. Olha nos meus olhos, tranqüilo; a próxima a boca da minha, mas segue até o pescoço e lambe o sangue que já alcança o peito.&lt;br /&gt;Acordo com o toque irritante e insistente do despertador do celular. Estou exausto, olhos vermelhos, olheiras. Aborto um sorriso maroto. Daqui há pouco trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem trânsito, nem chuva, nem o calor insuportável da tarde. Tudo parece certo. A música nos fones ajuda a passar o tempo, a chuva esfria o asfalto e o sol ilumina a cidade de um jeito ímpar. Aceitei até um barzinho com os colegas de trabalho. Tantos convites recusados. Por que não? “Cerveja, não, que eu não bebo! Tem Coca em lata? Normal, claro! Com gelo e limão, por favor.” Pedi ao garçom depois de lhe perguntar o nome. Um rapaz magro, simpático e atencioso.&lt;br /&gt;Fomos os últimos a sair. “Eu pego um táxi!”, agradeci, recusando a carona. “Não esquenta a cabeça.” De dentro do carro eu vi o garçom saindo pela porta de enrolar semi-aberta do boteco. Bermudão, camiseta preta com qualquer coisa escrita em branco. Prendi a respiração. “Pra onde, senhor?”. Só quando o motorista repetiu mais forte é que eu vi que divagava e dei o endereço. O carro seguiu reto e acabamos por passar pelo rapaz que caminhava tranqüilo madrugada adentro.&lt;br /&gt;Fiz o taxista parar e ofereci carona. Ele entrou e sentou no banco da frente, agradecendo. Ninguém disse nada até a porta da minha casa.&lt;br /&gt;O vento noturno não refreia o suor da testa. As nuvens cerram o céu tapando o luar. Em riste caminho até a porta, giro a chave duas vezes. Entreabro. Ele me segue calmamente e com paciência espera atrás de mim. Sinto no frio das minhas costas arrepiadas o braseiro do seu corpo magro e moreno. Abro a porta o suficiente para que ele passe. “Quer entrar?”, sussurro.&lt;br /&gt;Ainda na sala me ajoelho diante do seu pau duro, aperto de leve para que não doa enquanto o tiro da bermuda que já ameaça rasgar. Chupo com fome de necessitado. Ele se move de leve. Vai-vem. O jato. O coice. Gemidos quase inauditos.&lt;br /&gt;Ele quer mais. Sempre quer. Eu quero mais. Sempre.&lt;br /&gt;Caminhamos em riste para o quarto. Sento na cama. Tiro a roupa. Ele vem, aproxima a boca da minha e pede: “Deixa eu entrar?”&lt;br /&gt;Minha mão treme. O coração dispara. Deito. Me entreabro. Suas mãos correm minhas costas. O toque é sutil. Algum peso. Segura meu pescoço com a esquerda logo abaixo do queixo. Suave.&lt;br /&gt;A lâmina corre. Sem susto. Sua respiração tranqüila. A minha que cessa. Silêncio.&lt;br /&gt;O relógio anuncia às cinco horas.&lt;br /&gt;Dormir. Talvez sonhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;23 de novembro de 2011 AD&lt;br /&gt;10h57&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crédito da imagem: http://www.flickr.com/photos/gilrodrigues/page2/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-8195866300260686731?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/8195866300260686731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=8195866300260686731' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/8195866300260686731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/8195866300260686731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2011/11/eu-32.html' title='EU 32'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://farm1.static.flickr.com/79/277542613_30e94277e1_t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-6758816125532947334</id><published>2011-10-29T13:42:00.003-03:00</published><updated>2011-10-29T13:51:01.380-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião pessoal. Sociedade. Homofobia'/><title type='text'>QUEM COME DESSE PÃO? QUEM BEBE DESSE VINHO?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQNm0tnQPtz6nbrwxz35nl7mBTu2xyzrA9lBgJKeckmNkhqQnKVMv_IqA8Edw"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 189px; height: 137px;" src="http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQNm0tnQPtz6nbrwxz35nl7mBTu2xyzrA9lBgJKeckmNkhqQnKVMv_IqA8Edw" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. Assim, também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade. Mt 23:27-28&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Militante do Partido Social Cristão – PSC, afirmou no programa da sua bancada exibido em 27 de outubro de 2011, em rede nacional de rádio e televisão: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nossa prioridade é o ser humano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;No entanto, ao longo de toda a exibição, era visível a discordância com a união civil entre homossexuais, projetos de lei que garantam aos cidadãos gays direitos e deveres iguais a todos, mais proteção contra a violência alheia que ainda grassa e é elemento culturalmente apreciado, incrementado pelos tipos caricatos e infelizes que proliferam em telenovelas, humorísticos e programas em geral.&lt;br /&gt;A questão (ou problema) não é a defesa do modelo patriarcal e heterossexual de união familiar, mas a indicação de que a desordem, a desarmonia entre classes, entre os jovens, a proliferação de vícios e condutas reprováveis é fruto de outras formas de linhagem que não a fórmula apresentada Homem + Mulher + Amor = Família.&lt;br /&gt;Filhos criados por mães e avós, ou tias, reconhecidamente heterossexuais, serão afeminados pela ausência da figura masculina? Daí para a prática homossexual é certeza? Meninas criadas unicamente pelos pais serão masculinizadas, embrutecidas? Grupos onde somente a um dos sexos genéticos é permitida a convivência são celeiros de homossexuais? Ou não há amor entre militares e religiosos? Ou o amor entre iguais, isento de contato sexual e eivado de respeito, não é realmente amor?&lt;br /&gt;Sociedades onde a diferenciação de gêneros sexuais não predominava, desapareceram. Que sociedades? Todo agrupamento tem por objetivo a congregação de seus membros em torno de diretrizes que os organizem, suportem e felicitem. Todo agrupamento é candidato a vitórias. Todo agrupamento é passível de desvirtuamentos e excessos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria falar pela boca de antropólogos, filósofos, neurocientistas, psicólogos e psiquiatras, sociólogos, enfim, tantos que estudam e apresentam de forma franca e factual o fenômeno da homossexualidade como uma das facetas do ser humano, mas não tenho bagagem para isso e tal seria longo e, quiçá, enfadonho.&lt;br /&gt;Falo como cidadão, trabalhador, artista, cristão, brasileiro, tio, primo, filho, irmão, biólogo e também – orgulhosamente – como homossexual: Ama o próximo como a si mesmo. Fazer por eles o que se gostaria para si próprio. Reconciliar-se com o diferente enquanto com ele se caminha. Atirar a primeira pedra apenas se totalmente isento de faltas.&lt;br /&gt;Um partido que tem a marca dos cristãos que morreram nas arenas romanas como símbolo e que ergue sobre si o nome do Cristo,mas não tem caridade pelos seus irmãos – assim chamados por hipocrisia política e tolerância de fachada – não merece crédito.&lt;br /&gt;Nenhum dos seus candidatos receberá o meu voto. É apenas um único voto, mas não é insignificante, porque negar-lhes esse apoio e minha forma de dizer não à mediocridade dos seus ideais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oremos pelos que nos perseguem e caluniam.&lt;br /&gt;Bem aventurados somos, porque injuriados.&lt;br /&gt;Quem de nós entrará no Paraíso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;27 de outubro de 2011 AD&lt;br /&gt;22h10&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-6758816125532947334?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/6758816125532947334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=6758816125532947334' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6758816125532947334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6758816125532947334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2011/10/quem-come-desse-pao-quem-bebe-desse.html' title='QUEM COME DESSE PÃO? QUEM BEBE DESSE VINHO?'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-3577660634975943189</id><published>2011-10-08T09:34:00.004-03:00</published><updated>2011-10-08T09:49:15.677-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Círio de Nazaré'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Belém do Pará'/><title type='text'>MARIA SE MULTIPLICA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRJ-XB3W0IF-6ox96fJav2479Ue6m0sV616qfM4ZLzyrqTE53pK"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px; height: 183px;" src="http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRJ-XB3W0IF-6ox96fJav2479Ue6m0sV616qfM4ZLzyrqTE53pK" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Maria do povo meu.”&lt;br /&gt;(Maria de Nazaré. Pe. Zezinho)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A santinha sempre em seu plástico de fábrica. A madona reluzindo a folhas de ouro.&lt;br /&gt;Maria de barro, Maria de gesso. Maria de cera, de madeira.&lt;br /&gt;A imagem pequenina incrustada no seu manto tão característico. A estátua com sua veste original (que eu sempre achei tão mais bonito!).&lt;br /&gt;A Maria pequenina que vai de casa em casa: “Nossa Senhora vem aqui!”, ou “Hoje a Santa dorme em casa.” O melhor ponto da sala. Base alta. Toalha de renda. Balão de borracha. Flor de plástico. Fita de cetim. vela, que a Santa “não pode dormir no escuro.” Na periferia, no centro, nos condomínios, nas empresas, repartições. A berlinda é uma cesta, uma casa de isopor, uma réplica de arame, um andor de miriti e que vai e de volta a uma igreja de onde parte para uma nova morada – graça sorteada, prêmio ao coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é sempre ela: Maria. Mãezinha. Rainha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Domingo os pés têm um só rumo, os olhos só vêem a Berlinda, as mãos todas se erguem ao céu. Toda boca tem um pedido, toda cabeça uma promessa, cada coração uma esperança.&lt;br /&gt;“Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre: Jesus!”&lt;br /&gt;Uma casa, trabalho, saúde. Obrigado! Uma cura, uma prova, um concurso. Obrigada!&lt;br /&gt;Pela minha mãe... os meus irmãos... aquele filho... minha esposa. Todos nós.&lt;br /&gt;“Livrai-nos do fogo do Inferno. Levai as almas todas para o Céu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é sempre ela: Maria. Advogada. Intercessora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria que põe na mesma Corda o homem e a mulher. O que pede e o que agradece. Quem vai por si, ou pelo outro.&lt;br /&gt;“A vós recorremos...”&lt;br /&gt;Estrelas de pólvora transformando o dia numa noite barulhenta.&lt;br /&gt;Aqui se canta: “Ave, ave, ó Senhora da Berlinda...”&lt;br /&gt;Ali se reza: “Ó, Maria concebida sem pecado...” e se pede: “Olhai por nós que recorremos a vós...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse dia até Deus fica um pouco menor e por ser Deus não dá a isso qualquer importância e brinca com o Cristo sorridente: “Eis aí tua mãe!”&lt;br /&gt;Todos: os Santos nas nuvens, os anjos empoleirados nos ombros paternos, o povo nos galhos das figueiras da Boulevard,nas janelas dos edifícios, esperando nas calçadas. “Ave, Maria.” Todos. “Amém!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pato. E maniçoba. E cervejinha. Cervejinha, sim. Não é ela que paga a festa? O cansaço, o sono, o porre.&lt;br /&gt;E tudo sossega.&lt;br /&gt;A vela apaga. Quem se lembra?&lt;br /&gt;Tudo adormece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim quieta, Maria suspira.&lt;br /&gt;Ajeita o Menino nos braços, confere o bordado do manto.&lt;br /&gt;Sorri.&lt;br /&gt;Amanhã tem mais.&lt;br /&gt;Ô, Glória!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;07 de outubro de 2011 AD&lt;br /&gt;14h46&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-3577660634975943189?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/3577660634975943189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=3577660634975943189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3577660634975943189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3577660634975943189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2011/10/maria-se-multiplica.html' title='MARIA SE MULTIPLICA'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-5773867620348444259</id><published>2011-06-27T17:41:00.005-03:00</published><updated>2011-06-28T08:25:04.661-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PL 122/06'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homossexualidade'/><title type='text'>DEUS E O DIABO ONDE QUER QUE SEJA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR6aVnpRQ2szyFyohBcI2ex4aTyYpSkhZCAaOp7WD93MwRUHSZ7&amp;t=1"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 201px; height: 160px;" src="http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR6aVnpRQ2szyFyohBcI2ex4aTyYpSkhZCAaOp7WD93MwRUHSZ7&amp;t=1" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Levantei os meus olhos para ti, que habitas nos céus.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;“Tem misericórdia de nós, Senhor, tem misericórdia de nós, porque estamos mui fartos de desprezo;&lt;br /&gt;“Porque mui cheia está a nossa alma, sendo objeto de escárnio para os ricos e desprezo para os soberbos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salmo 122 (123)&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasileiros e brasileiras. Eu estou convencido de que nunca, nunquinha, never, ever na história desse país se viu uma mobilização tão grande quanto às contrárias ao PL122/06: o projeto de lei que criminaliza a homofobia.&lt;br /&gt;Hoje por qualquer coisa de não importa que monta o povo se revolta, fecha ruas, queima pneus, grita e se enfurece. Não raro os ânimos se exaltam, furibundos, e voam paus, pedras e chuva de fogo. Outros momentos da história brasileira registraram esses levantes. Para citar apenas dois, temos a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Revolta da Vacina&lt;/span&gt; que de 10 a 16 de novembro de 1904 sitiou a cidade do Rio de Janeiro por conta da campanha de vacinação obrigatória. No início do século XX, o então presidente Rodrigues Alves, o prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos e o diretor geral de saúde pública, Dr. Oswaldo Cruz, criaram medidas para sanear a cidade e combater grandes epidemias como febre amarela, varíola e peste bubônica, dada a precariedade de infra-estrutura e saneamento básico. Na reforma conhecida como Bota Abaixo inúmeros prédios velhos foram derrubados levando milhares de pessoas despejadas à força para os morros e periferias. As Brigadas Mata Mosquitos e a polícia invadiam casas para desinfecção e extermínio de mosquitos e ratos. A gota d’ água foi a aprovação pelo congresso nacional no dia 31 de outubro de 1904 da Lei da Vacina Obrigatória, autorizando as brigadas e os policiais a entrarem nas residências e aplicar a vacina à força. Nesse cenário corria solta a boataria de supostos perigos causados pela vacina e que estas deveriam ser aplicadas nas partes íntimas do corpo. Confusa e descontente a população e os cadetes da escola militar da Praia Vermelha se insurgiram contra o governo. Lojas foram depredadas, bondes virados e incendiados, trilhos arrancados, postes quebrados. A polícia era atacada a paus, pedras e pedaços de ferro. Tiros, gritaria, trânsito engarrafado, 50 mortos, 110 feridos e centenas de presos. Com a suspensão da obrigatoriedade da vacina o governo pôde retomar o controle da situação e o processo de imunização reiniciou erradicando a varíola em pouco tempo.&lt;br /&gt;Situações extremas, medidas extremas. Mas o que são situações extremas senão o fruto do descaso e da incompetência? E o que são medidas extremas que não a reação ao medo de que o mal escape dos guetos e invada os floridos campos dos mandatários?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 de agosto de 1992. O então presidente Fernando Collor de Mello, cercado por inúmeras denúncias de corrupção, crimes de enriquecimento ilícito, evasão de divisas e tráfico de influências, faz um pronunciamento em rede nacional de televisão pedindo apoio à nação, convocando o povo a se vestir de verde e amarelo e sair às ruas no domingo seguinte, 16. Um verdadeiro tiro no pé! Milhares de jovens tomaram as ruas das capitais vestidos de preto e com os rostos pintados na mesma cor. Só no Rio de Janeiro foram 30 mil, pedindo em coro o impeachment de Collor. Essas pessoas, conhecidos como os &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Caras-Pintadas&lt;/span&gt; somavam-se a tantas outras manifestações que, apaixonadamente, lembravam os movimentos da década de 60, diferindo destes em seus objetivos. Estes queriam a mudança do regime político do país. Aqueles, apenas a queda do presidente, extinguindo-se em si mesmos após a renúncia de Fernando Collor em 29 de outubro do mesmo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente o Diabo veste arco-íris. O número da Besta é 122. Sua sacerdotisa: a senadora Marta Suplicy. O boato: “Querem transformar o seu filho num gay.”, “Não vamos mais poder chamar os veado de veado!” (a tal Mordaça Gay), “A bicha quer entrar na santa madre igreja de noiva, com uma cauda enorme segura por pirilâmpicas drag-queens e jogar o buquê sob um temporal de purpurina”, “Tudo bem que o cara seja gay, mas beijar homem em público?! Cadê o respeito?!”, “E adotar um filho então? Como é que vai ficar a cabeça dessa criança?” e blá-blá-blá. O alvo: a moral ilibada de homens e mulheres tementes a Deus como prescreve o rei Salomão em Provérbios, capítulo 1, versículo 7 e capítulo 9, versículo 10.&lt;br /&gt;O que se quer sanear agora é a mentalidade estagnada da relação homoafetiva como doença, desvio, perversão, imoralidade, despudor. O que se pretende demolir são os cortiços infectos de um modelo familiar cristão e digno que só existe pleno no palavreado vazio dos que temem a si mesmos em primeiro lugar e ao outro: o diferente! A vacina quer impedir a morte infame e a violência degradante contra centenas e centenas de cidadãos cujo crime está no foco do seu prazer.&lt;br /&gt;E continuam as passeatas. A Marcha para Jesus realizada dia 23 de junho último aproveitou para repelir o projeto da senadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora se pretende descartar o PL 122/06 para que uma nova proposta seja apresentada, mais de acordo com a bancada evangélica – os maiores críticos da proposta. Onde, por exemplo, lia-se ser crime “praticar, induzir, ou incitar a discriminação ou preconceito contra gays, lésbicas e transexuais” permanece apenas o termo induzir, menos abrangente, mas um “meio termo” como chamou Suplicy, a mesma que sugeriu relaxar e gozar nos momentos de grande provação. Tudo voltaria à estaca zero, o projeto teria que tramitar por todas as comissões e voltar a ser votado na Câmara dos Deputados &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;onde já foi aprovado em 2006!!!&lt;/span&gt; Isso evitaria, dizque, se rejeitado, que um novo projeto com o mesmo conteúdo só pudesse ser apresentado em 2015. A senadora alega que o número do projeto foi demonizado por religiosos. Se isso foi dito de forma figurada, um trocadilho, a estratégia se resume a maquiar – permitam-se também o chiste – o tal projeto pra que ele passe despercebido e vaselinado (antigo isso!) pelas frestas do poder. Se há algo de presumidamente sério nessa afirmação, o que eu me recuso a aceitar vivendo numa sociedade tecnicista e materialista como a nossa, vamos combinar: que qualquer coacervato percebe a manipulação política como tantas outras que têm sido feitas nesses anos todos em que o assunto é discutido.&lt;br /&gt;Vamos patinar no molho béarnaise. Que mal pode haver no número 122?! Segundo a numerologia, os números 1 e 2 – princípios universais – estão entre aqueles que representam estágios pelos quais conceitos devem passar antes de se tornar realidade. 1 é o primeiro dos números, o início, único e absoluto. Está ligado à energia criativa, originalidade, poder, masculinidade e objetividade. O 2 é a dualidade, a polaridade, a necessidade de ser complementado, o convívio em harmonia com os demais. Logo, 122 representaria o início de um novo estado de coisas, ímpar, integral – e íntegro – onde os opostos se complementariam na busca da unidade plena e justa. Isso não valeria só para os homossexuais, não, mas igualmente para todo e qualquer marginalizado, incluindo heterossexuais que só querem viver o curso natural dos seus princípios.&lt;br /&gt;Dia desses um amigo comentava: “Eu não gostaria de ser gay. Seria só mais um problema na minha vida.”, disse temendo (mais uma) discriminação. Ele não é o único. Quantos pais não rejeitam os filhos e filhas temendo o julgamento social? Quantos jovens não se violentam – vivendo seus prazeres e amores clandestina e perigosamente – e reprimem enveredando pela psicose e depressão, causas de tantos isolamentos, desatinos e suicídios, porque crêem não atender as expectativas de Deus, dos pais, do mundo, de si mesmos; porque não entendem como podem ser aquilo que, dizem, não devem ser e olha que não foi nenhum vídeo que os incitou a isso, mas a própria natureza.&lt;br /&gt;Jesus não condenou a mulher adúltera, comeu na casa de um coletor de impostos, pediu água a uma samaritana, curou o servo de um funcionário romano. Sempre fiel aos seus valores, nunca conivente com a iniqüidade, sempre justo, íntegro e, acima de tudo, amoroso. E como o anjo perguntou a Francisco de Assis: “Quem é maior? O amo, ou o servo?”, ao que respondeu o jovem aspirante a cavaleiro “O amo, Senhor!”. “Então.”, redargüiu o anjo, “Por que queres servir ao servo?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo. O uso de figuras de santos durante a parada gay de São Paulo foi sim um descompasso. Impossível não crer numa retaliação, ou deboche, como chamou o bispo da cidade, quando se utilizam imagens que na consciência católica têm significado sagrado. Foi uma ofensa ao caráter dogmático dessas figuras. Respeito acima de tudo, em todos os momentos, sobretudo num em que conseguimos tão pouco e temos tanto a perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;27 de junho de 2011 AD&lt;br /&gt;17h07&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-5773867620348444259?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/5773867620348444259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=5773867620348444259' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5773867620348444259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5773867620348444259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2011/06/brocardos.html' title='DEUS E O DIABO ONDE QUER QUE SEJA'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-3828626022410829240</id><published>2011-06-03T12:14:00.005-03:00</published><updated>2011-06-03T12:21:24.624-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gruta'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aldeotas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fosca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>PÉS DE BARRO, SOL NOS CABELOS</title><content type='html'>Numa semana miraculosamente de folga fiz o que, como ator, faço para me divertir: fui ao teatro. Assisti Aldeotas – Lugar de Memórias e Paixão Fosca e sobre eles agora discorro um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-7wI72IhHYXQ/TeFDr_mctgI/AAAAAAAAGBk/a-pBvfJOtNo/s1600/Aldeotas_foto_Hamilton+Braga+%252810%2529.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 448px; height: 253px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-7wI72IhHYXQ/TeFDr_mctgI/AAAAAAAAGBk/a-pBvfJOtNo/s1600/Aldeotas_foto_Hamilton+Braga+%252810%2529.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Aldeotas – Lugar de Memórias&lt;/span&gt; é o espetáculo que marca o retorno à cena do Grupo Gruta de Teatro e aos palcos dos atores Adriano Barroso e Aílson Braga. Aldeotas vai beber nas lembranças: o amizade de Levi (Barroso) por Elias (Braga), as delícias da infância, o prazer da poesia, o aprendizado das escolhas feitas – algumas dolorosas. O texto do ator e dramaturgo Gero Camilo é extremamente rico – de imagens, de sensações, de emoções – e tem na sua bela escrita e singeleza de uma broa de milho que abre as portas do reino no centro da Terra onde meninos com olhos de diamante cantam, dançam e silenciam num só tempo.&lt;br /&gt;A dramaturgia de Henrique da Paz, decididamente um dos melhores diretores do Pará minimaliza cenários e adereços para privilegiar a interpretação, enquanto a luz de Sônia Lopes cria apontamentos cênicos e acentua as emoções dos personagens. O resultado é que está nas mãos de Adriano e Aílson o prender a platéia pelos quase 90 minutos de espetáculo, voando em cajueiros, mergulhando em cacimbas, saltando de abismos, descobrindo o amor e a sexualidade; dramas contemporâneos que devoram sonhos e lugares de conforto onde a falta de coragem fala mais que o afeto – que não é pouco, só é criança.&lt;br /&gt;E esse dizer incomoda. Soa professoral, quase discursivo. Talvez opção do diretor, talvez para contrapor os momentos em que ele rasga a alma e grita e chora, abraça e beija, para retornar a uma fala rebuscada de Rs e Ss. Assim também o corpo, que não é da cena, mas cotidiano. Presente, mas não inteiro. Seguro, mas não proposto. Pés de barro nesse colosso cuja cabeça está adornada de ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-2sj9OD1Qz4k/Tej63f0M4-I/AAAAAAAAAHQ/GQNmMDJUTDE/s1600/PAIX%25C3%2583O%2BFOSCA.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 134px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-2sj9OD1Qz4k/Tej63f0M4-I/AAAAAAAAAHQ/GQNmMDJUTDE/s200/PAIX%25C3%2583O%2BFOSCA.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614012766857520098" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Paixão Fosca&lt;/span&gt; é para quem gosta de folhetins. A mocinha transgressora aprisionada em sua torre, o cavalheiro honrado que é amante e protetor, um médico misterioso (Marinaldo Silva) e seu comandante, (Harles Oliveira), uma mulher dúbia – leviana e dissimulada, ou fervorosamente apaixonada na sua solidão? A doença como arma de chantagem, ou molde torto para uma alma iluminada?&lt;br /&gt;A partir do texto Fosca de Iginio Ugo Tarchetti o ator, diretor e dramaturgo Guál Didimo apresenta Giorgio (Rafael Feitosa), cuja paixão se movimenta lenta e tropegamente da doce Clara (Paula Diocesano) para a sofrida Fosca (Rosilene Cordeiro .Brilhante), uma mulher de personalidade marcante que assusta e encanta, cuja resistência está na espera de um grande amor que coroe a sua vida.&lt;br /&gt;Com uma cenografia simples e de múltiplas possibilidade, brilham os figurinos excepcionais de Ézia Neves (responsável por ambos) e a luz de Sônia Lopes, não à toa, uma das iluminadoras mais requisitadas pelos grupos de Belém, pela certeza de um trabalho participativo e entregue que começa nos ensaios, seguindo com o grupo, propondo, construindo, até o resultado sempre competente e belo. Na sessão que eu assisti havia falhas de operação que prejudicaram algumas cenas, assim como o uso indevido da luz por alguns atores, que insistiam em falar e andar nas sombras.&lt;br /&gt;Paixão Fosca é um espetáculo classudo, à italiana, naturalista, romântico, desses que pedem vermelhos e dourados e trilhas sonoras clássicas. Nenhum demérito nisso. Como encenador eu tomaria outras decisões: planos de ação diferenciados, menos ou nenhuma saída de cena dos atores, excetuando talvez Fosca, cuja ausência física não apaga o seu rastro e sua presença é marcante mesmo antes que a vejamos pela primeira vez.&lt;br /&gt;Ao contrário do espetáculo do Gruta onde não há onde e com o que se camuflar, os recursos disponibilizados por Dídimo deixam alguns intérpretes bem acomodados esquecendo de fincar seus pés na rocha sólida do seu trabalho como ator.&lt;br /&gt;Há que se aureolar frontes, mas sem desmerecer com o que se pisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SERVIÇO&lt;br /&gt;Aldeotas – Lugar de Memórias todas as quartas de junho no Teatro Cuíra&lt;br /&gt;21 horas.&lt;br /&gt;Ingressos: R$ 20,00 (vinte reais) na bilheteria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Paixão Fosca não volta aos palcos, leia mais sobre o espetáculo em http://www.paixaofosca.com.br/.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;03 de junho de 2011 AD&lt;br /&gt;10h37&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-3828626022410829240?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/3828626022410829240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=3828626022410829240' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3828626022410829240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3828626022410829240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2011/06/pes-de-barro-sol-nos-cabelos.html' title='PÉS DE BARRO, SOL NOS CABELOS'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-7wI72IhHYXQ/TeFDr_mctgI/AAAAAAAAGBk/a-pBvfJOtNo/s72-c/Aldeotas_foto_Hamilton+Braga+%252810%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-8654780573522109491</id><published>2011-05-26T16:12:00.003-03:00</published><updated>2011-05-26T16:27:10.022-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homossexualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião pessoal. Sociedade. Homofobia'/><title type='text'>VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ?! - 2# ROUND</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.piripiri40graus.com/fotos/zoom-homofobia-ou-ditadura-gay--983.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 182px; height: 200px;" src="http://www.piripiri40graus.com/fotos/zoom-homofobia-ou-ditadura-gay--983.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda a pouco me chegou às mãos um documento intitulado &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Movimento pela Preservação da Família e Contra a Heterofobia&lt;/span&gt;. Nele, alguns cidadãos abaixo assinados pediam providências ao senado da república quanto ao que eles chamavam de garantia do direito constitucional de livre expressão e defesa de declaração de dogmas religioso contra o que eles classificam como heretofobia. Frente às últimas decisões do senado brasileiro quanto aos direitos e deveres do cidadão homossexual, um turbilhão de gentes passou a se manifestar, desagradadas. Esses homens (sobretudo) e mulheres de bem, que no seu dia a dia violam bem mais do que um dos antigos sete pecados capitais (aqueles que mandam direto para o fogo do Inferno), exigem o seu direito de continuar a ofender e achincalhar: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Fresco filho da puta! Viado de merda! Bicha escrota! Baitola nojento! Maricona!&lt;/span&gt; aos berros, do alto da sua dignidade. Querem garantir impunidade e imunidade por defesa justa da honra a todos os que enfiam pimentas, estacas de madeira e outros tantos objetos pelo reto adentro de uns; que desferem múltiplas facadas, golpes de lâmpadas fluorescentes e tiros em outros. Que extorquem, chantageiam, invadem e matam muitas vezes após intrincados jogos de sedução onde, não raro, cabem mais do que simples carícias, subtraídas por conta da posição &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ativa&lt;/span&gt; de um sujeito que explora a carência de quem, muitas vezes, só quer o seu quinhão de amor na vida, mas só pode vivenciá-los nos guetos, nas praças escuras, nos matagais, nos clubes, boates e bares marginais e/ou marginalizados, já que o mundo exterior, o sol, os passeios, a proteção legislativamente garantida pertencem aos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;normais&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas pessoas citam a Bíblia para embasar seu protesto: “E criou Deus o homem à sua imagem: fê-lo à imagem de Deus e criou-os macho e fêmea”. (Gen 1, 27). Pensam unicamente na vida como se esta fosse apenas uma sucessão de práticas sexuais procriatórias quando eles mesmos não se eximem do sexo livre do compromisso de manutenção da espécie. Sexo é mais do que isso. É troca de afetos, repositor de energias, força criativa que extrapola a carne para a inventividade, a arte, a pesquisa, a construção de engenhos cada vez mais maravilhosos. Sexo não é amor. Amor não é sexo. E embora os dois nem sempre estejam juntos na mesma equação, um com o outro é o supra-sumo do prazer. Sexo exige consenso, respeito e dignidade. E isso não é privilégio de heterossexuais, que por sua vez amam seus pares: a amiga de infância, o irmão de sangue, a prima mais velha que lhe dá conselhos, o craque de futebol, a parceira de rezas, o colega de escritório. Ou vão me dizer agora que amor tem boceta, pau, ou cu?! Ou vão dizer como um amigo meu: “Eles – leia-se, os... gays – podem até namorar e tal, mas... em público, num restaurante, têm de manter o respeito!”. Esse meu amigo – muito querido por sinal – é como aquela educadora baiana que deu suspensão de dois dias a um aluno de 9 (ou 13? Não lembro!) anos porque ele acariciou a cabeça de um colega. Na carta aos pais dizia: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;comportamento imoral e indisciplinado&lt;/span&gt;. Criou um estigma tão forte que a criança não quer voltar às aulas porque sabe que vai ser discriminado e fica repetindo, envergonhado: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eu não sou &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;assim&lt;/span&gt;!&lt;/span&gt; “Assim". Algo tão terrível que não merece nem ser mencionado.&lt;br /&gt;Jesus, que estes costumam lembrar apenas nos momentos de precisão, já falava deles: “... sois semelhantes aos sepulcros branqueados, que parecem por fora formosos aos homens, e por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a asquerosidade. Assim vós (...) por dentro estais cheios de hipocrisia e iniqüidade. (Mt 23, 27-28). Serpentes, raça de víboras, como escapareis vós de serdes condenados aos inferno?” (Mt 23, 33). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que do lado de cá há excessos de todo tipo, comportamentos equivocados, deboches desnecessários, um cabo de guerra tenso que só pode terminar em violência porque com violência é fomentado. Há sim uma heterofobia no gay que exige a aceitação plena de quem não quer aceitá-lo, não pode compreendê-lo, teme o que desconhece. Ninguém é obrigado a aceitar nada que não queira aceitar e estes podem até fechar os olhos e fingir que não podem mudar, ou aprender com o outro por considerá-lo inferior, doente, degenerado, inculto, ignorante. Isso vale para os dois lados: “Porque do interior do coração do homem é que saem os maus pensamentos, os adultérios, as fornicações, os homicídios, os furtos, as avarezas, as malícias, as fraudes, as desonestidades, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males vêm de dentro e são os que contaminam o homem.” (Mc 7, 21-23)&lt;br /&gt;Mas é da Lei o amor ao próximo porque somos todos irmãos. E se não quiserem entrar nessa seara religiosa, somos todos cidadãos do mesmo estado e sobre nós reza uma lei – a mesma lei que lá no início eu disse ser citada pelos meus concidadãos moralistas – que garante a todos direito à vida, à liberdade e ao bem-estar físico, social e moral.&lt;br /&gt;O que o senado federal fez – e ainda falta muito a fazer! – foi por no papel o que deveria estar no coração. Enquanto a forma não prevalecer, que a letra se imponha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E encerremos ainda com o Evangelho, pedindo Paz e Bem a todos os homens e mulheres: “Concerta-te sem demora com o teu adversário enquanto estás posto a caminho com ele (Mt 5, 25); Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio e orai pelos que vos perseguem e caluniam: para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus, o qual faz nascer o sol sobre bons e maus e vir a chuva sobre justos e injustos. Porque se vós não amais senão os que vos amam, que recompensa haveis de ter? (...) E se vós saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis nisso de especial? (...) Sede vós logo perfeitos, como também vosso Pai Celestial é perfeito.” (Mt 5, 43-48)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;Belém, Pará – 25 de maio de 2011 AD&lt;br /&gt;15h50&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-8654780573522109491?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/8654780573522109491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=8654780573522109491' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/8654780573522109491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/8654780573522109491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2011/05/voce-tem-medo-de-que-2-round.html' title='VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ?! - 2# ROUND'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-6893193743618160188</id><published>2011-05-23T14:48:00.002-03:00</published><updated>2011-05-23T14:51:10.149-03:00</updated><title type='text'>EU 31</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.omelete.com.br/images/galerias/inception/inception%20(69).jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 1000px; height: 419px;" src="http://www.omelete.com.br/images/galerias/inception/inception%20(69).jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Eu e o cinema sempre tivemos uma relação muito próxima e ele sempre influenciou muito da minha escrita. Adoro imagens. Dessa vez A Origem, de Christopher Nolan e A Ilha do Medo, de Martin Scorcese foram a inspiração.&lt;br /&gt;Para ler ao som de Calor, de Adriana Calcanhoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Enquanto tudo derrete.&lt;br /&gt;Enquanto tudo derrete.&lt;br /&gt;Enquanto tudo parece&lt;br /&gt;Derreter.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rua parecia interminável. Larga. Sem curvas. Muitas transversais. Limpa e silenciosa se estendendo até onde a vista alcançava, coberta por um céu turquesa sem qualquer nuvem.&lt;br /&gt;Nas calçadas igualmente largas, enormes mangueiras cujas copas não chegavam a se fechar em túnel, carregadas de frutas que despencavam com um burburinho de folhas e galhos estalando; bombas amarelas que a terra engolia assim que tocavam o chão, alimentando os canteiros de flores coloridas. No ar, um perfume de jasmim.&lt;br /&gt;O calor de quarenta graus era amenizado por uma lufada de vento que de tempos em tempos atravessava a via principal e suas várias travessas.&lt;br /&gt;A avenida era ladeada de cinemas, um seguido do outro, exibindo todos os tipos de filmes, clássicos, antigos, comédias, P&amp;B, 3D, aventuras. Bem a minha direita o Palácio exibia Branca de Neve e os Sete Anões e à esquerda o Olímpia mostrava Jornada nas Estrelas. Ao longe se ouvia o estalar das pipocas e a brisa trazia um leve cheiro de manteiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teria sentido um leve tremor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi num ônibus e percorri a avenida e foi numa quadra mais distante que eu o vi caminhando pela rua, o rosto fechado. Dei sinal para que o veículo parasse e me precipitei porta afora alcançando-o quase numa esquina. Chamei-o pelo nome. Ele se virou, a testa franzida, me viu e disse um oi seco e completou com um “que é que aconteceu?” seguido também pelo meu nome. Não consegui dizer nada. Ele deu as costas e dobrou a rua, sumindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente aquela sensação de que o chão tremia e um som de queda ao longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi num ônibus e percorri calmamente a avenida e foi numa quadra mais distante que eu o vi caminhando pela rua, o rosto fechado e sério. Dei sinal para que o veículo parasse e me precipitei porta afora o alcançando quase numa esquina. Chamei-o pelo nome. Ele se virou e sorriu o sorriso mais lindo do mundo e me disse oi com um beijo. Não consegui dizer nada. Pra quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu tinha certeza que o chão tremia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi num ônibus e percorri ansioso a avenida e foi...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma imensa árvore caiu arrastando a fiação elétrica, deixando tudo às escuras. Desci do ônibus e caminhei pela rua cada vez mais rápido até começar a correr desembestado. Dobrei na esquina e entre o hospital e a sorveteria a casa de dois andares estava abandonada. Os vitrais opacos, cadavéricos, as paredes pichadas de azul. Eu mesmo pichara, num aceso ridículo de fúria. A parede frontal fendida de alto a baixo e das suas bases as rachaduras iam se abrindo e aprofundando e espalhando para o resto da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritei por ele. Ninguém respondeu. Teria ouvido um latido? Sempre havia cães por perto, mas eu nunca os via. Sabia deles pelas muitas vasilhas com ração que ele colocava pela casa toda, pelas calçadas, na vizinhança, por toda a parte. Eu não reclamava. Apesar de vir aqui todos os dias eu sabia que passava muito tempo fora e que ele se sentia sozinho. E preso e triste e angustiado e indeciso e sufocado. Apaixonado? Sim! Quanto? Que tipo de pergunta é essa?&lt;br /&gt;Chamei de novo. Ganidos de filhotes reclamando o leite materno.&lt;br /&gt;Corri dali pra rua principal e até o final onde um cinema escuro exibia filmes escuros. Por que aqui? Ele nunca vinha aqui!&lt;br /&gt;Mas lá estava ele. Caminhei devagar até a fila em que ele estava e sentei ao seu lado. Levei a mão sobre a sua coxa e apertei. Seu olhar afundou no meu. Eu sentia febre, suava, tremia. O toque dele corria por mim como eletricidade. O coração aos saltos sentindo seu cheiro misturado ao meu. Levantei sem camisa e tirei a dele. Nossos peitos se encontraram batucando. Meu fôlego ficou curto, meu corpo teso, todo ele. Nos abraçamos com tanta força que nosso beijo doeu. A poeira caia abundante do teto que balançava, os azulejos soltavam das paredes. O filme interrompia e voltava. Puxei seu pau contra o meu e então ouvi a música. A orquestra subindo e a voz firme de Piaf.&lt;br /&gt;Ele me olhou e sorriu. Os olhos brilharam em brasa, os lábios, e um fogo rubro o consumiu de dentro pra fora, deixando nos meus braços uma casca negra que se desfez.&lt;br /&gt;A música ficou mais forte e a luz da saída de emergência piscou. Corri pelo corredor para a porta quando a parede lateral ruiu revelando um mundo que se desmanchava. Parei antes da cortina de veludo azul. Piaf parecia pedir que eu me apressasse, mas não me mexi.&lt;br /&gt;Sentei em frente à tela branca. A luz de emergência apagou totalmente.&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;26 de março de 2011.&lt;br /&gt;10h07&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crédito da foto: imagem do filme A Origem, coletada do site omelete.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-6893193743618160188?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/6893193743618160188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=6893193743618160188' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6893193743618160188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6893193743618160188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2011/05/eu-31.html' title='EU 31'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-1411136590186630625</id><published>2011-04-15T08:50:00.002-03:00</published><updated>2011-04-15T08:55:52.751-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='HOMOFOBIA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='justiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DIREITOS'/><title type='text'>VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ?!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_JQy3J9nXhCc/TP_ZP1WPoPI/AAAAAAAAA-8/s5goSy0WK1c/s1600/homofobia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 700px; height: 451px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_JQy3J9nXhCc/TP_ZP1WPoPI/AAAAAAAAA-8/s5goSy0WK1c/s1600/homofobia.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sr. Jair Bolsonaro ao se defender das acusações de preconceito racial feitas pela cantora Preta Gil às suas declarações no programa CQC disse ter entendido a pergunta como tendo questões homossexuais. “Que pai quer ter um filho gay?!” ele perguntou. E por que ele se defendeu assim? Porque ele sabe que preconceito racial é crime, mas não há sequer intenção de criminalizar a homofobia. Lamentável!&lt;br /&gt;Depois o jogador de vôlei Michael (Vôlei Futuro) moveu ação contra a torcida de um time adversário que, incessantemente, clamava “Bicha! Bicha!” durante partida da qual ele participava. O clube se defendeu dizendo que repudiava qualquer comportamento discriminatório quanto a dita “opção” sexual.&lt;br /&gt;Até quando nossos legisladores vão resistir ao fato de que é imprescindível tomar providências quanto a um estado de coisas que vai do achincalhe de natureza cultural em quadra até agressões em plena avenida Paulista após as festas de ano novo e tantos assassinatos sempre impunes? Sem desmerecer leis como Maria da Penha, ou o Estatuto do Idoso, é bom ver que eles seriam totalmente desnecessários se o cidadão reconhecesse no outro o ser humano que ele é na sua integralidade, integridade e alteridade. Se nós soubéssemos nos reger pelo que é justo, as leis seriam outras, mas infelizmente ainda é necessária a rudeza da legislação humana, o cárcere e mesmo a morte que, felizmente, ainda não é penalidade em nosso país.&lt;br /&gt;Nesse Brasil de contrastes o Sr. Bolsonaro é membro de uma comissão de Direitos Humanos apesar de um histórico de ditos e feitos preconceituosos. A repercussão agora foi maior e a ação movida por Preta Gil e o jogador Michael engrossam um caldo ainda ralo em defesa de um grupo de homens e mulheres que exercem seus direitos e deveres e devem ser respeitados em sua natureza sexual quanto por sua simples humanidade. Há que se mudar já o pensamento de que ser homossexual é demérito, desvio, doença. Chamar Michael de bicha é algo corrente. Bicha, viado entre outros são naturalmente usados para agredir mesmo os não homossexuais pelo simples prazer de ofender. Astros de cinema, TV e música – alvos de inveja –, são frequentemente tachados de homossexuais. A frase “tu é fresco, é?” corre de boca em boca para determinar um comportamento não aceito por determinado grupo; “Deixa da tua frescura!” denota fraqueza física e de caráter.&lt;br /&gt;Nós, homossexuais, precisamos tomar partido. Sem perder a alegria e a naturalidade, não descambar no deboche e no ridículo. Sem deixar de lutar pelo que cremos, não enveredarmos pela heterofobia tão perniciosa e violenta quanto a homofobia que criticamos. Lutar pelo nosso lugar ao sol sem perder de vista que a aceitação é fruto do respeito e da dignidade contra as quais nem todo um estádio de Bolsonaros pode contrariar e abafar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;07 de abril de 2011 AD&lt;br /&gt;9h17&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-1411136590186630625?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/1411136590186630625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=1411136590186630625' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1411136590186630625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1411136590186630625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2011/04/voce-tem-medo-de-que.html' title='VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ?!'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_JQy3J9nXhCc/TP_ZP1WPoPI/AAAAAAAAA-8/s5goSy0WK1c/s72-c/homofobia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-4505020890795107710</id><published>2011-02-28T17:07:00.003-03:00</published><updated>2011-02-28T17:13:26.717-03:00</updated><title type='text'>EU 30</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.iparaiba.com.br/ipbredacao/upload_imagens/InsoniaHomem.jpeg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 356px; height: 228px;" src="http://www.iparaiba.com.br/ipbredacao/upload_imagens/InsoniaHomem.jpeg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Insones, leiam ao som de Come What May, da trilha sonora de Moulin Rouge.&lt;br /&gt;I want to vanish inside yours.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em casa realmente cansado. Tirei as roupas mastigando uma banana e com o que me restava de forças tomei um banho.&lt;br /&gt;No quarto uma porta se abria para uma sacada gradeada onde deveria haver flores, mas suas tantas roseiras há quatro meses não floriam e seus galhos mirrados e quase nus perdiam seu verde-escuro para um marrom progressivo e fatal.&lt;br /&gt;Me joguei na cama, braços em cruz, sem tirar a coberta azul. Contra as minhas costas e bunda a textura do tecido provocou um arrepio. Como um peixe encalhado mexi os braços, as palmas contra o pano grosso e meu pau ficou imediatamente duro. Virei o rosto. Abri a boca. Suspirei. Não havia qualquer cheiro ali. Nem o meu. Nem o dele. Muito menos o nosso. O peixe se virou, debateu-se, arquejou num sem-fôlego de saudade. Me esfreguei na coberta, mordi os travesseiros, agarrei o colchão e quando senti a pressão vindo tornei a virar e me recolhi na mão direita, solitário, acompanhado apenas pelas folhas das roseiras e por folhas de papel.&lt;br /&gt;Afundei na cama exausto de morte, mas essa benção não me era devida. Eu deveria ficar, des-sentir e aprender. De mim, como ser brando. De mim, nem manso nem humilde. Desse fardo ao qual me jugo. De ti, coração.&lt;br /&gt;Preciso me limpar, mas não consigo me mexer; preciso não dormir a tempo de poder depois de te querer, bruta flor, bruta flor que eu quero mel, meu, teu vosso...&lt;br /&gt;Não tô dizendo-pensando-querendo coisa com coisa.&lt;br /&gt;Maria... tinha... um carneirinho...&lt;br /&gt;A cabeça doía – Maria... tinha... – os olhos ardiam – um carneirinho... dois carneirinhos,  três carneirinhos, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove para doze faltam 3 quatro meses. Outros quatro meses. Quase doze de um ano inconcluso que jamais vai se concretizar, armado, cimento, areia, ferro, pedra, papel, tesoura...&lt;br /&gt;Minha mente febril não conseguia desligar. Meus músculos tensos não me deixavam repousar. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Resquiecat in pace in nomine Patris in excelsis Deo. Mea culpa. Mea&lt;/span&gt; máxima culpa sem remissão, sem penitência, sem. Não fizeste nada. Terá sido isso? nada feito além de palavras, muitas, ditas, escritas, digitadas. Palavras ao vento, pequenas, apenas. O Amor que só tem palavras não pode ser verdade (?!).&lt;br /&gt;Um passarinho. Deus, o dia vai me encontrar aqui, assim, melado, seco, rachando, pegajoso?&lt;br /&gt;Boi, boi, boi, boi da cara preta, vai pra casa do caralho! Como é possível que eu não durma se tudo o que eu quero é dormir e ter esse pequeno desenlace até que o dia torne e eu me veja de novo sem?&lt;br /&gt;Outro canto e outro e mais um e o céu marinho, lilás, rosa e azul clarinho cedinho, cedinho, cedinho e o meu benzinho é só uma fotografia. Felicidade congelada. Fast food. Ambrósia. Néctar. Desejo olímpico. Louro sobre a testa.&lt;br /&gt;No celular o despertador que não me desperta. Função vazia.&lt;br /&gt;Sento na cama. Fico tonto. O corpo treme. Como estará minha cara dada a tapa? Uma face. A outra. A túnica. A capa. Um passo. Mil. Setenta vezes 7 vezes.&lt;br /&gt;Preciso ir.&lt;br /&gt;Até quando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;Belém, Pará&lt;br /&gt;27.02.2011 AD – 19h12&lt;br /&gt;28.02.2011 AD – 16h43&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-4505020890795107710?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/4505020890795107710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=4505020890795107710' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/4505020890795107710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/4505020890795107710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2011/02/eu-30.html' title='EU 30'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-1172398608268231996</id><published>2010-11-29T17:22:00.004-03:00</published><updated>2010-11-29T17:29:30.992-03:00</updated><title type='text'>EU 29</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;“Me beije só mais uma vez. Depois volte pra lá.”&lt;br /&gt;(Jardim da Fantasia. Paulinho Pedra Azul)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cento e quarenta e nove dias. Não sabia que uma vida cabe em cento e quarenta e nove. Sempre. Nunca.&lt;br /&gt;Quando te vi pela primeira vez não percebi o castanho dos teus olhos, ou a cor dos teus cabelos. Foi teu calor que me atiçou os sentidos. Tua boca pingando mel. Agora que estás distante, nas nuvens, ou na insensatez, te quero muito. Mais; e os dias são contados em reverso.&lt;br /&gt;Minha vida é assim: tirada de um folhetim romântico, papel de miolo de pão que os bem-te-vis catam da beira da estrada e me perco de mim, de ti. De nós. Onde estás?&lt;br /&gt;Nem Cecília veria flores nesse jardim de sua janela agora aberta pro muro, com cães passando embaixo num andar que não fica acima, como também nada vejo com meus olhos afogados e um sorriso de leiteiro.&lt;br /&gt;Tão pouco...&lt;br /&gt;Que mais dizer? TE AMO...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;27 de novembro de 2010.&lt;br /&gt;8h43&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-1172398608268231996?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/1172398608268231996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=1172398608268231996' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1172398608268231996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1172398608268231996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/11/eu-29.html' title='EU 29'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-95089235838970228</id><published>2010-10-19T17:02:00.004-03:00</published><updated>2010-10-19T17:17:26.467-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Espiritismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nosso Lar.'/><title type='text'>ALÉM DO HORIZONTE DEVE TER</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.rollingstone.com.br/imagens/20171/20100909175128_20171_medium_nosso-lar.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://www.rollingstone.com.br/imagens/20171/20100909175128_20171_medium_nosso-lar.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O burburinho que se formou entre os adeptos da Doutrina Espírita e curiosos foi grande. Vem aí filme Nosso Lar! Umas das mais conhecidas e comentadas obras psicografadas por Chico Xavier iria para as telas dos cinemas depois do sucesso da cinebiografia do médium mineiro e com vários programas de TV de cunho espiritualista. O diz-que-me-diz-que foi grande. Fotos, sites, notas, traileres eram divulgados pela internet. Cartazes eram afixados nos Centros (pelo menos no meu!). Tudo empolgava e, claro, dava alguma apreensão. 03 de setembro de 2010 virou uma espécie de Dia D para o Espiritismo brasileiro.&lt;br /&gt;Não, não vou comentar e-mails dizendo de atendimentos espirituais durante as sessões de exibição do filme. Qualquer mínimo bom senso se opõe a isso!&lt;br /&gt;Assisti Nosso Lar dia 05 de setembro e novamente no dia 08 (acho!). a cena inicial, André Luiz (Renato Pietro) diante dos muros fechados da cidade espiritual, o céu azul cortado por um íbis, a música emocionante de Philip Glass, senti um aperto no peito. Então descemos ao Umbral (uma espécie de purgatório?! Como assim?) e o filme entra num ritmo tal e único que não se altera até o seu final. Sem conflitos, sem falha trágica. André Luiz é só alguém confuso se aclimatando com certa facilidade a uma nova realidade. Todos os demais personagens são escadas para a plenificação do médico sanitarista falecido no Rio de Janeiro, onde exercia a profissão, no início do século XX. A personagem Eloísa (Rosanne Mulholland), sobrinha de Lísias (Fernando Alves Pinto), que deveria ser o contraponto de André não passa de uma garotinha mimada e chata em quem uns bons cascudos resolveriam as tolices.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://cinemagia.files.wordpress.com/2010/09/nosso_lar_cena2.jpg?w=480"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 479px; height: 342px;" src="http://cinemagia.files.wordpress.com/2010/09/nosso_lar_cena2.jpg?w=480" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Pietro não é capaz de dar ânima ao personagem. Sua interpretação é rasa e burocrática, um certo jeito empolado de falar, uma falta de carisma.&lt;br /&gt;Bons atores no elenco como o já citado Fernando Alves Pinto, Othon Bastos (o Governador da colônia), Ana Rosa (Laura, mãe de Lísias), Werner Schünemamm (Emmanuel), Paulo Goulart (ministro Genésio), entre outros, talvez por conta da direção, mantiveram-se didáticos, monocórdios e unidimensionais.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://cineinblog.atarde.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Nosso-Lar-2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 486px; height: 316px;" src="http://cineinblog.atarde.com.br/wp-content/uploads/2010/09/Nosso-Lar-2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O roteiro do próprio Assis, que até consegue sintetizar bem uma obra tão vasta e detalhista quanto Nosso Lar, não consegue centrar em André Luiz e não dá a real dimensão de um personagem confrontado com suas crenças e verdades; não dá a outros temas como reencarnação, vida após a morte, mediunidade, colônias em planos extra-físicos da existência, qualquer aprofundamento além de explicações acadêmicas tais verbetes de enciclopédia.&lt;br /&gt;Os efeitos realmente incomuns em produções brasileiras são tecnicamente bons, mas não podem existir por si só. Temos vários exemplos de filmes cujo visual e excelência técnica não conseguem esconder os despropósitos, ou incompetências de um roteiro mal escrito, e/ou mal dirigido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você, espírita (kardecista é o censo) quiser tornar o filme de Wagner de Assis na pedra filosofal do Doutrina Espírita no Brasil, vá em frente. Ver minha mãe, que não é espírita, dar conselhos baseada em questões que viu no filme mostra que enquanto divulgador de uma mensagem a produção cumpriu o seu papel – lembrando apenas que mensagem sem estudo, reflexão e aprofundamento é meramente máxima de almanaque. Devidamente utilizado, embasado e discutido, pode ser um excelente ponto de reflexão em nossas Casas e mesmo fora dos círculos espiritualistas. Para os não espiritistas o filme é mais uma obra de ficção com pretensões de realidade. Enquanto obra de arte é fraco, inconsistente e sem brilho e só se mantêm em cartaz pela necessidade de ver que esse nosso mundo não é o único e nem o melhor. Nossos anseios de superação e imortalidade nos atraem para esses personagens, seja André Luiz, o Superman, o coronel Nascimento, ou a mocinha lacrimejante da novela das seis.&lt;br /&gt;Que as próximas produções nesse filão observem cuidadosamente o seu trabalho buscando universalizar a mensagem sem moralidades maniqueístas através de um apurado e tecnicamente correto veículo, única garantia de imortalidade de uma obra de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hudson Andrade&lt;br /&gt;19 de outubro de 2010 AD&lt;br /&gt;16h31&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-95089235838970228?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/95089235838970228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=95089235838970228' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/95089235838970228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/95089235838970228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/10/alem-do-horizonte-deve-ter.html' title='ALÉM DO HORIZONTE DEVE TER'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7037179782708863571</id><published>2010-10-18T11:18:00.003-03:00</published><updated>2010-10-18T11:32:44.557-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casa da Atriz'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Curta a Cena'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>JÁ TENS ÁGUA DEMAIS</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.stickel.com.br/atc/uploads/agua.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 425px; height: 348px;" src="http://www.stickel.com.br/atc/uploads/agua.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Num mundo de homens o feminino se afoga em flores, fronhas, promessas...&lt;br /&gt;Todos os dias tantas mulheres se calam feridas naquilo que lhes é tão caro: sua dignidade.&lt;br /&gt;Texto original escrito por Hudson Andrade com referências a Hamlet, de William Shakespeare e Que Será, bolero de Marino Pinto e Mário Rossi, apresentado durante o Curta a Cena III, nA Casa da Atriz, nos dias 15 a 17 de outubro de 2010.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma desgraça sempre vem nos calcanhares da outra, tão depressa se sucede uma à outra.&lt;br /&gt;Ofélia se afogou.&lt;br /&gt;Afogou-se?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordava todos os dias às quatro e meia da manhã, acendia a vela que (ele) insistia em apagar debochando da sua crença em Deus e nos homens. Fazia café. Lavava um tanque de roupas cantando pra dentro uns sambinhas antigos e uns boleros desses de chorar. Gostava de dançar bolero. Dançara muito quando era mais jovem e saia (com ele) pro clube do bairro de onde só voltavam bem depois da hora marcada pelo pai. Afinal (ele) estava se divertindo. Valia a pena o puxão de orelha. Gostava de teatro também. Vira só uma vez, não entendera muito, mas achara lindo e até decorara umas frases inteiras que o filho mais velho copiara de um livro da biblioteca.&lt;br /&gt;Casara por causa de barriga, ficara por causa de barriga, voltara por causa de barriga e a cada vez pensara que desta vez seria diferente. (Ele) dizia.&lt;br /&gt;Ouviu passos dentro de casa. Estremeceu. Entrando ou saindo? Olhou o tanque cheio. Iria se atrasar de novo pro serviço. Fazer o quê? Ainda tinha que passar o vestido de uma amiga (dele) que viera manchado de cerveja e levar os meninos no colégio. Outros passos. Tampas de panela. A porta da geladeira velha batida com força. Abaixou-se pra pegar a bacia e sentiu uma pontada no lado esquerdo. Levantou a blusa. A mancha ainda iria demorar a sumir. Sempre demorava demais. Como gesso, que acabava se desfazendo no tanque de lavar roupa.&lt;br /&gt;Mais passos. Mais perto. Prendeu a respiração. Fechou os olhos. Num segundo estava correndo, os pés descalços subindo a escadinha da caixa d´agua do prédio no fim da rua. Parada diante da água morninha se viu novamente no teatro chorando sem saber por quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inclinado nas margens de um arroio, levanta-se um salgueiro que reflete as prateadas folhas na corrente cristalina. Para lá se dirigiu, adornada com estranhas grinaldas de botões de ouro, urtigas, margaridas e com aquelas largas flores púrpuras às quais nossos licenciosos pastores dão um nome grosseiro, que, porém, nossas castas donzelas chamam de dedos de defunto. Ali trepou pelas ramagens pendentes para colher sua coroa silvestre, quando um traiçoeiro ramo se desprendeu e, junto com seus agrestes troféus, foi cair no soluçante arroio. Suas roupas, a princípio, se espalharam e a sustentaram durante alguns instantes, como se ela fosse uma sereia. Enquanto isso cantava estrofes de antigas árias, como se estivesse inconsciente da própria desgraça, “Que será da minha vida sem o teu amor?... Mas aquilo não poderia durar muito e os vestidos embebidos tornaram-se mais pesados e arrastaram a desgraçada para uma morte lamacenta, em meio de seus melodiosos cantos. “Eu errei, mas se me ouvires vais me dar razão...”&lt;br /&gt;Afogou-se! Afogou-se!&lt;br /&gt;Já tens água demais, pobre Ofélia! Eis porque contenho minhas lágrimas. Ainda assim, é uma necessidade humana: nossa natureza as reclama, embora a vergonha não cesse de protestar. Quando este pranto cessar, tudo o que em mim houver de feminino terá acabado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hamlet, Ato 4º, cena VII (falas da rainha Gertrudes e Laertes), W. Shakespeare.&lt;br /&gt;Tradução: Pietro Nassett&lt;br /&gt;Editora Martin Claret, São Paulo, 2001.&lt;br /&gt;Texto original de Hudson Andrade* com referências a canção “Que Será” de Marino Pinto e Mário Rossi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) 02 de outubro de 2010 AD 10h53.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRÉDITO DA IMAGEM: http://www.stickel.com.br/atc/uploads/agua.jpg&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7037179782708863571?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7037179782708863571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7037179782708863571' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7037179782708863571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7037179782708863571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/10/ja-tens-agua-demais.html' title='JÁ TENS ÁGUA DEMAIS'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7732721843894320376</id><published>2010-10-16T10:19:00.002-03:00</published><updated>2010-10-18T17:40:57.514-03:00</updated><title type='text'>EU 28</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_s800P71onxE/SdD4l0sB1QI/AAAAAAAAAjE/RmlMjQoJVks/s400/jasmim.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_s800P71onxE/SdD4l0sB1QI/AAAAAAAAAjE/RmlMjQoJVks/s400/jasmim.bmp" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Para ler ao som de Poema, do Cazuza: “Eu procurei no escuro alguém com o seu carinho e lembrei de um tempo...”&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha uns 8 anos, acho. Como meu pai tinha ido embora, minha mãe precisou trabalhar e eu ficava em casa com o meu irmão mais novo.&lt;br /&gt;À tarde eu sentava na janela da frente da casa e ficava encostado contra a grade de ferro espiando o movimento da rua, os moleques correndo, a chuva que caía e evaporava da calçada provocando aquele vapor sufocante e aquele cheiro de coisa molhada: terra, grama, bom de sentir; asfalto, reboco, coisa estranha. De vez em quando meu irmão me olhava perguntando com os olhos se já estava na hora do pão com suco de pozinho. Não. Ainda não, eu respondia virando o rosto pra rua. Eu bem que queria, mas devia esperar mais um pouco, até o sol ir ficando mais vermelho e antes das cigarras começarem a cantar. Meu irmão brincava com um cachorro de plástico que tinha perdido o rabo. Dia desses eu achei um guarda-chuva velho e usando o cabo substituí a cauda perdida. Meu irmão achou engraçado. Realmente não ficou lá muito diferente. Ele levantou os olhos de novo. Não. Ainda não.&lt;br /&gt;Quando eu via minha mãe chegando eu corria pra buscar a chave que ficava num lugar secreto e tirava a tranca. Assim que ela pisava na soleira eu abria a porta. Ela entrava com um oi meus filhos e passava direto pra cozinha. Depois do jantar queria ver nossos cadernos e nos mandava pra cama. Meu irmão dizia que seu cachorro rabo de guarda-chuva estava chamando por ela, mas minha mãe respondia um agora não, meu filho entre os pratos e talheres e eu o pegava e levava pra escovar os dentes e mudar de roupa. Até hoje é assim! Teu almoço tá na mesa, tem toalha limpa em cima da tua cama, essas calças estão sujas? E quando eu fico olhando pra ela, apenas responde agora não, meu filho.&lt;br /&gt;Já de pijama tomávamos a benção e ela nos mandava dormir. Às vezes eu não ia e ficava olhando pra ela e quando perguntava que foi eu sentava no chão, colocava a cabeça no seu colo e ela fazia um cafunezinho que logo parava e quando eu olhava, ela estava dormindo. Eu levantava devagar e desligava o televisor, mas minha mãe resmungava deixa que eu tô vendo a novela. Vai dormir. Eu sempre ia.&lt;br /&gt;Um dia minha mãe chegou e antes de ir pra cozinha me entregou um pacote. Abre. Vê se gosta, ela disse. Esse é pro teu irmão, pra vocês não brigarem. Os pacotes eram idênticos. O conteúdo também: um caminhãozinho de plástico de um palmo mais, ou menos. Na carroceria, três boizinhos desses de plástico fino e oco. O presente em si não tinha a menor importância, mas quando ela o entregou disse lembrei de você. Virou de costas e foi providenciar o jantar. Aquele caminhãozinho e seus bois viraram o meu brinquedo favorito e eu o levava aonde fosse. Um dia ele se perdeu. Como quase tudo na vida. Isso também não tinha importância porque pra mim ficou muito mais forte aquele lembrei de você dito tão poucas vezes.&lt;br /&gt;Hoje em dia quando minha mãe vem em casa (e é bem pouco) e ela que desliga o televisor e me tocando o braço diz pra eu ir pra cama que eu tô cansado e amanhã tem trabalho e que ela fica mais um dia pra poder preparar aquela carne que eu gosto tanto e se está tudo trancado, se eu paguei o telefone e pra eu não acender a luz do quarto nem fazer barulho que os netinhos dela tão dormindo com o pai.&lt;br /&gt;Vai dormir. Eu sempre vou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;16 de outubro de 2010 AD&lt;br /&gt;10h22&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7732721843894320376?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7732721843894320376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7732721843894320376' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7732721843894320376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7732721843894320376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/10/eu-28.html' title='EU 28'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_s800P71onxE/SdD4l0sB1QI/AAAAAAAAAjE/RmlMjQoJVks/s72-c/jasmim.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-2777621407992462551</id><published>2010-09-13T15:40:00.001-03:00</published><updated>2010-09-13T15:44:58.992-03:00</updated><title type='text'>EU 27</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://flyingtime28.files.wordpress.com/2010/05/coracao_blog1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 585px;" src="http://flyingtime28.files.wordpress.com/2010/05/coracao_blog1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Oh, pedaço de mim&lt;br /&gt;Oh, metade adorada de mim”&lt;br /&gt;(Pedaço de mim. Chico Buarque)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu peito guarda um coração. Um só. Circulatório. Átrios, ventrículos, encharcados de sangue arterial que alimenta de oxigênio as células do meu corpo inteiro.&lt;br /&gt;Meu peito guarda um só coração, sede das minhas emoções, meio-guia das minhas decisões, sobretudo as mais difíceis; véu nos momentos em que eu devo ver mais claramente. Enorme pra tanta gente, mas ínfimo pra tanto amor.&lt;br /&gt;Dia desses perguntei a ele, meu coração: “Tu me amas?”, mas ele fez ouvidos de mercador. Por toda a semana insisti entre rogativas, exigências e questionamentos, alguns dissimulados. Nada. “Tu me amas?”. Latidos de cães e motores de carros.&lt;br /&gt;Noutra noite, ensurdecido daquele silêncio eu comprimi o indicador e o médio da mão esquerda contra o peito e fui devagarzinho abrindo caminho. Enfiei então o anelar, retirei tudo e juntando a ponta de todos os dedos fui buscar com a mão aquele rebelde. “Quando eras mais moço”, eu ia dizendo, “ias aonde desejavas, mas agora...”, falei, já sentindo sua musculatura rígida pulsando acelerada – teria medo? –, “...outro é o que te cinge e te leva aonde não queiras.”, e trazendo-o para fora, afastei retratos e coisinhas e o coloquei sobre o criado-mudo, ajoelhando-me em frente e, olhos fixos, tornei a perguntar: “Tu me amas?”&lt;br /&gt;Meu coração tremeu todo, tentando dizer algo. Um lado seu dizia “sim”. O outro lado também. Um era o lado do nascimento, da manutenção, da necessidade, do direito. Disciplina e autoridade. O outro era o lado do encontro, da companhia, da necessidade, do direito. Descoberta e respeito. Havia no meu coração um jogo intrincado de forças. Um lado não poderia ser maior que o outro. Um lado não poderia assumir mais espaço, anular, subtrair, desejar-me maios que o outro e mesmo sendo meu aquele coração eu não tinha mais direito sobre ele (?!). E por não se reconhecerem, cada lado respondia do lugar que lhe era próprio, com sinceridade, mas seu burburinho assim, misturado, confundia minha cabeça e eu nada ouvia onde, na verdade, havia acalanto, conforto e conselhos. E por mais que eu pedisse nenhum dos lados me escutava. Pela janela, latidos de cães e motores de carros.&lt;br /&gt;Corri pra noite e tão logo tinha posto os pés no batente da janela ouvi “Amo!”. Claro, claro. E numa inflexão que eu jamais ouvira antes: “Amamos!”&lt;br /&gt;A noite, lá fora, com seus cães e carros não me interessa mais. Dentro do meu peito meu coração dorme comigo a sono solto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;HUDSON ANDRADE&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;13 de setembro de 2010.&lt;br /&gt;10h30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(*) Referência ao Evangelho de João 21, 17 – 18.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crédito da imagem: http://flyingtime28.files.wordpress.com/2010/05/coracao_blog1.jpg&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-2777621407992462551?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/2777621407992462551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=2777621407992462551' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2777621407992462551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2777621407992462551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/09/eu-27.html' title='EU 27'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-838389778432809927</id><published>2010-08-23T11:53:00.002-03:00</published><updated>2010-09-13T15:31:40.685-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal.'/><title type='text'>ALMA FEITA DE ÁGUA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/TI5tiGnHwMI/AAAAAAAAAGA/Sc7T-VRDMVw/s1600/Eutan%C3%A1zio_foto.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 134px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/TI5tiGnHwMI/AAAAAAAAAGA/Sc7T-VRDMVw/s200/Eutan%C3%A1zio_foto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516467026233114818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Foi meu amor que me disse assim...”&lt;br /&gt;(Adaptado da canção Alecrim, de Rodolfo C. Ortiz)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui no norte do Brasil é comum nossa vida ser regida pela água. A água da chuva da tarde que agora só no imaginário determina nossos compromissos – particularmente eu acho lindo que tenha havido um tempo em que os horários dos nossos compromissos fossem pautados por outra coisa além das nossas “necessidades”! – e sobretudo as marés, as águas grandes, que mobilizam e imobilizam comunidades inteiras, ensimesmando gentes que só podem esperar, ganhando fama inglória e injusta de preguiçosos. Tem uma água dentro também, que inunda, mas disso eu falo depois.&lt;br /&gt;A água também governa Eutanázio e o Princípio do Mundo, espetáculo da Usina Contemporânea de Teatro em cartaz no Instituto de Artes do Pará. Inspirado no romance Chove nos campos de Cachoeira, do paraense Dalcídio Jurandir (http://www.dalcidiojurandir.com.br) (cuja escrita ainda me é desconhecida, mas do que eu já percebi, tem o jeito, o ritmo, os termos que eu gosto de usar e ler.), o espetáculo fala de Eutanázio que, doente, relembra a vida enquanto espera a morte. Sua história é contada por três mulheres: a desencantada Raquel (Valéria Andrade. Maravilhosa!), Irene (Vandiléia Foro), que na rudeza de modos esconde a menina que – como nós – só quer ser amada e ser feliz, e Felícia, empobrecida, abandonada, violentada e solitária como os campos do Marajó e o peito da gente. Paralelamente temos a vida de Alfredo, irmão mais novo de Eutanázio que deseja estudar em Belém. O ator Milton Aires mistura sua própria vida a de Alfredo criando um pequeno Hamlet vivendo num reino podre que afoga repetidamente seus sonhos. Com dramaturgia do paraense Paulo Faria, que atualmente vive e trabalha em São Paulo, Eutanázio e o Princípio do Mundo começou doze anos atrás, da vontade de encenar Jurandir, até a premiação pela FUNARTE através do Prêmio Myriam Muniz 2008, liberação de recursos e sua estréia nesse 21 de agosto de 2010.&lt;br /&gt;O maior desafio, segundo o diretor Alberto Silva Neto, foi extrair o que dizer e como dizer da riquíssima obra do Dalcídio e seu primeiro livro publicado originalmente m 1941 e que também rendeu Solo de Marajó (VER A Menina. O moço. Ritinha. A ama de leite. http://curiadarte.blogspot.com/2010/03/menina-o-moco-ritinha-ama-de-leite.html), o excelente solo de Cláudio Barros que teve uma infelizmente curta temporada em Belém. Depois foi deixar-se encher, encher como os campos marajoaras e quando a água baixou, por mãos à obra. Paciência e dedicação de quem vive nestas bandas e faz teatro num Estado e num país alheio a formação cultural do seu povo!&lt;br /&gt;A mais de hora de espetáculo vai exigir do público não acostumado a teatro alguma calma. Tudo é lento: movimentos, falas, olhares, respiração; então a vida daquelas quatro pessoas te joga um laço e se pegar – porque também pode não pegar! – é mergulhar junto e remexer naquelas águas de dentro que eu falei no começo e o coração se enche de saudades e quereres e solidão e lembranças boas e tudo isso é bom e também machuca e também comove e também faz crie uma casca onde a gente não mexe, mas se não mexer não vê o fundo.&lt;br /&gt;Eutanázio e o Princípio do Mundo exige atenção: o elemento cênico que destoa, o ângulo do qual se quer ver essa história, a voz afinada da Nani, os solos brechtianos de Milton Aires, o tempo para primeiro conhecer aquelas criaturas para só então se envolver com elas, tomar partido, quem sabe, e até mesmo assistir, aplaudir, retirar-se que se este não se pretende um espetáculo arrogante e intelectualizado – no sentido pávulo do termo – também não é folhetim gratuito e simplório.&lt;br /&gt;Eutanázio e o Princípio do Mundo é como os campos alagados desse norte do país onde o meu eu-búfalo pasta tranqüilo e pacífico inconsciente de sua força. Ou exatamente pelo saber dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;23 de agosto de 2010 AD&lt;br /&gt;9h34&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SERVIÇO&lt;br /&gt;Eutanázio e o Princípio do Mundo&lt;br /&gt;Inspirado no romance Chove nos Campos de Cachoeira de Dalcídio Jurandir, com dramaturgia de Paulo Faria.&lt;br /&gt;Direção: Alberto Silva Neto&lt;br /&gt;Elenco: Milton Aires, Nani Tavares, Valéria Andrade e Vandiléia Foro.&lt;br /&gt;Cenografia e figurinos: Nando Lima&lt;br /&gt;Iluminação: Sônia lopes&lt;br /&gt;Operação de luz: Frank Costa&lt;br /&gt;Desenho de som: Cláudio Melo (com registro de sons do Marajó de Léo Bitar)&lt;br /&gt;Operação de som: Lucas Cunha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De 21 de agosto a 26 de setembro&lt;br /&gt;IAP – Instituto de Artes do Pará (Nazaré, ao lado da Basílica)&lt;br /&gt;Sábados e domingo – 20 horas&lt;br /&gt;Entrada franca.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-838389778432809927?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/838389778432809927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=838389778432809927' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/838389778432809927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/838389778432809927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/08/alma-feita-de-agua.html' title='ALMA FEITA DE ÁGUA'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/TI5tiGnHwMI/AAAAAAAAAGA/Sc7T-VRDMVw/s72-c/Eutan%C3%A1zio_foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-3865656269196795423</id><published>2010-08-23T11:49:00.002-03:00</published><updated>2010-09-13T15:39:46.296-03:00</updated><title type='text'>EU 26</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/TI5vzDsrGxI/AAAAAAAAAGI/Jw9cXPmo3bc/s1600/Bossa+Nova_Eu.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/TI5vzDsrGxI/AAAAAAAAAGI/Jw9cXPmo3bc/s200/Bossa+Nova_Eu.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516469516532128530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou. Eu fui. Eu quero. Eu posso. Eu faço. Eu amo. Eu odeio. Eu luto. Eu pretendo. Eu.&lt;br /&gt;Eu que esperei por quase quarenta anos e por pouco mais de dois meses. Eu que faço planos e teço idéias. Eu que grito e silencio e me debato e choro e corro às gargalhadas cheias de abraços e beijos que muitas vezes morrem no meio do caminho.&lt;br /&gt;Eu que tenho o colo materno, o peito do namorado, a mão aberta dos amigos, os ouvidos complacentes.&lt;br /&gt;Eu que tenho o ódio dos infelizes, a rejeição dos mal-amados, o soco dos violentos, a intolerância.&lt;br /&gt;Eu que mal dou conta dos meus limites e luto pra manter minhas vitórias.&lt;br /&gt;Eu, de quem exigem que eu seja o que não sou.&lt;br /&gt;Eu que dei o que de mim eu posso e fiz bem a alguém e fiz e não me oponho a dizê-lo. E devo dizê-lo porque também é falsa modéstia não olhar aquilo que de nós já é fruto e multiplica.&lt;br /&gt;Eu, eu, eu, meu Deus. Eu que sou Tua cria e Teu sentido. Eu que estou no meio do Teu Santo Nome. Eu que de Ti tanto recebo. Eu que oro e tanto peço e agradeço e peço muito mais do que agradeço porque assim é que é o eu.&lt;br /&gt;Eu que fiquei sozinho tanto tempo e me acostumei a ser sozinho sem querer sê-lo e apavorado disso com um temor de morte e sendo injusto só em dizê-lo que em verdade nunca se está sozinho, mas tantas vezes parece que sim e não há tristeza maior no mundo!&lt;br /&gt;Eu que por ser eu por tanto tempo ainda erro ao tentar equilibrar o vós e o nós.&lt;br /&gt;Eu cujo eu só tem razão no tu.&lt;br /&gt;Eu que ao teu lado projeto e durmo à solta.&lt;br /&gt;Eu que de ti careço e a ti ofereço.&lt;br /&gt;Eu que te amo. Muito!!!&lt;br /&gt;Eu: pronome demonstrativo, segunda pessoa, infinito, aditivo. Teu objeto direto. Teu complemento nominal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;11 de agosto de 2010 AD&lt;br /&gt;9h07&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-3865656269196795423?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/3865656269196795423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=3865656269196795423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3865656269196795423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3865656269196795423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/08/eu-26.html' title='EU 26'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/TI5vzDsrGxI/AAAAAAAAAGI/Jw9cXPmo3bc/s72-c/Bossa+Nova_Eu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-2323687753952920102</id><published>2010-07-01T15:37:00.002-03:00</published><updated>2010-07-01T15:52:59.233-03:00</updated><title type='text'>EU 25</title><content type='html'>&lt;a href="http://padronagens.files.wordpress.com/2007/06/maracuja_estcor.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 390px; height: 522px;" src="http://padronagens.files.wordpress.com/2007/06/maracuja_estcor.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para Rodrigo. Um Eu com nome.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;“Me atirava do alto na certeza que alguém me segurava as mãos não me deixando cair. Era lindo, mas eu morria de medo. Tinha medo de tudo quase: cinema, parque de diversão, de circo, ciganos... aquela gente encantada que chegava e seguia. Era disso que eu tinha medo: do que não ficava pra sempre.”&lt;br /&gt;(Era uma vez. Antonio Bivar)&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre fui muito eu. Não desses eus absolutamente egocêntricos, mas o suficiente para garantir queixas e angariar desarmonias.&lt;br /&gt;Podia passar dias sem que ouvissem minha voz; entrava e saía de casa como uma sombra, comia quieto, desligava o celular, deletava e-mails e eu juro, sendo totalmente sincero que eu não me via assim. Achava tudo normal. Não via que me fechava, cobrava sumiços como se eu mesmo não guardasse a distância confortável do desapego que eu queria por medo de sofrer-perder-morrer (não é tudo a mesma coisa?!).&lt;br /&gt;Cultivei amizades sinceras, sim. Muitas, valiosas, que agora vejo não me deixaram afundar quando eu me tornei amargo de uma amargura vazia disfarçada em riso, gozo e festa.&lt;br /&gt;Mas nem sempre foi assim. Houve um alguém que me tocou a mão. Tocou, mas não entrelaçou. E quando a tempestade rugiu sobre nossas cabeças eu me vi sozinho, iluminado apenas pelos relâmpagos. Isso justifica? Desculpa? Talvez não, mas libera a cabeça do remorso.&lt;br /&gt;A cabeça. O coração, nunca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre fui muito eu. Não desses eus absolutamente egocêntricos, mas o suficiente...&lt;br /&gt;Mas então no meio do vendaval que anunciava uma nova tempestade tu me apareceste e perguntaste se eu seguraria a tua mão. “Posso segurar!”, respondi, e teus dedos cruzaram nos meus, hera, cipó, pé de maracujá. Delicadeza.&lt;br /&gt;E o vento como o sopro de um deus irado levantou a poeira da Terra e tudo o que era claro e justo encheu-se de ciscos; os relâmpagos caiam tão perto que sentíamos o seu calor, a chuva urrava em nossos ouvidos mentiras, dúvidas, desencontros.  E fez frio e ficou escuro e num último e desesperado gesto um trovão ensurdecedor pareceu gritar: “Larga!”&lt;br /&gt;Não larguei. Hera, cipó, pé de maracujá.&lt;br /&gt;O ar se encheu de um cheiro molhado, eletricidade, calor e luz. Um mundo lavado e novo se estendeu em todas as direções. Eu me sentia seguro e sem medo e feliz.&lt;br /&gt;Sorriste um riso de guizos e teus olhos castanhos piscaram: âmbar, canela, turmalina.&lt;br /&gt;“Vem!”, disseste.&lt;br /&gt;Fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;01.07.2010 AD&lt;br /&gt;10H22&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-2323687753952920102?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/2323687753952920102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=2323687753952920102' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2323687753952920102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2323687753952920102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/07/eu-25.html' title='EU 25'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-901561243881976976</id><published>2010-06-14T10:26:00.003-03:00</published><updated>2010-06-15T12:24:14.666-03:00</updated><title type='text'>EU 24</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_soZqdmUvIeI/SwmtPgPi90I/AAAAAAAAO7w/iXG44LAHi5g/s1600/juntos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 331px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_soZqdmUvIeI/SwmtPgPi90I/AAAAAAAAO7w/iXG44LAHi5g/s1600/juntos.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Então me abraça forte e diz mais uma vez que já estamos...”&lt;br /&gt;(Legião Urbana)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma solidão escura e pegajosa e cheirando a detergente.&lt;br /&gt;Eu caminhava entre as cadeiras ocupadas – não todas, algumas – por bonecos. Fantoches de pano recheados de palha seca. Nos rostos uma expressão construída de felicidade.&lt;br /&gt;Eu sentia que havia mais alguém ali. Alguns. Sabia pelos gemidos e por um movimento furtivo. E sempre que eu me virava na direção do movimento acordava sobressaltado.&lt;br /&gt;Dentro do peito uma sensação de vazio grande, feito buraco cavado sem cuidado. Doía o corpo todo, a respiração curta.&lt;br /&gt;“Deus!”, eu pensava. “O que isso quer dizer?”. Há quase dois meses eu tinha o mesmo sonho. Começava cedo, acordado. A sensação de buraco no peito dava uma pontada por qualquer coisa: um casal de amigos queridos convidava pra uma visita, um amigo chegava de viagem, a mocinha da novela finalmente era beijada, “não toque essa música que eu não posso ouvir...” cantava o Odair José. Odair José?! Mesmo?! Daí pra pior. O dia se arrastava, eu tinha muita sede, a boca amargava sem que eu comesse nada num fastio de dar pena. Irritado, distante, sonolento, vazio, vazio. E conforme a noite chegava ia me dando um medo, uma coisa ruim, e era dormir, sonhava.&lt;br /&gt;“Era uma solidão escura e pegajosa e cheirando a detergente...”&lt;br /&gt;Então um dia eu olhei na direção do que se mexia e não acordei. Eu tinha passado pelas cadeiras e visto os fantoches, mas voltara rápido a tempo de vê-lo, não um boneco, gente, homem como eu. Voltei e olhei pra ele e ele me olhou e eu, devagar, me aproximei e perguntei se podia sentar do seu lado. “Claro!”. Ninguém falava nada e eu só ouvia os gemidos. Eu e ele olhávamos para frente e não falávamos num receio de visagem em noite sem lua. Foi quando eu me virei e precisava ter certeza e levando a mão esquerda toquei seu peito. Era quente e batia acelerado e ele me olhava tão fundo nos olhos que parecia forçar uma porta trancada aqui dentro de ferrolhos tão antigos e tão enferrujados que o trinco abriu e as folhas se escancararam par em par num som apavorante que doeu a cabeça e minha mão aquecida espalhava aquele calor pelo braço e peito, cabeça, tronco, pernas e doía e a vista escurecia e o ar não passava na garganta e eu senti que ia desmaiar e lutava contra isso porque me parecia que eu passaria do sonho à morte e eu comecei a chorar alto e pedir socorro e fui desfalecendo e então ouvi: “Abra os olhos, respira, fica conosco!”.&lt;br /&gt;Abri os olhos e me vi num círculo onde todo mundo me olhava com carinho. “Ainda queres isso aí dentro?” um outro homem perguntava, a destra no meu peito. “Não!” eu respondi. “Então tira! Deixa sair!” ele me disse. Olhei o meu peito arfante que parecia avermelhado, toquei-o de leve e olhei o meu parceiro. Parceiro?! Sim, era isso o que ele parecia agora, que me disse “Vai!” com um leve acento de cabeça. Minha mão sobre o peito foi se abrindo e entre os dedos como que uma teia e eu fui puxando aquilo e com a outra mão e puxando, mais, metros, viscoso, frio e então parei. Se eu terminasse de puxar, não arrancaria também meu coração? “Não vais morrer!”, ele disse, o segundo homem. “Eu estou aqui!” me dizia o companheiro do fundo dos seus olhos castanhos.&lt;br /&gt;E foi só mais um puxão. Decidido, brusco, algo calculado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei devagar, vindo do sono pra luz do dia nascendo num suspiro de corpo largado. As costas dele contra o meu peito e um cheiro bom de vinho e pimenta.&lt;br /&gt;Sorri largo e quieto pra que ele não acordasse e me deixei ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;14 de junho de 2010&lt;br /&gt;9h31&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nota: A referência é da canção Não Toque essa Música, de Ray Douglas. Eu não tinha como saber!&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-901561243881976976?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/901561243881976976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=901561243881976976' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/901561243881976976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/901561243881976976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/06/eu-24.html' title='EU 24'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_soZqdmUvIeI/SwmtPgPi90I/AAAAAAAAO7w/iXG44LAHi5g/s72-c/juntos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-8568567942315654998</id><published>2010-06-02T17:28:00.003-03:00</published><updated>2010-06-02T17:42:47.102-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dramaturgia'/><title type='text'>COMO É QUE SE FAZ A HISTÓRIA DE UMA VONTADE*</title><content type='html'>&lt;em&gt;Texto escrito para o I SEMINÁRIO DE DRAMATURGIA AMAZÔNIDA, promovido pela Escola de Teatro e Dança da UFPA, de 24 a 26 de maio de 2010. Belém, Pará, que homenageou o dramaturgo paraense &lt;strong&gt;Nazareno Tourinho&lt;/strong&gt;, autor de obras como Nó de Quatro Pernas, Fogo Cruel em Lua de Mel e Severa Romana.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era aluno da Escola de Teatro em 98 escrevi uma peça. O tema: as drogas. Pedi que a Wlad (Lima) lesse e durante uns dias eu a rondava pelos corredores: “E aí, já leste?” até que um dia ela disse “Senta aí! Teu texto é uma merda!”. E pontuou: “Não tem conflito, tem respostas demais, ninguém gosta de levar tapa na cara.”. Daí pra concluir o curso de Teoria do Teatro, também com a Wlad, eu precisava escrever um artigo sobre a minha relação com o teatro. Na primeira revisão ela torceu a cara e fez suas observações. Então ela é que ficava pelos corredores: “Já mudaste aquele texto?”&lt;br /&gt;Pela primeira vez eu rasguei alguma coisa que eu tinha escrito. Recomecei do zero, por um caminho completamente diferente, e o resultado foi satisfatório. Pelo menos é o que mostra a nota!&lt;br /&gt;A grande lição que eu tirei daí é que a teoria é muito importante, as citações dos grandes pensadores, mas vale muito mais o que eu quero dizer, colocar-me na escrita.&lt;br /&gt;Essa passou a ser a premissa pra minha dramaturgia e escritos em geral: o que eu quero dizer, ou o que querem que eu diga. Até aí nenhum novidade!&lt;br /&gt;Pra começar a escrever eu leio muito: artigos de jornais, revistas, internet, livros, teses, quadrinhos, a Bíblia; converso com pessoas, ouço música, vejo filmes. Seleciono o que eu quero e pergunto: e eu com isso? Tem um trecho de O Glorioso Auto do Nascimento do Cristo-Rei que é uma citação de Ezequiel que eu vi no Pulp Fiction do Quentin Tarantino e que pareceu perfeita pra uma fala da Maria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O justo tem seu caminho&lt;br /&gt;De iniqüidades cercado,&lt;br /&gt;Mas o que ampara o fraco&lt;br /&gt;É por Deus abençoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proteger os oprimidos,&lt;br /&gt;E os perdidos resgatar&lt;br /&gt;Aos retos caminhos do Pai&lt;br /&gt;A todos encaminhar.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no mesmo texto o monólogo de Jesus é um resumo do Evangelho de Lucas e de Mateus; O Uirapuru) – premiado pela FUNARTE em 2003 – nasceu de um levantamento de trava-línguas, citações, provérbios e parlendas, que eu fiz pra um texto que o Adriano nem escreveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;TURISTA&lt;br /&gt;...eu vi!!! Eu vi!!!&lt;br /&gt;Um ninho de mafagafas com seis mafagafinhos!!!&lt;br /&gt;E tinha também magafaças, maçagafas, maçafinhos, mafafagos, magaçafas, maçafagos, magafinhos. Isso além dos magafafos e dos magafafinhos.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu próximo trabalho, Francisco, está começando de dois pontos de vista completamente diferentes: o livro de um espírita brasileiro e outro, de um grego ateu. Essa disparidade me parece bem interessante pra nortear a palavra-chave escolhida para o que eu quero dizer.&lt;br /&gt;Então eu estabeleço um título. Um professor da universidade me dizia que o título é o menor resumo de uma obra e que eu não poderia tê-lo se não tivesse o trabalho pronto. Só que eu penso diferente. O título é realmente o menor resumo da obra, mas determiná-lo estabelece o que eu quero dizer e não o que eu disse, ou diria.&lt;br /&gt;Sento e escrevo e de uns tempos pra cá primeiro à mão, riscando e rasgando, pra só depois digitar. Esse negócio de computador vicia e minha caligrafia estava ficando uma droga.&lt;br /&gt;Escrevo a primeira e a última cena. Sabendo como começa e como termina fica fácil escolher o recheio. Isso eu trouxe do palco. O personagem entra em cena vindo de algum lugar e indo pra algum lugar. Isso é determinante para a sua ação naquela cena: motivação. Todo o seu estado emocional, psicológico e mesmo físico depende disso. O mesmo eu aplico na minha dramaturgia.&lt;br /&gt;Reviso mil vezes e chega uma hora que eu tenho que parar de revisar, ou acabo escrevendo outra peça. Eu posso odiar um texto e engavetá-lo, ou queimá-lo pra que ele não fique me fazendo visagens; reescrevo cenas, corrijo coisas. O Glorioso Auto, premiado pela FUNARTE em 2004, foi relido várias vezes pra que todos os versos das suas trovas tivessem o mesmo tamanho. Eventualmente eu peço que algumas pessoas leiam meus textos e opinem e se for o caso, acato suas idéias e opiniões porque acredito que elas também queiram dizer algo.&lt;br /&gt;Pensando na palestra do Sérgio de Carvalho** admito que gosto do drama, da narrativa, do conflito interpessoal. Gosto de linearidade, alguma concisão, poesia e imagens. Escrevo criando imagens. Kojiki, uma peça ainda inédita começou por causa de uma frase de Relicário, do Nando Reis: “Milhões de vasos sem nenhuma flor.” Essa imagem disparou o texto. Divirto-me tentando imaginar como será que aquele vestido vermelho, aquela rua de asfalto esburacado, aquele porão escuro vai aparecer na cabeça de quem ler meu trabalho; e eventualmente de um diretor que queira montar aquele texto, mesmo que ele negue todas as minhas indicações visuais e rubricas. Muito tempo atrás um escultor perguntou se não podia transformar meus contos em pequenas estátuas. Claro que eu topei. Nunca deu certo! Tem outra proposta de quadrinizar O Uirapuru. Falta a grana. E um conto virou um curta da Abuso Produções – Um Dia Perfeito – que pode ser acessado pelo minha página no Orkut.&lt;br /&gt;Quando eu comecei o meu blog, o Cúria d´Arte (http://curiadarte.blogspot.com/) o objetivo primeiro era – e continua sendo – treinar a minha escrita. São os contos da série Eu, opiniões pessoais sobre todas as coisas em Brocardos e crítica. Assisto a um espetáculo, um filme, uma série e posto uma crítica. Quem me provocou nisso foi um amigo com quem eu ia ao cinema e quando saíamos da sessão, conversando sobre o filme, ele me achava um chato porque eu ficava falando que o filme era bom por isso, ruim por aquilo, que o roteiro tinha furo, que o figurino era bacanérrimo, que a atriz tinha inflexões de uma dobradiça enferrujada. Ele defendia ir ao cinema, desligar o cérebro e curtir a película. Eu dizia que isso era impossível e só o fato de ele dizer gostei-não gostei já era prova disso. Escrevo essas críticas sem pretensões. São críticas porque eu estabeleço um juízo de valores, opino pelo meu conhecimento e experiência (quaisquer que sejam eles!), dou sugestões. Faço isso porque não existe uma crítica em Belém e eu gostaria de saber o que se pensa sobre o que se faz aqui, sobretudo o meu próprio trabalho. Sem um retorno a nossa vaidade pode achar que está tudo bem e cristalizar num formato equivocado, ou muito bom, mas que sempre pode evoluir.&lt;br /&gt;Gostaria de destacar dois momentos muito importantes da minha dramaturgia, porque refletem a confiança que outras pessoas têm no meu trabalho: o texto de No Olho da Rua, dirigido pelo Miguel Santa Brígida para a Companhia Brasileira de Cortejos, e Deus Ex Machina, minha última peça. No Olho da Rua tem dois textos, um masculino e outro feminino e foram escritos de forma bem diversa. Para as atrizes eu pedi uma música que as tivesse marcado emocionalmente e delas pincei coisas e fiz uma colagem que se encaixasse na proposta de encenação – espetáculo para a rua, a prevalência do corpo nos trabalhos do Santa Brígida, etc:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;1.Jurei jamais prender-me por amor&lt;br /&gt;2.Quem acreditou no amor, no sorriso e na flor&lt;br /&gt;então sonhou, sonhou, e perdeu a paz, o amor, o sorriso e a flor&lt;br /&gt;quem chorou, chorou, e tanto que o seu pranto já secou&lt;br /&gt;pois a própria dor revelou o caminho do amor&lt;br /&gt;e a tristeza acabou.&lt;br /&gt;3. Como te contar que esse amor foi tanto&lt;br /&gt;e no entanto... eu só sei dizer&lt;br /&gt;vem, nem que seja só pra dizer adeus.&lt;br /&gt;4. De repente em minha vida&lt;br /&gt;estes festejos, essa emoção&lt;br /&gt;tanto azul, tanta luz&lt;br /&gt;é demais pro meu coração.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O masculino eu entrevistei homens os mais diversos e perguntava: O que um homem gosta? O que um homem quer? O que um homem é? Pá-pum. Sem pensar muito. Pergunta e resposta. Disso surgiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;1 – Todo homem é...&lt;br /&gt;2 – Seu!&lt;br /&gt;3 – A viga da casa...&lt;br /&gt;1 – Areia das dunas...&lt;br /&gt;2 – Seu!&lt;br /&gt;3 – A carta de despedida...&lt;br /&gt;1 – O começo, o meio...&lt;br /&gt;2 – e o termo...&lt;br /&gt;3 – de toda vida!&lt;br /&gt;2 – Meu!&lt;br /&gt;1 – As monções, as ressacas.&lt;br /&gt;3 – A doença, a injeção.&lt;br /&gt;1 – A secura do agreste.&lt;br /&gt;2 – Ipê, aroeira, jacarandá.&lt;br /&gt;3 – A fechadura das portas...&lt;br /&gt;1 – Os passos nas horas mortas...&lt;br /&gt;2 – O pai, o avô, o irmão...&lt;br /&gt;3 – Filho da puta!!!&lt;br /&gt;2 – Seu!&lt;br /&gt;1 – Pra toda hora.&lt;br /&gt;2 – Pau!&lt;br /&gt;3 – Pra toda obra.&lt;br /&gt;2 – Seu!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia para ambos os textos era: quem os escutar precisa se reconhecer, por isso o texto feminino é tão descaradamente copiado e colado. A criatura tinha que dizer: eu sei o que é isso (porque ela também já teve uma música preferida por causa de alguém. Quem não teve, ou tem?). Deus ex Machina é a segunda ação do projeto A Casa da Atriz, um monólogo para duas pessoas que surgiu de duas semanas de conversas com os atores Bill Aguiar e Aílson Braga, com o diretor Adriano Barroso e com a leitura de milhares de coisas tão disparatadas quanto Artaud e Cecília Meireles. A idéia é brincar com o ofício do ator e eu retomei a colagem, utilizando citações e conceitos cênicos pra criar um homem que mistura a sua vida em cena com a vida real. É importante citar o Millôr Fernandes e dizer que quando se faz uma colagem isso só pode dar certo se o autor tiver segurança do que ele quer. Não pode simplesmente ficar pegando frases e misturando. Tem que fazer sentido e tem que ter identidade própria. Sua obra O Homem do Princípio ao Fim, é, segundo ele, 80 por cento autoral. Deus ex Machina é, digamos. 60 por certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém me perguntar qual é minha profissão eu não titubeio: Ator. Sou apenas um homem de teatro. Sempre fui e sempre serei um homem de teatro. Flávio Rangel e Millôr Fernandes dizem isso em Liberdade, Liberdade, citando Louis Jouvet e eu os cito em Deus ex Machina. Esse é o meu ofício. Mas escrever tem uma magia toda especial, porque vai além do que eu posso fazer no palco. Uma mesma peça de teatro pode ser uma tragédia, um musical, kabuki; pode ser representada por atores, bailarinos, clowns. Essa imensidão de possibilidades é absolutamente fascinante e exige ao mesmo tempo um desprendimento humilde e respeitoso para ver uma cria sua tornada outra coisa e, quem sabe – por que não? – até melhor que o original. Não vou deixar de subir aos palcos, mas vou cada vez mais me enfiando por trás dele. Sempre vão precisar de um autor. Mesmo os que negam o texto formal jamais podem prescindir de um roteiro e a palavra vai estar ali, de algum jeito.&lt;br /&gt;Termino com as palavras da Lygia Bojunga em A Troca e a Tarefa. Escrever é como ressuscitar e eu vou continuar escrevendo, se essa é a minha paz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) Referência ao texto A Troca e a Tarefa, de Lygia Bojunga, sobre a vida de uma escritora.&lt;br /&gt;(**) Em 24 de maio de 2010, na abertura do seminário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;25.05.2010 AD&lt;br /&gt;16H17&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-8568567942315654998?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/8568567942315654998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=8568567942315654998' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/8568567942315654998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/8568567942315654998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/06/como-e-que-se-faz-historia-de-uma.html' title='COMO É QUE SE FAZ A HISTÓRIA DE UMA VONTADE*'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-2211517564742415814</id><published>2010-06-02T17:15:00.004-03:00</published><updated>2010-06-02T17:38:58.150-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homossexualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo'/><title type='text'>WE ARE FAMILY</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_6ioCyG6by8M/S5QBbu9IQPI/AAAAAAAAACg/h4os0B5mQSg/s400/homofobia+4.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 312px; height: 358px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_6ioCyG6by8M/S5QBbu9IQPI/AAAAAAAAACg/h4os0B5mQSg/s400/homofobia+4.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Alguns dias após alunos da faculdade de farmácia da USP trocarem ingressos de festa por agressões a homossexuais, de outros alunos da mesma instituição promoverem um beijaço de protesto, da revista Veja estampar na capa matéria sobre homossexualidade entre adolescentes (que eu não cheguei a ler, mas que um amigo militante gay disse ser pavorosa!), da lei que criminaliza a homofobia ser votada, dois programas da Rede Globo têm a homossexualidade como pauta: A Vida Alheia e Profissão Repórter. Claro que eu lamentei profundamente o ato dos alunos daquela academia; claro que o beijaço é daquele tipo de protesto que vem e passe sem conseqüências e uma parte dos que protestam o fazem por bandalha. Claro que não precisaríamos de leis contra homofobia, pedofilia, discriminação racial e violência contra a mulher se o Brasil e as famílias privilegiassem a educação e, moralmente, o respeito fosse presença nas relações humanas. Mas tudo bem. O que não se aprende pelo amor, se aprende pela dor.&lt;br /&gt;A Vida Alheia faz parte da nova programação da emissora. Simpático, assim como Separação e o ótimo Globo Mar – muito além de água e peixe! – e o esteriotipado, barulhento e irritante S. O. S. Emergência: humorístico típico. No programa encabeçado por Marília Pera e Cláudia Jimenez, claramente inspirado no caso Ronaldo Fenômeno, um jogador é flagrado com um travesti num motel e parece estar se divertindo muito. Matéria de capa, o feitiço vira contra o feiticeiro e o que deveria ser um escândalo avassalador se torna mote para protestos contra a imprensa ruim e a homofobia, obrigando a revista a uma reviravolta. Cara limpa, o jogador vai à público e argumentando maioridade, responsabilidade, a consciência e boa execução de seus deveres, afirma satisfazer seus desejos sem que isso prejudique ninguém. “Todos deveriam satisfazer seus desejos”, ele afirma. Na vida real, nesse Brasil preconceituoso e machista esse rapaz nunca, jamais, em tempo algum iria declarar tais termos em cadeia nacional, sem perder a vaga, contrato e carreira. Talvez ele posasse para uma revista gay, talvez ele fosse entrevistado numa tarde dessas, mas depois exílio social e ostracismo. Com o jargão “O que eu faço também é amor” A Vida Alheia abraçou a causa gay de forma algo romântica, asséptica e rasa, como convém à Globo.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://g1.globo.com/profissao-reporter/"&gt;Profissão Repórter&lt;/a&gt; estreou no ano passado e foi gratamente mantido na grade de programação, assim como as novas temporadas de A Grande Família e Força Tarefa, além do Casseta e Planeta Urgente, o que demonstra que não é qualidade e bom gosto que norteiam essas decisões.&lt;br /&gt;A proposta de Caco Barcelos é usar o dinamismo e o entusiasmo de repórteres em início de carreira para mostrar os bastidores da notícia, dividido-os em diferentes focos de um mesmo tema, entremeando com suas considerações experientes: aula de jornalismo desses programas muito bons que são muito curtos e exibidos muito tarde, muito cedo, ou todas essas coisas.&lt;br /&gt;Na edição de 10 de maio, a homossexualidade entre os jovens. Conflitos, medos, anseios, grandes vitórias e esparsas alegrias. Num programa emocionante destaco o jovem que, nas sombras, fala que se pudesse escolher, não seria gay. “É sofrimento demais!” e emendou que não tinha contado aos pais e pensava jamais contaria. “Pra onde eu iria?”, ele pergunta, temendo represálias. Em outra entrevista a mãe que participa de um grupo de apoio a pais com filhos homossexuais indica seu grande dilema: “Meu filho tem excelentes qualidade, &lt;strong&gt;mas é gay!&lt;/strong&gt;” (negrito nosso). É a mulher que se divide entre o amor de mãe que alguém disse precisar ser irrestrito e as expectativas que são dela e da sociedade, mas não do filho. “Amas oposto a mim. Por conseguinte chamas amor aquilo que eu não chamo”, diz o poeta Augusto dos Anjos. Se nós e os outros não nos exigíssemos tanto, esta mulher perceberia que a felicidade do filho (de todo mundo) atende protocolos íntimos, que ela ajudou a formar; que o amor entre pessoas do mesmo sexo – enquanto relacionamento afetivo – pode ser moralmente questionável, mas isso depende de com que valores tal fato é confrontado e que ele faz parte de um aprendizado mais amplo do que é amorosidade para comigo e para com o outro; e que ela pode amar o filho, sim, mas que também pode se decepcionar, entristecer, duvidar. O sofrimento vem do fato de que ela se vê preconceituosa, mas o alvo é o próprio sangue. Ok. Respire isso. Confronte seus preconceitos e lute contra eles por intoleráveis, mas um passo de cada vez e persistentemente. Sem culpa!&lt;br /&gt;Mas o que me emocionou mesmo foi o &lt;a href="http://g1.globo.com/videos/profissao-reporter/v/homossexualidade-parte-1/1261532/#/programas/20100511/page/1"&gt;jovem que aos 16 anos&lt;/a&gt; declara sua homossexualidade. “Não dava mais!”, ele afirmou. Criou-se entre ele e a família um abismo. O pai disse que seu comportamento era asqueroso. O irmão mais velho agrediu o namorado e a mãe, passivamente, não conseguia administrar a situação. Num desses dias de almoço de família o rapaz levou o parceiro até a porta de casa e pediu pra entrar. “Não quero ficar sem ele, mas também não posso ficar sem vocês!”. O pai, maior empecilho, permitiu que eles entrassem e desde então se iniciou uma convivência cheia de cuidados, difícil de conquistar – os pais do jovem também fazem parte daquele grupo de terapia –, mas que caminha a passos largos.&lt;br /&gt;“É meu filho!”, “É minha filha!”, “... e eu o amo...”. Essas a frases mais recorrentes.&lt;br /&gt;Necessário observar que devemos sim amar e amar incondicionalmente, mas é preciso estar bem consigo para estar bem com o outro. Esse processo começa conosco, por nos aceitarmos e para nos aceitarmos é preciso que nos conheçamos e para nos isso muitas vezes enfrentaremos nossos monstros internos. Identificando-os é preciso mudá-los. Para tanto é preciso arriscar, o que exige coragem de sairmos de nossas zonas de conforto e vontade de aprender. Isso pode ser muito duro, mas não é impossível e os resultados pagam juros pra vida toda, em todos os seus aspectos.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_rGqg1gQJ_Ts/SiPh9a0-lUI/AAAAAAAAG_A/632VCry2h2Y/s400/n%C3%A3o+%C3%A0+homofobia.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_rGqg1gQJ_Ts/SiPh9a0-lUI/AAAAAAAAG_A/632VCry2h2Y/s400/n%C3%A3o+%C3%A0+homofobia.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo militante disse que o programa esqueceu todos os que levaram pedrada pra que chegássemos a esse mínimo de consciência; que as duas mulheres da reportagem não podem registrar seus filhos gêmeos como filhos biológicos e etc. ponderamos – eu e outros amigos, inclusive héteros – da importância de também veicularmos o que é positivo num mundo viciado no personalismo e no negativismo; que os fatos devem ser encarados sem romantismos, mas coerentemente e de peito aberto pra que a sociedade sinta que tais fatos existem e que para elem de fatos há pessoas. Gado a gente marca, mas com gente é diferente, não é assim que canta o Zé Ramalho? Não cabemos num rótulo. Temos necessidade de acolhimento, afeto, compreensão. Devemos ser íntegros.&lt;br /&gt;Independente de ser homossexual defendo o programa do Barcelos não com um libelo à homossexualidade, mas por nos instigar sobre o assunto; não tomar partido, mas criar consciência; não se violentar e engolir o que parece insólito, mas desenvolver a tolerância e o respeito. Não amas porque se deve amar, mas amar porque amor é da vida e sem amor, nós, eles, todos, não temos sentido enquanto humanos, não temos paz e, simplesmente, desaparecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;14.05.2010&lt;br /&gt;12h00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-2211517564742415814?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/2211517564742415814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=2211517564742415814' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2211517564742415814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2211517564742415814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/06/we-are-family.html' title='WE ARE FAMILY'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_6ioCyG6by8M/S5QBbu9IQPI/AAAAAAAAACg/h4os0B5mQSg/s72-c/homofobia+4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-918789229558857954</id><published>2010-05-08T13:26:00.005-03:00</published><updated>2010-06-02T16:19:03.211-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='São Jorge'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Madalenas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ogun'/><title type='text'>PONTA DE LANÇA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Wgg-E2w7Hhc/S8hobyqEZHI/AAAAAAAAABQ/c-fpWlFh3ig/s320/BOB_5354.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Wgg-E2w7Hhc/S8hobyqEZHI/AAAAAAAAABQ/c-fpWlFh3ig/s320/BOB_5354.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma idéia ganha corpo. Corpo dilatado. Corpo santo. Rodrigo Braga pensou o novo espetáculo da Companhia de Teatro Madalenas em 2006 numa oficina de performance da Wlad Lima, no IAP. Então nem era espetáculo. Era algo pra si, pra estudar e construir.&lt;br /&gt;O indutor foi São Jorge, escolhido não por devoção, mas por simpatia com a vida, a peleja, a ideologia mesma do soldado romano que pondo sua fé acima das obrigações militares é morto e assim, martirizado, é abraçado pelo povo como santo. Jorge da Capadócia, São Jorge, Ogun nos terreiros da crença afro, o vencedor do dragão – um monstro sob medida que habita as sombras do nosso imaginário, a lua cheia, burocráticos copinhos de café. São Jorge, guerreiro cujas histórias e mitos foram decodificados e ressignificados na pessoa que responde a impulsos, nos ritos da umbanda, no ritmo dos atabaques, no azul das guias.&lt;br /&gt;Durante um ano Rodrigo e Leonel Ferreira, parceiro de grupo e diretor do espetáculo construíram Corpo Santo, parando apenas quando o ator foi para Campinas (SP) para a oficina do &lt;a href="http://www.lumeteatro.com.br/"&gt;LUME&lt;/a&gt;, de onde ele voltou cheio de novas idéias e um corpo completamente alterado. Meio que recomeçar, meio que reconstruir. Tantas informações acabam por se confundir em cena. O gestual de um estado vazando para outro. Matrizes não devidamente orgânicas. Esse é um processo que leva tempo e exige repetição. Apesar de não comprometer o resultado essa dança pessoal precisa ser aprimorada enquanto objetivo do próprio ator, para além desse trabalho.&lt;br /&gt;O texto – muito bom! –, segundo Leonel, foi um presente da Wlad Lima que a companhia usou como base da sua dramaturgia própria que não põe na palavra o centro da encenação. Texto, imagens corporais, música, formam o tripé sobre o qual se assenta Corpo Santo. As falas em falsete prejudicam algumas terminações de frases exigindo de Rodrigo que ele articule devidamente as palavras, projete a voz e garanta um,a boa respiração. Algumas cenas são feitas no que &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Viola_Spolin"&gt;Viola Spolin&lt;/a&gt; chama de blablação, uma linguagem estranha, desarticulada, que por si não significa nada, mas que somada ao corpo ganha largos horizontes de embates, oceanos e, claro, a luta contra o dragão. Incomoda particularmente a mim uma grande tatuagem que, de perto, revela o Santo Guerreiro e seu inimigo. Há uma proposta pensada pelo Aníbal Pacha, bonequeiro, de animação dessa imagem por movimentos específicos do tronco do ator. No entanto é impossível não ver o desenho que em muitos momentos rouba o olhar do espectador da/na cena que se desenrola. A tatuagem precisará ser administrada em outros momentos, outros espetáculos, o que poderia levantar a questão se um ator/atriz deve/pode ter o corpo assim, marcado.&lt;br /&gt;A trilha sonora de Kleber Benigno, o Paturi, utiliza percussão e canções de louvor a Ogun, executadas ao vivo e cantadas por Moahra Fagundes, Érika Nunes e Dina Mamede, trabalho que entrou efetivamente na encenação no último mês antes da estréia. Dina diz se sentir ainda insegura nessa nova proposta, cantar, mas acredita no resultado pela força do conjunto.&lt;br /&gt;Esse um ponto extremamente positivo, o da companhia dar espaço aos seus membros e encampar a idéia de um e fazê-la coletiva. Eu acredito nesse abraçar a idéia alheia e frutificá-la em conjunto como a essência do que chamamos teatro de grupo, amador. Se é a viagem de alguém, uma tragédia grega, um clássico shakesperiano, o que seja. O que importa é dividir funções e acatar tarefas, executando-as com disponibilidade e consciência. O resultado se vê no palco: uníssono, orgânico, para além de genialidade e talento – o que não se questiona aqui por Corpo Santo ser um ótimo espetáculo. Digo isso como quem já viu coisas das quais tirada a plástica, nada mais resta.&lt;br /&gt;E por falar em plástica, salve, Aníbal Pacha! Cenários, figurinos, adereços onde predominam o branco e o azul, impecáveis. Da arena de renda onde se entra com três palmas às lanças suspensas no ar; velas, alguidares, pedras que viram dragão! E mais uma vez a idéia de conjunto por saber-se que Pacha integra efetivamente o processo onde está inserido e se retroalimenta para conceber uma estética que é própria daquele espetáculo porque nasceu dele e para ele e onde tudo e cada coisa tem o seu porquê e a sua intrínseca beleza.&lt;br /&gt;É lamentável que Corpo Santo esteja em cartaz apenas duas semanas. Que retorne logo! E que se mantenham essas boas idéias que corporificam grandes performances. Sequer li o programa antes da apresentação. Não quis criar expectativas e confesso que não sabia o que esperar. Saí do teatro extremamente satisfeito e feliz que minha terra produza trabalhos de qualidade, de gente jovem, pés no chão, à despeito de tão desestimulante realidade cultural.&lt;br /&gt;Rodrigo iê.&lt;br /&gt;Salve, Jorge.&lt;br /&gt;Salve, Madalenas, salve!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FICHA TÉCNICA&lt;br /&gt;Ator: Rodrigo Braga&lt;br /&gt;Direção: Leonel Ferreira&lt;br /&gt;Dramaturgia: Companhia de Teatro Madalenas&lt;br /&gt;Direção musical: Kleber Benigno&lt;br /&gt;Músicos (Percussão e coro): Kleber Benigno (Paturi), Valdeci Justino Silva Jr., Wellerson Casablancas, Wellitton Barreto, Edson (Padre).&lt;br /&gt;Cantoras: Dina Mamede, Érika Nunes e Moahra Fagundes&lt;br /&gt;Concepção e operação de luz: Thiago Ferradaes&lt;br /&gt;Concepção de cenário e figurinos: Aníbal Pacha&lt;br /&gt;Confecção de figurinos: Mariléia Aguiar&lt;br /&gt;Assistência de produção e contra-regragem: Flávio Furtado&lt;br /&gt;Produção e contra-regragem: Tainah Fagundes&lt;br /&gt;Produção gráfica: João Paulo Guimarães&lt;br /&gt;Fotografia: Bob Menezes&lt;br /&gt;Assessoria de imprensa: Carolina Menezes&lt;br /&gt;Realização: Companhia de Teatro Madalenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este projeto foi contemplado com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;30.04.2010, modificado em 03.05.2010 AD&lt;br /&gt;12h37&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-918789229558857954?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/918789229558857954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=918789229558857954' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/918789229558857954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/918789229558857954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/05/ponta-de-lanca.html' title='PONTA DE LANÇA'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Wgg-E2w7Hhc/S8hobyqEZHI/AAAAAAAAABQ/c-fpWlFh3ig/s72-c/BOB_5354.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-6119643277415777359</id><published>2010-04-19T10:17:00.002-03:00</published><updated>2010-04-19T10:22:46.052-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Chico Xavier'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Espiritismo.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>NASCE UM CAPIM</title><content type='html'>&lt;a href="http://nequidnimis.files.wordpress.com/2009/07/iq9617.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 640px; height: 427px;" src="http://nequidnimis.files.wordpress.com/2009/07/iq9617.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico Xavier (Brasil, 2010), o filme dirigido por Daniel Filho a partir do roteiro de Marcel Souto Maior tornou-se um recordista de bilheteria do cinema nacional em sua primeira semana de exibição. Isso não é difícil de entender num país sem religião predominante, ou oficial, mas extremamente religioso e, portanto, espiritualizado; num país que adora reis, rainhas e mitos – e Chico Xavier é um mito desde antes de sua morte; para um povo que adora uma polêmica –  e o fenômeno mediúnico dá pano pra manga nesse quesito. Num Brasil que aprecia uma produção artística de qualidade e ela existe, apesar de tanta miséria.&lt;br /&gt;Chico Xavier, o médium, protagonizou situações dignas dos grandes romances: uma existência humilde e sacrificada dedicada aos outros; uma abnegação e paciência imensos diante dos ataques, bajulações, idolatrias e necessidades alheias, uma vida espartana, assexuada, rigidamente disciplinada por um tutor tão amoroso quanto inflexível, Emmanuel, seu guia espiritual. Uma missão que lhe custou a paz, a saúde e por fim, a própria vida.&lt;br /&gt;Chico Xavier, o romance. As Vidas de Chico Xavier* escrito pelo jornalista Marcel Souto Maior que apresentou (ou reapresentou) ao povo brasileiro um homem, um mito, numa linguagem clara e objetiva, levando o mineiro de Pedro Leopoldo, nascido Francisco Cândido Xavier para além dos círculos espíritas de forma algo massificada. Uma abrangência que eu não identifiquei quando da passagem de Souto Maior por Belém, em novembro de 2009, lançando seu trabalho na Feira do Livro Espírita e palestrando pra um reduzido número de pessoas nos salões da União Espírita Paraense. Agora, por conta do filme, uma enxurrada de publicações estampa novamente o nome do médium mais famoso do Brasil, exigindo cuidado e atenção para bem separar o joio do trigo. O Congresso Espírita Brasileiro, na capital federal, tem como tema Chico Xavier, que completaria 100 anos no último dia 02 de abril. O mineirim de fala mansa e espontânea volta à cena por mãos humanas e encarnadas, já que uma tão esperada mensagem do além ainda não veio. E por que viria?&lt;br /&gt;&lt;a href="http://i2.r7.com/data/files/2C92/94A3/27AD/2836/0127/B1CA/8AA0/35D4/chico-xavier-m-300-338.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 338px;" src="http://i2.r7.com/data/files/2C92/94A3/27AD/2836/0127/B1CA/8AA0/35D4/chico-xavier-m-300-338.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Chico Xavier, o filme, tem uma direção contida. Nada de ousadias. Mostra o médium da infância à fase adulta através de lembranças a partir da participação de Xavier no então polêmico e famoso programa Pinga-fogo. A edição é excelente ao colocar situações-chave na história desse homem, mas essa excessiva biografia acaba por arrastar-se em mais da metade do filme, me deixando com uma sensação de o que poderia ainda caber no pouco tempo que restava de exibição. O filme começa se justificando quanto aos recortes feitos e o que realmente importava saber. Talvez desnecessário. Vimos o que deveríamos ver, pontualmente, mas a falta de curvas dramáticas deixam aqueles familiarizados com os fatos com uma sensação de eu-já-sei-isso! e os outros com aquela vontade de algo mais. Não que Daniel Filho precisasse convencer alguém de qualquer coisa. Que bom que não foi esse o caminho. Apenas precisava ter se arriscado mais e havia espaço para isso antes de cair no piegas e no apelo emocional barata. Tanto verdade que a cena em que Chico narra sua aventura no vôo que o levou a São Paulo é muito mais divertida no original apresentado nos créditos que a sua própria dramatização. As soluções cênicas do filme para as questões espirituais são ótimas. Ninguém vê, ou ouve os espíritos e isso nos coloca em igualdade com os que duvidavam de Chico e quando eles, os espíritos, aparecem – a mão do médium, D. Maria João de Deus (Letícia Sabatella), não há transparências, fumacinhas, luzes. Natural como de fato é. Exceção apenas para a primeira aparição de Emmanuel. A câmera em movimento descendente e o som de asas foi um pouco demais! A trilha de Ediberto Gismonte acompanha o filme em sua velocidade de cruzeiro, sutil e um tanto melancólica.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.infonet.com.br/sysinfonet/images/secretarias/colunistas/grande-chico_xavier_o_filme_01022010_ator_arquivo_ybs_uso_restrito.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 700px; height: 467px;" src="http://www.infonet.com.br/sysinfonet/images/secretarias/colunistas/grande-chico_xavier_o_filme_01022010_ator_arquivo_ybs_uso_restrito.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A emoção e o grande mérito do filme está na constelação global que faz de Chico Xavier um filme de sorrisos, suspiros e lágrimas econômicas, mas sinceras. Dividem as vidas do médium Matheus Costa (infância), Ângelo Antonio (juventude) e Nelson Xavier (maturidade). Excelentes caracterizações, interpretações precisas. Segurança e tranqüilidade de quem sabe o tamanho da responsabilidade que tem nas mãos e a consciência do seu talento e capacidade. Paulo Goulart é Almir Guimarães, o apresentado do Pinga-fogo. Luís Melo, Giulia Gan, Giovanna Antonelli, Pedro Paulo Rangel (emocionante!), Ana Rosa, Cássio Gamos Mendes, Cássia Kiss e outros tantos, em maiores, ou menores apresentações, dão um brilho todo especial ao filme. Destaque ainda para Cristiane Torloni e Tony Ramos, que paralela a história de vida de Chico narram o incidente histórico em que a mediunidade foi aceita por um juiz para, oficialmente, inocentar um réu de um crime de homicídio. Novamente aqui não há resposta se o fenômeno é real, ou não. O que importa é a credibilidade de alguém que antes de ser médium é um ser humano de valores racionalmente inquestionáveis e o bom senso dos envolvidos no caso: jurista e, principalmente, os pais dos jovens protagonistas do drama.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.tvaqui.com.br/site/wp-content/uploads/2010/04/Nelson-Xavier-e-Cristiane-Torloni-em-Chico-Xavier-o-filme.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 333px;" src="http://www.tvaqui.com.br/site/wp-content/uploads/2010/04/Nelson-Xavier-e-Cristiane-Torloni-em-Chico-Xavier-o-filme.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para mim a seqüência mais emocionante de todo o filme é exatamente aquela em que o personagem de Tony Ramos, sem abandonar suas convicções, mas receptivo e consolado, divide com a esposa (Torloni) a leitura de uma carta psicografada por Chico. Nessa seqüência está o grande mérito do médium mineiro: o alívio às dores de quem quer que seja, o ofertar um novo horizonte, a doação sem retribuição. “Eu sou só um carteiro!”, diz o Chico. E também o grande mérito da doutrina defendida por Xavier com a bravura de um mártir: caridade, amor ao próximo, consolação.&lt;br /&gt;Talvez isso tenha feito de Chico Xavier – o filme, o homem –  um campeão de bilheteria: o desejo humano e justo de paz, justiça e felicidade para além de qualquer credo, qualquer classe, qualquer filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) As Vidas de Chico Xavier. Marcel Souto Maior, 2ª edição ver. e ampl. – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;08 de abril de 2010&lt;br /&gt;16h40&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-6119643277415777359?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/6119643277415777359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=6119643277415777359' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6119643277415777359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6119643277415777359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/04/nasce-um-capim.html' title='NASCE UM CAPIM'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-5839558645766539832</id><published>2010-04-17T13:49:00.001-03:00</published><updated>2010-04-17T13:55:14.496-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Casa da Atriz'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>VIDA, PAIXÃO, MORTE, RESSURREIÇÃO.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/S8nnwppR2dI/AAAAAAAAAFo/3ZVCMSz8Kms/s1600/A_Troca_e_a_Tarefa(Cartaz_Virtual).jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 141px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/S8nnwppR2dI/AAAAAAAAAFo/3ZVCMSz8Kms/s200/A_Troca_e_a_Tarefa(Cartaz_Virtual).jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461150846162164178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“O objetivo do ator é transmitir suas idéias e sentimentos usando suas próprias emoções (...), sua experiência pessoal de vida (...), sem ocultar nada.” (Antonio Januzelli - Janô)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida. 53 anos de idade. Tempo cronológico. Calendário. Um quarto de século de teatro, dentro e fora dos palcos.&lt;br /&gt;Paixão. Pelas filhas gêmeas, pelo marido e parceiro, por essa mesma arte que contaminou todos e fez da própria casa abrigo, ala de ensaios, auditório, teatro.&lt;br /&gt;Morte. Abarcar e ao mesmo tempo esquecer toda uma bagagem pra viver algo novo. Solo, intimidade, numa troca que exigiu confiança, respeito, transpiração e inspiração.&lt;br /&gt;Ressurgir sem ser cinza, mas ser novo, vendo dois meses de trabalho coroado de aplausos e a certeza expressa: Agora eu posso dizer que sou atriz!&lt;br /&gt;Yeyé Porto é dessa geração de atores e atrizes paraenses que tem como integrantes Geraldo Sales, Cacá Carvalho, Cláudio Barradas, Nilza Maria, Zélia Amador, Luis Otávio Barata, entre outros. Nomes que a gente fala com um acento grave na voz. Gente que eu com meus apenas 39 anos de idade e 09 de carreira tive a chance e a honra de conhecer (exceto o Barata). Fui chamado a integrar o projeto A Casa da Atriz pelo Adriano Barroso que dirige o espetáculo A Troca e a Tarefa, que inaugura oficialmente a residência dos Porto como espaço cênico. Integro-me como ferramenta, como elemento, somando o que eu sei – porque há o que eu saiba – e o que me falta – porque há muito disso – e acreditando em fazer teatro. &lt;br /&gt;Após a estréia do espetáculo a comoção da equipe era geral. “É isso!”, o Barroso dizia, olhos brilhando. “É isso!”, concordávamos.&lt;br /&gt;Fazer teatro é pra todo mundo, mas não é pra qualquer um. Toda pessoa pode subir ao palco, escrever peças, conceber figurinos, cenários, adereços; iluminar, compor trilhas e organizar as apresentações. Mas não é qualquer pessoa que se entrega, que se joga, que acredita; que sente uma cuíra entrando por trás, subindo pela espinha e desarrumando a cabeça. Talvez por isso Dionísio, o rubicundo deus da embriaguez e do delírio místico, seja o patrono do teatro. Teatro é uma experiência mística, não no contexto religioso, mas no mais pleno sentido transcendental.&lt;br /&gt;E Yeyé Porto e sua equipe – minha equipe! – transcende o texto de Lygia Bojunga; dá a ele que é um texto sobre escrever uma expressão cênica; dá a ele que fala em transformação um sentido todo pessoal do que seja ser outra coisa, pessoa, vivência.&lt;br /&gt;A encenação aposta na simplicidade e o público (18 pessoas por sessão) entra na sala da casa da atriz com a intimidade e a informalidade de quem visita para um café, efetivamente disponível se se queira!&lt;br /&gt;Aníbal Pacha questionou e instigou a equipe até chegar a um resultado onde cenário e figurino têm o seu porquê.&lt;br /&gt;Sônia Lopes produz um jogo de claro e escuro que é a alma mesma dessa mulher – e a nossa! – de certezas e dúvidas, de medo e tranqüilidade, da alegria de uma festa à sombra do medo e de morrer que é, antes de qualquer coisa, o medo da solidão e do esquecimento. É essa luz também que nos faz renascer em tons de azul, com num sonho bom recheado de lembranças.&lt;br /&gt;O entorno com suas buzinas e vendedores se integra à encenação, mas eu sinto falta de som, não necessariamente música, mas algo que preencha o silêncio constrangedor que precede as revelações. Por não ser um teatro, nosso hall é a calçada. Se chover (Belém, Belém...) existe abrigo e a espera pode ser feita degustando um maravilhoso tacacá, ou outras iguarias.&lt;br /&gt;A Casa da Atriz nasceu da vontade de fazer teatro.&lt;br /&gt;A Troca e a Tarefa nasceu da vontade de fazer teatro. Um teatro pobre defendido por Grotowski de ter, ser e mostrar aquilo que realmente importante à cena, ao público. Pobre de recursos sim, porque quem está ali faz o que faz porque ama o que faz e, sobretudo, sabe o que faz e consegue tirar “faíscas das britas e leite das pedras”. Pobre porque a pirotecnia não interessa e é mesmo desnecessária. Os valores que este projeto e este espetáculo oferecem em troca extrapolam qualquer sentido monetário que, claro, não são dispensados por necessário. É nosso trabalho, afinal. É o fazer teatral que conta aqui e todo aquele que abraçou este ofício deveria ter uma experiência assim. Disciplina, retidão, talento não se aprende em escolas e livros. A teoria todo mundo pode ter, mas teatro é Ser. Isso não é qualquer um que queira ou possa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SERVIÇO:&lt;br /&gt;A Troca e a Tarefa. Espetáculo inaugural do projeto A Casa da Atriz.&lt;br /&gt;Elenco: Yeyé Porto&lt;br /&gt;Direção: Adriano Barroso&lt;br /&gt;Assistente de direção: Aílson Braga&lt;br /&gt;Iluminação: Sônia Lopes&lt;br /&gt;Cenário e figurino: Aníbal Pacha&lt;br /&gt;Contra-regra: Leoci Medeiros&lt;br /&gt;Produção: Paulo Porto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De sexta à domingo, sempre às 20 horas, nos meses de abril a junho. &lt;br /&gt;Rua Oliveira Belo, nº 95, entre Generalíssimo e D. Romualdo de Seixas.&lt;br /&gt;Ingressos: R$ 20,00&lt;br /&gt;Informações e antecipações de ingressos: 8266 4397 e 8127 6366&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;16 de abril de 2010&lt;br /&gt;9h45&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-5839558645766539832?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/5839558645766539832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=5839558645766539832' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5839558645766539832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5839558645766539832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/04/vida-paixao-morte-ressurreicao.html' title='VIDA, PAIXÃO, MORTE, RESSURREIÇÃO.'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/S8nnwppR2dI/AAAAAAAAAFo/3ZVCMSz8Kms/s72-c/A_Troca_e_a_Tarefa(Cartaz_Virtual).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-946769959324930551</id><published>2010-04-17T13:41:00.003-03:00</published><updated>2010-04-17T13:49:35.987-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='animação.'/><title type='text'>QUALITAS SP</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.mostra.org/33/imagens/filmes/192/g/L129.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 329px;" src="http://www.mostra.org/33/imagens/filmes/192/g/L129.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sr. Raposo é um homem, perdão, uma raposa, persuasiva, inteligente, sagaz, persistente, renitente, vaidosa, de emoções contidas – mesmo as justas e verdadeiras. Por trás da fala mansa e da gravata (!) está um animal selvagem com a cabeça no topo das árvores e os pés no fundo de um buraco. O Sr. Raposo é o protagonista de O Fantástico Sr. Raposo (The Fantastic Mr. Fox, EUA, 2009), com roteiro de Noah Baumbach, Wes Anderson e Roald Dahl a partir do original do próprio Dahl, autor de A Fantástica Fábrica de Chocolate, e com direção de Wes Anderson. Feito em animação stop-motion, O Fantástico Sr. Raposo conta com as vozes de George Clooney (Sr. Raposo), Meryl Streep (Sra. Raposo), além de Wally Wolodarsky, Jason Schartzman (Ash), Michael Gambon, Owen Wilson, Bill Murray (Texugo) e Willem Dafoe (Rato)&lt;br /&gt;A trama mostra o Sr. Raposo abandonando a sua vida de raposa ao prometer à Felicity, esposa grávida que não roubaria novamente, assumindo uma vida aparentemente pacata. Sua insatisfação contida talvez seja a causa do relacionamento burocrático com a esposa que pinta em quadros as tempestades que vão dentro dela, e com Ash, o filho infantilizado e rebelde com quem não consegue se entender. Tudo começa a mudar quando o Sr. Raposo decide comprar uma casa-árvore na vizinhança com os humanos. Ao ver-se limite com três homens ricos e poderosos algo dentro dele desperta e com a ajuda do zelador Kylie, a Toupeira, arquiteta o Grande Plano, sua real despedida do seu lado raposa.&lt;br /&gt;Todos os animais do bosque são humanizados, vestem roupas humanas, exercem profissões humanas, mas ainda vivem em tocas e não freqüentam a cidade com seus cachorros ainda cachorros. Ao invadir as propriedades dos fazendeiros Boggins, Bunce e do terrível Sr. Bean, Raposo provoca uma confusão de proporções inimagináveis que o envolvem diretamente, sua família e o  delicado equilíbrio entre os homens e os animais, colocando-o em cheque com os seus valores – sobretudo sua vaidade e necessidade de atenção – e exigindo dele uma postura diante da sociedade, da família e de si mesmo.&lt;br /&gt;Bárbara Heliodora diz em seu livro O Teatro Explicado aos Meus Filhos* que a preocupação essencial do teatro são as questões humanas. Ao expandirmos esse conceito para outras formas de arte temos O Fantástico Sr. Raposo discutindo situações extremamente significativas na embalagem cuti-cuti dos bonequinhos que se movem na tela. Não é um filme infantil, mas é um filme para todas as idades. Como é isso?! Diria que é um filme para crianças inteligentes e que possam julgar valores. Quem é mais selvagem? O Sr. Raposo e seus amigos ao assumirem o seu DNA e os seus nomes científicos, ou o autoritário e irascível Sr. Bean? Quais as conseqüências para a Sra. Raposo ao perceber que a vida a qual se acomodou não é assim tão estável e que ela precisa se posicionar diante de um perigo eminente? Como o Sr. Raposo pode resolver os conflitos com o filho, piorado depois da chegada do primo Kristofferson? como acessá-lo? Como dizer que o ama e confia nele? E o Rato, vendendo seus préstimos aos humanos contra seus pares animais, como um autêntico capitão-do-mato? Este não é um filme infantil. Há cenas violentas, diálogos contundentes, debates filosóficos, tudo quebrado e equilibrado por Anderson que com os gracejos dos seus bichinhos fofinhos fala bem fundo em nós.&lt;br /&gt;O único prejuízo de O Fantástico Sr. Raposo não ter ido para o circuito comercial – O Maria Sylvia o exibiu em parceria com a Oi – é que isso reduz consideravelmente o público que pôde desfrutar dessa fabulo bonita por natureza e humana por excelência. Em seus quase uma semana e meia-raposa (mais ou menos 90 minutos humanos) O Fantástico Sr. Raposo é um exercício de lirismo numa animação cada vez mais rara e extremamente bela – ainda mais nesses tempos de filmagem digital, CGI, motion caption, etc. é a prova de que cinema, arte enfim, jamais prescindirá de uma boa história, de alguém que saiba contá-la e do jeito certo de fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;07 de abril de 2010&lt;br /&gt;15h29&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(*) Rio de Janeiro: Agir, 2008, p. 17&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-946769959324930551?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/946769959324930551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=946769959324930551' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/946769959324930551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/946769959324930551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/04/qualitas-sp.html' title='QUALITAS SP'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-2714266817940392307</id><published>2010-04-10T13:45:00.003-03:00</published><updated>2010-04-10T13:48:52.867-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='libaneses'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Karine Jansen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='árabes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>ÉGUA, PRIMO!</title><content type='html'>&lt;a href="http://brasileiramentearabe.files.wordpress.com/2009/07/cropped-dsc078001.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 760px; height: 151px;" src="http://brasileiramentearabe.files.wordpress.com/2009/07/cropped-dsc078001.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wlad Lima e Karine Jansen são dessas tias velhas que costuram enormes e aconchegantes colchas de retalhos e nos dão de presente. Essa cara fragmentada e colorida é a marca dos seus trabalhos, seja em Macunaíma – O fim do que não tem fim, no qual eu atuei em 2000, na Escola de Teatro, passando por Amortemor, Paixão Barata e Madalenas, Laquê, &lt;a href="http://curiadarte.blogspot.com/2008/10/s-sentir-o-vento-fluir.html"&gt;Quando a Sorte te Solta um Cisne na Noite&lt;/a&gt;, entre tantos, até Brasileiramente, Árabes! que estreou no último dia 31 de março.&lt;br /&gt;Vivi esse processo em que o texto do Mário de Andrade, nossas histórias, sensações físicas, jogos, um-bilhão-quinhentas-e-oitenta-e-quatro-milhões de referências de um-tudo alimentavam elenco e direção na construção do espetáculo. Cada ator/atriz tem sua chance, cada um oferece e recebe, cada um constrói, desconstrói, reconstrói. Às vezes eu ficava no escuro, querendo saber se tinha acertado, errado, qualquer coisa, e elas ali, sugando de mim até o bagaço pra depois devolver reidratado e fresco, com um tempero e um sabor peculiar a cada um: nós, atores, os retalhos. Elas, agulha e linha. E tesoura, se preciso.&lt;br /&gt;O trabalho começou em 2008 com Maridete Daibes, Larissa Latif, Wlad Lima e Karine Jansen a partir de narrativas familiares; um grupo de pesquisadores recolheu cartas de descendentes de libaneses e todo esse material foi decodificado em símbolos. Wlad e Karine são mestras em transformar letras e contos e falas e sentimentos e sensações em símbolos e estes na poesia que preenche o palco. Daí nasceu Brasileiramente, Árabes! a pesquisa e o espetáculo, trazendo a identidade dos descendentes libaneses no Pará, sobretudo em Belém, buscando revelar uma ascendência árabe oculta aos nossos olhos e que faz parte de nossa história individual e coletiva de forma insuspeitada.&lt;br /&gt;O espetáculo de 75 minutos avança em quadros com apresentações genealógicas, relatos pessoais, familiares, históricos, a imigração, os costumes, a culinária, os ditos, a fama de mercadores, a mitologia. Quatro atores descendentes de libaneses nos conduzem nessa viagem quase sinestésica, mas irregular, fruto de diferenças de maturidade cênica – todo ator/atriz tem seu espaço –, seguros pelo conjunto. Parece que aquelas histórias não são deles – de certa forma não! –, mas que precisavam de uma apropriação que tornaria tudo mais crível e emocional. A cenografia  e o figurino de Klau Menezes têm a beleza das coisas simples e significantes – ainda que nem tanto para quem assiste –, contida nas cores, étnica e onírica como os personagens de nossos livros infantis. A sonoplastia de Eddie Pereira calcada na tradição árabe dá na gente aquela vontade de sacudir as cadeiras e os ombros (dizque o ECAD apareceu por lá! Essa gente não se manca!) e só peca pela falta comum em nosso teatro que usando música mecânica estanca tudo com um clique seco do pause/stop.&lt;br /&gt;Todos rimos das contas de cabeça feitas para a construção de uma casa, calamos para ouvir as lendas de mercadores e califas, relembramos conflitos sangrentos, saudades. Atrás de mim uma senhora reconhecia sua própria história e comentava, antecipando-se a fala como se conhecesse o roteiro – de alguma forma sim! –; reconhecíamos as lojas e os nomes de família e no ponto de ônibus, muitos minutos depois (muitos mesmo, pois o ônibus demorou pacaraio!) três amigos comparavam os narizes e concluíam: a gente é tudo misturado mesmo!!!&lt;br /&gt;Se Brasileiramente, Árabes! se propõe a revelar (nos), bingo!!!&lt;br /&gt;Cá estamos. Eu desejando tanto ser novamente retalho. Caminhos diversos... Cá estamos, flutuando na fumaça luminosa dos narguilés.&lt;br /&gt;“ASSALAN ALEIKUM”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasileiramente, Árabes! é vinculado a pesquisa “Brasileiramente, Árabes! um estudo das práticas performáticas dos descendentes de libaneses na cidade de Belém”.&lt;br /&gt;Equipe de pesquisa: Carlos Vera Cruz, Cleice Maciel, Karla Pessoa, Ives Oliveira, Karine Jansen e Wlad Lima.&lt;br /&gt;As cartas que originaram a dramaturgia estão disponíveis em HTTP://brasileiramentearabe.wordpress.com&lt;br /&gt;SERVIÇO&lt;br /&gt;Brasileiramente, Árabes!&lt;br /&gt;Direção: Karine Jansen e Wlad Lima&lt;br /&gt;Com Natalia Abdul Khalek (Família Abdul Khalek), Dario Jaime (Família Abdon Khalarg), Maridete Daibes (Família Daibes) e Klau Menezes (Família Anaisse).&lt;br /&gt;Teatro Cláudio Barradas (Escola de Teatro e Dança da UFPA. Av. Jerônimo Pimentel, esquina com D. Romualdo de Seixas).&lt;br /&gt;De 31 de março a 11 de abril de 2010, de quarta a domingo, 21 horas.&lt;br /&gt;Ingressos: R$ 20,00 (vinte reais) com meia entrada para quem de direito, incluindo a categoria teatral e descendentes de libaneses, mediante comprovação.&lt;br /&gt;Este projeto tem o patrocínio da Petrobras através da Fundação Nacional de Artes – FUNARTE, Ministério da Cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;01 de abril de 2010.&lt;br /&gt;10h53&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-2714266817940392307?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/2714266817940392307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=2714266817940392307' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2714266817940392307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2714266817940392307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/04/egua-primo.html' title='ÉGUA, PRIMO!'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-64370402921814741</id><published>2010-04-10T13:39:00.002-03:00</published><updated>2010-04-10T13:44:35.109-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paixão de Cristo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cláudio Barradas'/><title type='text'>...E TAMBÉM COM O TEU ESPÍRITO...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_CT35z3kPtmM/SbqdDi0BpXI/AAAAAAAADhM/VN5kPVjdCbU/s400/Viena+KHM+Caravaggio+Coroa%C3%A7%C3%A3o+de+Cristo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 305px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_CT35z3kPtmM/SbqdDi0BpXI/AAAAAAAADhM/VN5kPVjdCbU/s400/Viena+KHM+Caravaggio+Coroa%C3%A7%C3%A3o+de+Cristo.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Que padeceu por nós, morreu por nosso amor.”&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo que trabalha com teatro já ouviu a expressão “teatro de igreja”. Normalmente isso é dito num contexto pejorativo, indicando algo extremamente amador, simplório e conteudista. Amador, sim, afinal quem o pratica não tem como foco salário, sistematização e/ou regulamentação da atividade, foco em artes cênicas. Simplório não significa necessariamente piegas, ou mal feito, ou de mau gosto. Conteudista, talvez. Esta é uma relação séria na relação arte e sociedade: a arte só ser arte se for pura, o que é impossível porque arte e artista estão enraizados num contexto histórico-cultural-social. Por outro lado a chamada “arte engajada” quer tornar o artista a consciência crítica do povo oprimido, sacrificando o trabalho artístico pela “mensagem”. Há que se encontrar um meio termo entre formalismo e conteudismo, de vez que toda arte comunica e toda mensagem precisa de uma embalagem adequada.&lt;br /&gt;Outro ponto são as relações entre religião e arte, aqui especificamente o teatro. Há quem veja esse relacionamento como promissor, outros com desconfiada tolerância, alguns com algum desgosto e mesmo total desprezo. Não dá pra desvincular o que tem origens tão íntimas – dos cultos tribais aos ritos religiosos, passando por Téspis na antiga Grécia, a proibição e a excomunhão pela igreja católica coibindo os despautérios do teatro romano até que essa mesma igreja o resgatasse dos mercados para seus átrios, catequizando através de Mistérios e Paixões.&lt;br /&gt;Vi uma dessas paixões, O Canto da Paixão, de autoria do padre Reginaldo Veloso, encenada na Igreja de Jesus Ressuscitado, com direção do seu pároco, ninguém menos que Cláudio Barradas. O texto extremamente bem escrito, em versos, cantado ao vivo pelo próprio Barradas, narra da entrada de Jesus na Cidade Santa até sua ressurreição. É dividido em quatro blocos que mostram o Jesus histórico, encerrando cada período com uma reflexão da paixão crística em nossa realidade atual. Não há falas para os atores, apenas algumas interferências. O elenco, notadamente jovem, interpreta coro e vários personagens, exceto aquele que faz o Cristo, único a permanecer apenas com um personagem. A encenação é simples, ilustrando os acontecimentos apresentados um a um. O figurino, básico – calças de tactel preto, camisetas brancas, pés descalços, sem maquiagem, faixas de tecido roxo que se alternam em mantos, cintas, chicotes, correntes, romanos, judeus. Exceção novamente ao Cristo, numa túnica branca e manto vermelho sobre um trançado de tecido branco que lhe cobre abaixo da cintura. Nenhum adereço, nem mesmo a própria cruz, representada também por um ator.&lt;br /&gt;Assisti tudo atento e realmente comovido. Ciente de uma cronologia e de seu elenco, Barradas interrompeu duas vezes a encenação, reiniciando e inserindo uma cena esquecida. O que no teatro, digamos, formal, não acontece, com o ator devendo resolver sua cena e dando prosseguimento a trama, aqui atende aos objetivos catequéticos da apresentação; observei que a dramaturgia, em tudo coerente com a doutrina que expressa, não é meramente jornalística e não descamba no pieguismo, sobretudo ao conectar o sofrimento de Jesus ao povo no cenário opressor, corrupto, preconceituoso e intolerante em que vivemos. O tom monocórdico de ladainha, quebrado ao final de cada bloco parecendo querer nos despertar para uma realidade esquecida, ou propositalmente relegada às periferias. O elenco, decididamente, precisa de um corpo de ator. Geralmente frouxo (ou tenso quando e onde não deveria) daria muito mais clareza e força às cenas se os gestos fossem mais limpos, decodificados e precisos, mas isso faz parte daquela sistematização supra-citada e que ainda não está na sua realidade.&lt;br /&gt;Pensei por um momento na Paixão de Cristo, lá em Nova Jerusalém. Ela teria trocado a mensagem, ou a idéia na sua concepção pelo show? Ou tudo sempre fora pensado assim e só aos poucos ganhou a estrutura atual, pirotécnica, com seus atores globais? E quem assiste quer ver seus ídolos, ou relembrar Jesus nessa passagem ímpar da história humana? Ou as duas coisas? De quantas trocas de roupa, cenários e efeitos de luz e som eu preciso para emocionar e comunicar? Uma faixa de malha roxa e um gesto no ar não chegam ao mesmo fim? Aquele é Teatro e esse “teatro de igreja”, no seu conceito pejorativo dito por alguém cheio de empáfia? Muitas outras perguntas poderiam surgir daqui, debates, que passariam mesmo ao largo da equipe da paróquia de Jesus Ressuscitado cujas mãos experientes de um dos maiores artistas desse estado, Cláudio Barradas, criou um espetáculo de uma beleza tão singela quanto marcante. Na sua paixão, tanto o ator era o foco – limpo, trocando personagens e agindo diante da platéia, ciente de suas próprias limitações –, quanto o Evangelho de Jesus, sua morte e ressurreição. É a arte – habilidade, instrumento, agilidade, ofício – ordenando a vida humana por regras e símbolos, contando e emocionando. Adaptando Djavan: arte é assim: invade. E fim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participam de O Canto da Paixão: Marcelo Rocha, Pedro, Kátia, Fabrício, Meire, Jhony, Isabel,  Cristiano, Radarani, Raimundo, Laiana, Alan, Iranildes, Adriano e Franklin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;29 de março de 2010.&lt;br /&gt;10h19&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-64370402921814741?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/64370402921814741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=64370402921814741' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/64370402921814741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/64370402921814741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/04/e-tambem-com-o-teu-espirito.html' title='...E TAMBÉM COM O TEU ESPÍRITO...'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_CT35z3kPtmM/SbqdDi0BpXI/AAAAAAAADhM/VN5kPVjdCbU/s72-c/Viena+KHM+Caravaggio+Coroa%C3%A7%C3%A3o+de+Cristo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-1534192121519834201</id><published>2010-04-10T13:34:00.002-03:00</published><updated>2010-04-10T13:39:13.985-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Um Sonho Possível'/><title type='text'>EU TENHO UM SONHO...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_W5jtq0y8vwA/S3n1ijgbsPI/AAAAAAAABlU/-I9tqQIXbqQ/s400/Um+sonho+poss%C3%ADvel+The+Blind+Side2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_W5jtq0y8vwA/S3n1ijgbsPI/AAAAAAAABlU/-I9tqQIXbqQ/s400/Um+sonho+poss%C3%ADvel+The+Blind+Side2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... de que haverá oportunidades para todos, brancos, negros, homens, mulheres, todas as idade e etnias, com respeito a sua cultura e costumes. De que haverá uma chance para alguém – que nem todas a buscam, ou se esforçam para garanti-la – e que esse alguém fará a diferença e a multiplicará. De que haverá sorrisos, inicialmente tímidos e então abertos, francos e haverá paz nos corações.&lt;br /&gt;É com um sorriso quase constante no rosto – alguma lágrima, alguma reflexão – que assisti (mos) Um Sonho Possível (Tha Blind Side, EUA, 2009), filme que deu a Sandra Bullock o Oscar de melhor atriz. O título para nós faz todo o sentido: Michael Oher (Quinto Aaron), negro, sob a tutela do estado depois que a mãe, viciada em crack, perde sua guarda, oriundo de um gueto desconhecido da própria cidade onde está encistado, é acolhido pela família Tuohy que com a paciência de quem “descasca uma cebola, camada por camada”, consegue que ele se torne um super astro do futebol americano, de onde o título original, posição ocupada por Big Mike no time. Nesse ponto eu me calo. Futebol americano é uma das coisas mais estúpidas do planeta (e eu posso falar de cátedra sobre estupidez vivendo num Brasil amoral ao som de tecnomelody) e demonstra bem a inclinação imperialista e belicosa daqueles que o praticam e prestigiam.&lt;br /&gt;Mas voltemos ao filme. É difícil crer que um roteiro tão simples e lacrimosos possa render um bom drama, em se sentido real. E rende! Sandra Bullock no papel de Leigh Anne Tuohy é a locomotiva que puxa toda a trama. Segura, suave, assertiva, com um charme meio cafona de quem veio de origem humilde, cresceu e não esqueceu que ainda há um outro lado na cidade, nas pessoas, na vida. A atriz interpreta o personagem com tranqüilidade e segurança, sem carregar nas tintas, nos maneirismos, contida e luminosa. Um bem merecido prêmio. A Sra. Tuohy, o marido Sean (Tim McGraw) e os filhos Collins (Lily Collins) e o fantástico SJ (Jae Head) acolhem o grandalhão calado e esquivo com uma camisa no corpo e outra num saco plástico sem maiores preocupações. Nesse ponto o filme é feito para agradar: não há um grande conflito até Michael ser confrontado com a possibilidade de que todo aquele investimento não seja desinteressado, o que desaparece depois de um choque com sua realidade original e algumas horas meditando diante da máquina de lavar. Daí voltamos a paz onde ninguém discute as opiniões da persuasiva Leigh Anne Tuohy, onde não se briga, questiona – sejam os filhos, os professores, o treinador – e mesmo a questão racial, apesar de estarmos no Mississipi, se resume a uma meia dúzia de seis xingamentos numa partida de futebol. Aliás, estarmos no Mississipi só aumenta a relevância do feito dos Tuohy que podendo degustar saladas de 18 dólares o prato, investem num desconhecido. E é tocante a cena em que Michael recebe seu quarto. A sinceridade ingênua de quem havia dormido de sofá em sofá toda uma vida comove a mãe adotiva e a platéia. O garoto tirou a sorte grande e soube aproveitá-la porque não tinha o mesmo ânimo dos seus parceiros da periferia, como o jovem Danny, que contaminado por sua des-vida acaba como, acredita-se, devem acabar todos aqueles. E essa diversidade de ânimo se deve a um (pasmem!) conselho materno (não, eu não vou contar qual é!) que se foi eficiente em proteger o menino, produziu um jovem inerme, quase um autista social, o que lhe garantiu sucesso num mundo onde ele tanto poderia encher-se de tola vaidade, ou fugir carregando a prataria.&lt;br /&gt;Apesar de seu caráter folhetinesco Um Sonho Possível é um ótimo filme para ver, rever com a família, discutir seus aspectos sociais; dar gargalhadas e fechar a janela do carro para enxugar, às escondidas, uma furtiva lágrima. E olha que quem diz isso desistiu de À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness, EUA, 2006) no seu primeiro terço!&lt;br /&gt;Eu tenho o sonho de um filme perfeito! Mas enquanto a perfeição – nosso maior sonho – não vem, que haja outros filmes possíveis de serem vistos com bons amigos, no escurinho do cinema, perto de um final feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;25 de março de 2010.&lt;br /&gt;9h58&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-1534192121519834201?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/1534192121519834201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=1534192121519834201' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1534192121519834201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1534192121519834201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/04/eu-tenho-um-sonho.html' title='EU TENHO UM SONHO...'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_W5jtq0y8vwA/S3n1ijgbsPI/AAAAAAAABlU/-I9tqQIXbqQ/s72-c/Um+sonho+poss%C3%ADvel+The+Blind+Side2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-1513332224817541805</id><published>2010-04-10T13:31:00.001-03:00</published><updated>2010-04-10T13:34:34.006-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Palhaços Trovadores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Moliere.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>O MÃO DE VACA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HYoYeRalBI8/S4nWHOnmoYI/AAAAAAAAC0E/miLtsKQwR8U/s400/DSC05792.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HYoYeRalBI8/S4nWHOnmoYI/AAAAAAAAC0E/miLtsKQwR8U/s400/DSC05792.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O clown é a exposição do ridículo e das fraquezas de cada um. Logo, ele é um tipo pessoal e único... O clown não representa, ele é – o que faz lembrar os bobos e bufões da Idade Média. Não se trata de um personagem, ou seja, uma entidade externa a nós, mas da ampliação e dilatação dos aspectos ingênuos, puros e humanos (como no clods), portanto ‘estúpidos’, do nosso próprio ser (Burnier, 2001, p. 209). &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Façam versos pr’um palhaço que na vida já foi tudo: foi soldado, carpinteiro, seresteiro e vagabundo...”* e nessa multiplicidade os Palhaços Trovadores fizeram nesses 11 anos de experiência um público cativo, fiel e entusiasmado, apresentando seus espetáculos nos teatros, ruas, escolas, praças e até bares; participaram ainda do Festival de Ópera nas apresentações de de Il Pagliacci e foram nesse 2010 homenageados pela Escola de Samba Bole-bole, do Guamá, cujo enredo foi o campeão do carnaval em Belém. E finalmente depois de 11 anos conseguiram uma sede onde trabalhar e agora pelejam para restaurar o prédio cedido pela Santa Casa de Misericórdia.&lt;br /&gt;Um grupo grande, de aparente pouca rotatividade, coeso, que introduziu na cidade a linguagem dos clowns enquanto teatro – entenda-se, fora do circo. Seus espetáculos costumam ter um tema central desenvolvido em pequenos quadros, exceto suas duas últimas produções, adaptações da obra de Molière (Jean-Baptiste Poquelin, Paris, 15 de janeiro de 1622 – 17 de fevereiro de 1673). de O Doente Imaginário nasceu O Hipocondríaco  e de O Avarento, o então em cartaz O Mão de Vaca. Esses dois trabalhos fogem a regra por terem um roteiro mais fixo e linear; os atores representam dois personagens: o seu próprio clown que por sua vez representa o personagem da peça. A estrutura cênica de ambos é igual: toda a trupe em cena, ao fundo, de onde se deslocam para suas ações e onde acontecem (pequenas) interferências. Marcelo Villela e seu clown, Bubutchelho, são os protagonistas desses trabalhos, o cenário é simples e pontual; há música ao vivo, os figurinos são de Aníbal Pacha. As semelhanças acabam aí. Apesar de parecidos em estrutura e encenação, O Mão de Vaca é muito mais ralentado, menos emocional e divertido que seu duplo. Há pequenas variações de elenco nos dois e eles têm, pelas suas próprias características, improvisos e cacos que tanto podem render ótimas sacadas, ou por a perder uma cena. Essa falta de ritmo faz com que os cerca de 90 minutos de encenação pareçam muito mais, causando mesmo um desconforto na platéia. Afirmo isso por ter assistido O Mão de Vaca duas vezes e constatado o que, à primeira vista, poderia ser só um dia ruim. Nesta segunda vez foi pior, mas sejamos francos que parte do problema está em que por ser um espetáculo “de palhaços” acredita-se que seja um espetáculo infantil. Não demorou para que a molecada dormisse, ou pior, ficasse indócil. Outra questão é que essa apresentação no Maria Sylvia Nunes, da Estação das Docas, criou um distancimento nada interessante. O espetáculo pede o público ali do ladinho, interagindo, cúmplice.&lt;br /&gt;É muito bom ver o crescimento de alguns atores – projeção de voz, articulação, jogo –, assim como a necessidade de amadurecimento de outros; a segurança dos mais antigos garantindo que o espetáculo siga seu curso (seja lá de que jeito for). Teatro de grupo, não vou citar nomes nem elogiar, ou admoestar individualmente. Parabenizo todos e peço cuidado a todos. não se sintam satisfeitos nem confortáveis com os resultados obtidos, ou o aplauso efusivo dos fãs de carteirinha. Pode ser mais. Sempre dá.&lt;br /&gt;(*) O Circo. Quarteto em Cy&lt;br /&gt;SERVIÇO: O Mão de Vaca. Adaptação de O Avarento, de Moliere.&lt;br /&gt;Direção: Marton Maués.&lt;br /&gt;Com: Os Palhaços Trovadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TÃO EM BREVE QUANTO POSSÍVEL, visite a CASA DO PALHAÇO, Tv. Piedade, esquina com Tv. Tiradentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VEJAM TAMBÉM: http://unha-de-fome.spaceblog.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;13 de março de 2010.&lt;br /&gt;9h23&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-1513332224817541805?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/1513332224817541805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=1513332224817541805' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1513332224817541805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1513332224817541805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/04/o-mao-de-vaca.html' title='O MÃO DE VACA'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HYoYeRalBI8/S4nWHOnmoYI/AAAAAAAAC0E/miLtsKQwR8U/s72-c/DSC05792.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-1537500141516153862</id><published>2010-03-22T19:16:00.002-03:00</published><updated>2010-03-22T19:20:11.474-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Scorcese.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ilha do Medo'/><title type='text'>A MALDIÇÃO DISSO E DAQUILO</title><content type='html'>&lt;a href="http://pipocamoderna.virgula.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/02/shutter_island01.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 584px; height: 259px;" src="http://pipocamoderna.virgula.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/02/shutter_island01.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas, pensem num sábado de madrugada, Sessão Coruja, em exibição Um Corpo que Cai, Psicose, Disque M para Matar, algo assim! Pensem naquelas letras de corte quadrado, sobre fundo branco, parecendo antiquadas já naquela época; pensem num longa comprido, cheio de personagens que gravitam em torno em um protagonista determinado, mas cheio de recalques, mais um anti-herói do que mocinho, que tem lá o seu charme, mas fuma feito um condenado; mulheres bonitas, cheias de classe e charme, movimentando-se languidamente pelas cenas, cheias de personalidade, criando a confusão e a cizânia na mente do dito personagem principal; homens sérios, calados, irônicos, pulando da sombra e voltando rapidamente pra ela, cheios de meias palavras e verdades completas disfarçadas de mentiras, ou meias verdades disfarçadas de dúvidas, ou mentiras absolutas que parecem reais de tão coerentes.&lt;br /&gt;Assim é Ilha do Medo (Shutter Island, EUA, 2009), a nova produção de Martins Scorcese, o diretor ítalo-americano que já nos deu filmes tão diferentes quanto Depois de Horas, Os Bons Companheiros, A Época da Inocência e Gangues de Nova Iorque. Esse cara meio franzino e grisalho, que parece calmo, de fala mansa e que sugere ter um furacão dentro de si, mostra seu lado hitchcoquiano no longa que trás Leonardo di Caprio, Mark Ruffalo, Ben Kinsley e Michelle Willians (a esposinha de Ennis Del Mar em Brockback Mountain – aqui bem mais bonita e igualmente antipática, o personagem, naquela voz de coitadinha e olhos baixos de cachorro que quebrou panela!)&lt;br /&gt;Na ilha Shutter, que abriga o Hospital Psiquiátrico Correcional de Ashecliffe, os ambientes internos são escuros e opressivos; os externos, íngremes e limitantes. Névoa, faróis sem luz, muros grossos, grades, florestas que despencam, cemitérios, tempestades, céus iluminados por relâmpagos, Gustav Mahler. Fechados nela (como o título sugere), o detetive federal Teddy Daniels (Di Caprio) e seu parceiro Chuck Aule (Ruffalo) devem investigar o desaparecimento de uma paciente e, ao mesmo tempo, empreender uma caçada redentorista a um tal Andrew Laedis, o assassino de Dolores (Willians), esposa de Daniels. Mas como diz um paciente ao detetive, ele não passa ali de um rato num labirinto e continuamente é incitado a partir, ou jamais deixará aquela ilha. Obstinado, Daniels insiste em sua cruzada mesmo percebendo que trilha um caminho sem volta.&lt;br /&gt;Os movimentos de câmera, a trilha sonora, a mistura de verdade, alucinação, sonho, desconfiança, tudo nos coloca junto ao atormentado detetive e se ele enlouquecer, enlouquecemos juntos, ou saímos dali e ficamos todos bem. Talvez por isso algumas pessoas tenham saído do cinema (que bom que saíram, porque se tem uma gentalha que eu não tolero em cinemas e teatros é esse pessoalzinho que fica conversando, comentando e tals!); talvez por isso outras tenham saído logo ao final da exibição, ou ao acenderem as luzes. Semblantes carregados, gargantas secas. Ilha do Medo é um ótimo filme, mas não é um filme pra todo mundo, sobretudo praqueles que cinema é a maior diversão. Tão logo eu me livrei do desgraçado que ficava acendendo o celular bem ao meu lado e ignorei a lesa que ficava dizendo pro namoradinho que tinha medinho de escuro e que não gostava de filme assim que ela ficava nervosa (pensa aonde esse truque vai dar!) ficou zuzubem e eu nem senti as duas horas e vinte minutos de projeção. Saí com vontade de voltar e fiquei pensando que se não fosse a falta de grana pro táxi teria sido legal assistir a última sessão e caminhar na penumbra dos corredores vazios do shopping, brincando que os manequins abriam uns olhos vítreos (como o anjo na sepultura da esposa de Louis em Entrevista com o Vampiro) e os seguranças não eram mesmo quem eles pareciam ser. Brincadeira que acabaria logo na calçada, que a realidade dos pontos de ônibus aqui pelos lados da Marambaia são muito mais assustadoras que qualquer filme gótico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;20 de março de 2010.&lt;br /&gt;11h20&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-1537500141516153862?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/1537500141516153862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=1537500141516153862' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1537500141516153862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1537500141516153862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/03/maldicao-disso-e-daquilo.html' title='A MALDIÇÃO DISSO E DAQUILO'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7697775266132512386</id><published>2010-03-22T19:13:00.002-03:00</published><updated>2010-03-22T19:16:08.745-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>OBSCURO REYNO ENCANTADO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RLFMxsZHJzs/SRi7D7jfycI/AAAAAAAAAGs/h86WnFBwHP0/S220/DSC05133.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 220px; height: 165px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_RLFMxsZHJzs/SRi7D7jfycI/AAAAAAAAAGs/h86WnFBwHP0/S220/DSC05133.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fundo Reyno é um espetáculo difícil!&lt;br /&gt;O trabalho escrito, musicado e dirigido por Walter Freitas estreou no dia 18 de março no Teatro Waldemar Henrique e segue duas semanas de temporada. E por que é difícil?&lt;br /&gt;É difícil porque o enredo da trama até que é simples, mas o desenvolvimento do roteiro é lento e complicado. Até que a gente entenda quem é quem e o que ele está fazendo ali, muito tempo já passou. E o programa – que eu optei por não ler antes – não dá qualquer indicação de pra onde a coisa vai. “Intriga, sexo, feitiço, traição e morte nos rios da Amazônia” é tanta coisa pra dizer e dito como foi pode resultar muito pouco.&lt;br /&gt;Os personagens vão se delineando devagar, confusos, e a proposta brechtiana de estar em cena e trocar de roupa e personagem por não ser mais precisa e assumida nem é só troca de roupa nem cena.&lt;br /&gt;O texto parece ser interessante, mas quer dizer tudo. Não nos sobra espaço pra pensar. Há longas explanações cheias de detalhes e referências parecendo querer evitar que alguém diga “faltou isso, faltou aquilo!”. Por ser em verso as falas precisam ser mais articuladas, projetadas e bem ditas, para que a métrica não caia no ba-ta-ti-nha-quan-do-nas-ce. Essa imprecisão ajudou a tornar ainda mais difícil o entendimento do espetáculo. Um bom trabalho de mesa é imprescindível.&lt;br /&gt;Fundo Reyno tem uma corporeidade frouxa. Trabalhar com objetos invisíveis é criar armadilhas para si – perigosas e risíveis. Os atores não são mímicos e mímica é algo mito mais elaborado e simbólico. Melhor seria codificar os gestos e tornar a encenação corporalmente limpa.&lt;br /&gt;Nos números musicais, o dilema: amplificar os instrumentos de corda e cobrir a voz dos atores, já que nem todos cantavam, ou o faziam bem fraco; não amplificar os instrumentos e fazer seus sons se perderem nas vozes de Mônica Lima e Walter Freitas. Um ponto absolutamente positivo é ter a música ao vivo e executada também pelos atores que, não sendo músicos – a exceção, parece, só o próprio Freitas – carecem de grandes valores musicais. Não estou  pedindo virtuosismo. Na minha companhia temos o mesmo problema e basta colocar um caxixi na mão de um ator, ou atriz pra cena virar um caos. Digo que se assuma isso, ou deixe na mão de quem sabe, como temos feito em nossos últimos trabalhos.&lt;br /&gt;A mistura de catolicismo, encantaria, religião afro; a cenografia na entrada que tanto pode ser a sujeira dos personagens quanto um apelo ecológico pelos nossos rios; as ações paralelas, demais, as quase duas horas de ladainha que, ralentadas, parecem muito mais; o calor insuportável e o desconforto do Waldemar Henrique (isso são outros 500!), tudo colabora para tornar Fundo Reyno ainda mais difícil de ser aprecisado. Frente a isso tudo há que se valer da máxima de que, em muitos casos, menos é mais. E isso é pra hodie.&lt;br /&gt;Santo Expedito, ora pro nobis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SERVIÇO: FUNDO REYNO. Teatro Waldemar Henrique, dias 18 a 21 e 25 a 28 de março de 2010, sempre à 20 horas. Ingressos na bilheteria a R$ 10,00 (com meia).&lt;br /&gt;Música, direção musical, dramaturgia e direção: Walter Freitas.&lt;br /&gt;Cenografia e figurino: Maurício Franco.&lt;br /&gt;Designer de luz: Thiago Ferradaes.&lt;br /&gt;Produção: Cristina Costa.&lt;br /&gt;Elenco: Juliana Medeiros (Pajé Sacaca), Pauli Banhos (viúva Zulmira), Wellingta Macêdo (Nhá Luca / o Bicho), Andréa Rocha (Antero Denizar), Mônica Lima (Bandeireiro), Akel Fares (Rabequeiro) e Walter Freitas (Violeiro).&lt;br /&gt;Projeto agraciado com o Prêmio Miriam Muniz da Fundação Nacional de Artes – FUNARTE, Ministério da Cultura e Governo Federal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hudson Andrade&lt;br /&gt;19 de março de 2010&lt;br /&gt;9h28&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7697775266132512386?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7697775266132512386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7697775266132512386' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7697775266132512386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7697775266132512386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/03/obscuro-reyno-encantado.html' title='OBSCURO REYNO ENCANTADO'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RLFMxsZHJzs/SRi7D7jfycI/AAAAAAAAAGs/h86WnFBwHP0/s72-c/DSC05133.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7961937879187922111</id><published>2010-03-22T19:10:00.003-03:00</published><updated>2010-03-22T19:13:01.412-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra ao Terror.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Avatar'/><title type='text'>FACE-OFF</title><content type='html'>&lt;a href="http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/foto/0,,33421109-EX,00.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 535px; height: 335px;" src="http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/foto/0,,33421109-EX,00.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho por princípio para meus comentários no blog não escrever sobre algo que eu não tenha irremediavelmente gostado. Que é que eu diria? “Não gostei. Ponto!” Não sou um crítico de profissão e portanto não me ateria a detalhes técnicos e tal só pra falar de algo. Também não sou um blogueiro por excelência. Até gostaria de ser, mas não tenho tempo, ou desejo de postagens diárias, ainda que elas pudessem ocorrer mais amiúde, diria um desaparecido amigo.&lt;br /&gt;Decidira não escrever sobre Avatar (EUA, 2009), que eu irremediavelmente odiei, mas ao finalmente assistir Guerra ao Terror (The Hunt Locker, EUA, 2009), ponderei que a melhor maneira de falar sobre o filme de Kathryn Bigelow seria comparando-o com o de James Cameron, seu principal concorrente ao Oscar 2010. Faço isso usando os princípios do Big Five: filme, diretor, roteiro, ator e atriz principais.&lt;br /&gt;Um filme precisa ter um roteiro, original, ou adaptado. O resultado vem em grande parte desse roteiro, daí tantos embates, mudanças, exigências da Indústria nesse quesito. Claro que ele deve ser excelente, mas se não for, que seja conciso, coerente, limpo e tenha a propriedade de encantar o público a ponto mesmo de virar um sub-produto do filme, ou levar milhares de pessoas a querer ler o que lhe deu origem. Avatar e Guerra ao Terror têm roteiros simples, sem grandes curvas dramáticas, ou reviravoltas. O segundo, aliás, nem tem reviravoltas. O roteiro de Mark Boal é documental, franco, reflexivo. O roteiro de Cameron  é apelativo, maniqueísta e repetitivo.&lt;br /&gt;Cameron deu a cara de Hollywood aos seus personagens: Sam Worthington, um dos atuais queridinhos da Indústria (e que a meu ver ainda não acertou a mão e as escolhas!) e Sigourney Weaver, que tanto já fez Alien, o Oitavo Passageiro, quanto fez Alien, a Ressurreição (!!!); os demais são fantoches unidimensionais, ou personagens virtuais – o povo Na’vi. Interpretações toscas. Guerra aponta em caras novas, exceto as participações especiais e luxuosas de Guy Pierce e Ralph Fiennes (limpando a alma de Lorde Valdemort!). O filme está mesmo nas mãos de Jeremy Renner (Sargento James, concorrente ao Oscar de melhor ator), Anthony Mackie e Brian Geraghty. Seus pequenos e grandes medos, anseios, alegrias, tristezas, uma vida engarrafada nos dias que se escoam perigosos entre o fim de um rodízio e o início de outro. Guerra me ganha porque eu gosto de filmes de gente, suas incoerências, lutas, idiossincrasias (VER ISSO). Aqui os personagens têm uma falha trágica que os humaniza e engrandece. Em Avatar os torna patéticos.&lt;br /&gt;Cameron e Bigelow são excelentes diretores. Rolava nos anos 80 um papo de umas camisetas de equipe onde se lia “Não mexa comigo. Trabalho para Jim Cameron.”. Preciso, inteligente, exigente, detalhista, obstinado. Tudo isso se pode dizer de Cameron e não é a toa que seus filmes são longos (3 horas e meia é demais para os atuais padrões comerciais), caros e levam anos da concepção ao produto. Infelizmente, isso não significa qualidade. O oscarizado e lacrimejante Titanic (sim, eu chorei nele!) e o testoterônico e ecologicamente correto Avatar são duas babas. Dois bolos de noiva com muito glacê e pouca manteiga. Em sua estréia, a primeira mulher a levar um Oscar de melhor direção optou por uma refeição mais simples, balanceada, bem temperada e palatável, não entrando para os clichês sanguinolentos comuns em filmes de guerra; uma violência mais fruto da tensão da cidade (Bagdá), dos seus habitantes (amigos jamais, espiões, submissos?), da vida por um fio de detonador. Seqüências longas e silenciosas que causam uma angústia em quem assiste e dão noção de quanto o tempo – esse inimigo – pode ser ingrato e sufocante.&lt;br /&gt;Filmes pedem uma mão firme. Ambos têm, mas seus objetivos são diametralmente opostos. E não, Kathryn Bigelow não é a ex-senhora James Cameron.&lt;br /&gt;Enquanto filme Avatar é uma embalagem, a forma escolhida por Cameron para vender seu produto. Leia-se a tecnologia para todo o processo de criação da película. E por privilegiar a forma, menosprezou o conteúdo.&lt;br /&gt;Enquanto filme Guerra ao Terror é um veículo, a forma escolhida por Bigelow para questionar a guerra, sobretudo a do Iraque, atravessada na garganta dos americanos, e seus agentes, seja por convicção, vazio, ou obrigação; mas enquanto conteúdo não abriu mão da forma. A seqüência do homem-bomba é fantástica, emocionante e apavorante. Aqui destaco ainda um ponto-chave. Em Guerra os efeitos especiais estão a serviço do roteiro, do filme em si, uma parte importante que soma e dá destaque aquilo que realmente importa, camuflado que está de ocasional. Em Avatar os efeitos especiais premiados com o são o filme. Nesse aspecto Cameron alcançou seus objetivos, mesmo perdendo o Reino dos Céus.&lt;br /&gt;Assistir Guerra ao Terror (esse título é pra induzir alguma coisa na gente?! Afinal, o original faz referência ao trabalho do sargento James e quem sabe sua mania de souvenires de guerra) é uma experiência para ser repetida, multiplicada (não falo em continuações, claro!), discutida. Avatar é acompanhamento de pipoca. Avatar é um filme. Guerra é prosa, poesia, amor e sexo. Fazia tempo que eu precisava ver um filme assim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hudson Andrade&lt;br /&gt;18 de março de 2010&lt;br /&gt;10h27&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7961937879187922111?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7961937879187922111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7961937879187922111' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7961937879187922111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7961937879187922111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/03/face-off.html' title='FACE-OFF'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-5332585685431329965</id><published>2010-03-22T19:05:00.003-03:00</published><updated>2010-03-22T19:09:33.454-03:00</updated><title type='text'>EU 23</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_v6BJt4V_8us/SH5o5i-5n6I/AAAAAAAAAqg/MlgPFjqO94w/s320/vazio.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_v6BJt4V_8us/SH5o5i-5n6I/AAAAAAAAAqg/MlgPFjqO94w/s320/vazio.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acordei porque tinha que acordar. O despertador não tocou. Jogado na cama estranhei o silêncio da casa. Desci as escadas e percebi que apesar de ainda cedo, todos os cômodos estavam impecavelmente arrumados e limpos. Não havia café no bule nem leite na geladeira e ninguém também comprara o pão.&lt;br /&gt;Aliás, não havia ninguém em casa. Onde estariam todos? peguei o telefone para ligar para minha mãe mas a linha fazia seu som ininterrupto e monocórdico sem que eu conseguisse acessar qualquer número que fosse. E ao ligar o celular percebi que toda a minha agenda estava vazia, assim como no bloco telefônico todos os números tinham simplesmente apagado.&lt;br /&gt;Me deu um medo de sei-lá-o-quê e eu sentei na poltrona em frente a TV que não passava programa algum e fiquei lá sabe Deus quanto tempo sem fome, ou sede, só uma sensação de vazio na boca do estômago e que foi ocupando minha cabeça com um zumbido.&lt;br /&gt;Decidi descobrir o que havia acontecido, mas ninguém ocupava as casas da vizinhança. Os portões estavam sem cadeados, os carros frios, os brinquedos das crianças no quarto das crianças. Não havia cachorros nos quintais, gatos nos telhados, peixes nos aquários e as gaiolas estavam vazias com seus jornais no fundo, intactos e sem data.&lt;br /&gt;Depois de passar por escolas sem alunos, academias sem atletas, nenhum fiel, beata, ou vela acesa nas igrejas, semáforos desligados e vitrines vazias, considerei a total insanidade daquela situação e cogitei que se o fim do mundo acontecera eu não era joio nem trigo.&lt;br /&gt;Se eu não podia telefonar também não poderia enviar e-mails, então decidi escrever cartas, ou bilhetes, mas percebi, horrorizado, que se houvesse um endereço para onde enviá-las – e não havia! – eu não lembrava o nome de qualquer destinatário. Além do mais, que carteiro as entregaria se nem a bandeira do quartel havia sido hasteada?&lt;br /&gt;Foi em frente à baia sem marolas ou urubus que eu ao não sentir o vento desisti de ir embora. Pra onde?! E foi quando constatei que tinha atravessado a cidade inteira sem cansaço, sem que o sol me incomodasse, sem chuva. Devo ter morrido, pensei, mas onde estão Deus, as outras almas, os vales de enxofre, o Nirvana, os Campos Elíseos?&lt;br /&gt;Aquele vazio que subira do estômago para a cabeça com um zumbido agora rodopiava na minha pele arrepiada e eu teria de bom grado elaborado alguma teoria se uma inconsciência não bloqueasse meus pensares.&lt;br /&gt;E então meu corpo leve começou a subir do chão e num alto, cercado de cadeiras, mesas, ursos de pelúcia, canetas, tesouras, camisas, vasos, muletas, garrafas, sapatos, fraldas, livros, pneus, esponjas, martelos, retratos de ninguém, talheres, vassouras, gerânios, enfim, de um tudo leve e furta-cor como bolhas de sabão, fui subindo contra um fundo preto e silencioso e naquele vazio não ouvi nada, não disse nada e sem cheiro, frio ou calor, fechando os olhos, não vi mais nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hudson Andrade&lt;br /&gt;15 de março de 2010. &lt;br /&gt;16h49&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-5332585685431329965?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/5332585685431329965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=5332585685431329965' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5332585685431329965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5332585685431329965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/03/eu-23.html' title='EU 23'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_v6BJt4V_8us/SH5o5i-5n6I/AAAAAAAAAqg/MlgPFjqO94w/s72-c/vazio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7542804525718705975</id><published>2010-03-22T19:01:00.003-03:00</published><updated>2010-03-22T19:05:05.956-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte.'/><title type='text'>ACEITA ESSA CONTRADANÇA?</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.cbc.ca/arts/images/dirtydancing5.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 392px; height: 264px;" src="http://www.cbc.ca/arts/images/dirtydancing5.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 anos e dezenas de Sessões da Tarde depois eu assisti pela primeira vez Dirty Dancing. Lembro que (I’ve had) The Time of my Life concorreu ao Oscar de melhor canção (levou?) e de eu ter adorado a apresentação: um teatro de sombras em que um cavaleiro lutava por sua amada princesa. Depois nada. Afinal não é o tipo de filme que me encha os olhos. De fato a história é tosca, cafona, datada; os personagens não têm nuances, as interpretações têm a profundidade de um pires, o figurino demonstra todo o horror dos anos 80 – apesar de a trama se passar em 1963! – e até mesmo o tal dirty dancing do título (suja em contraponto aos tradicionalistas e comportados bailados do acampamento de férias Castkill´s) não passa de uma esfregação tímida e inócua nesses tempos de rebolados em velocidades ascendentes. Será que na época alguém sentiu algum comichão?! Eu não sentiria vendo casais – todos heteros e nenhum interracial – mexendo e remexendo e aqui e ali uma mão na bundinha.&lt;br /&gt;Por que diabos então eu estou aqui escrevendo sobre o filme de Emile Ardolino? É que um fato interessante aconteceu. Ao assistir o tal, a famosa cena final: todo mundo dançando parece final de novela das 7; o Johnny Castle (Patrick Swayze, que Deus o tenha!) cantarolando The Time of my Life para Baby (Jennifer Grey), fiquei com os olhos marejados. Talvez isso tenha levado tanta gente ao cinema e aos recentes casamentos que usaram a cena para a entrada dos noivos. Gente como eu que vive ganhando sorteios, bingos e quermesses. Pra mim tem um adicional: eu quero ser um ator-bailarino, fazer coreografias, sair cantando e dançando pelos palcos. Mas o que realmente me tocou foi ver o beijinho apaixonado do casalzinho no salão cheio de gente feliz e redimida.&lt;br /&gt;Continuo afirmando que obras de arte estimulam o pensamento, o questionamento, nossos valores. Comunicam coisas. Que não se confronta uma obra de arte incólume nem ela passa por nós “...like the wind through my tree”*. Mas arte também é emoção – o que só reforça o que eu digo! – e que bom que seja. Esse mundinho estéril em que nos tornamos precisa disso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) She´s Like the Wind, canção do filme interpretada por Patrick Swayze.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hudson Andrade&lt;br /&gt;13 de março de 2010&lt;br /&gt;11h57&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7542804525718705975?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7542804525718705975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7542804525718705975' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7542804525718705975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7542804525718705975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/03/aceita-essa-contradanca.html' title='ACEITA ESSA CONTRADANÇA?'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-3991243589499175632</id><published>2010-03-22T18:56:00.002-03:00</published><updated>2010-03-22T19:01:38.868-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oscar.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>OSCAR 2010</title><content type='html'>&lt;a href="http://ci.i.uol.com.br/noticias/2009/06/oscar-2009-300-div.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 489px;" src="http://ci.i.uol.com.br/noticias/2009/06/oscar-2009-300-div.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais nada deixa eu dizer que tenho ido pouco ao cinema. Por falta de tempo mesmo e sobretudo por falta de paciência. Sabe aquela exigência que eu já comentei antes e que alguns amigos reclamam que tem ficado demais? Poizé! Quanto mais eu trabalho com teatro, tenho contato com teóricos, trabalhos os mais diversos e, recentemente, com a filosofia da arte, começo a perceber que tenho que ser seletivo, pro bem, claro. Ainda devo continuar a ver de tudo e ter base para discutir de tudo. No entanto o fator financeiro é algo que vai ser agregado nessa equação e já que meu dinheiro não dá em árvore, coloco esse também como um critério. Devo ver tal trabalho, mas isso vai me custar dinheiro além do aborrecimento, então não vejo (é claro que não vou só a sessões gratuitas, afinal estou pagando o trabalho de alguém!). Nessa categoria já estavam todas as comédias americanas, todos os filmes romanticozinhos, todos os com adolescentes, sobretudo se eles cantam e dançam e andam as voltas com o outro mundo, todos os com bichinhos, muitas refilmagens, alguns de diretores como Steven Spilberg, Chris Columbus (seu seguidor fiel), os antigos filmes de aventura, agora testosterônicos, as terceiras continuações e além (mesmo com o Johnny Deep nelas!), enfim. A lista é grande e não estamos aqui pra discutir isso. Essa arenga toda foi pra dizer que eu não vi quase nenhum filme concorrente ao Oscar e nem sabia de muitos e desconhecia os concorrentes ao prêmio. E tinha decidido não assistir a entrega do Oscar, que aconteceu domingo , 07 de março. O motivo? Birra! Não queria ver a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood premiando a cultura de massa e entretenimento representada por Avatar, a colorida (mesmo!) embalagem que James Cameron usou pra vender sua nova tecnologia cinematográfica e que ele chama de filme.&lt;br /&gt;Aliás, de tanto as pessoas dizerem que só eu não gosto de Avatar, estou pensando seriamente em criar uma comunidade no Orkut: “Ei! Mais alguém aí NÃO gosta de Avatar?”. Vamos ver no que é que dá! Justifico não gostar do dito porque gosto de filmes de pessoas e para pessoas, que roteiros simples não precisam ser rasos, que as histórias, os personagens, têm que ter nuances, curvas, precisam ser verossímeis, criando identificação com quem os assiste. Só pra justificar o roteiro, ele é absolutamente igual a Dança com Lobos e foi mesmo comparado com ele, mas interpretações tocantes (Kevin Costner estava ainda em sua boa forma naqueles tempos!), uma trilha sonora fantástica, uma busca pelo emocional (mesmo piegas em muitos momentos, como a cena final!) e detalhes outros me ganharam para a história do soldado que se envolve com os indígenas nas pradarias norte-americanas e me fizeram, pela total ausência, odiar o soldado que se envolve com os indígenas das drag-queenérrimas florestas de Pandora, o mundo fictício do povo Na´vi.&lt;br /&gt;Daí que não assisti a premiação e qual não foi minha surpresa ao ver no dia seguinte o resultado. Avatar ficou com apenas três estatuetas para os chamados prêmios técnicos: Efeitos visuais, fotografia (que eu questiono, mas chega!!!) e direção de arte. Acho justo (com aquela ressalva ali atrás). Para os fins a que se destina, o filme recebeu o que merecia. O que me surpreende é que a Indústria do cinema tenha optado por outros caminhos, outros valores. Pra ter certeza disso eu precisaria assistir Um Sonho Possível e Preciosa, pra saber se a Sandra Bullock está realmente melhor no papel da mãe adotiva, ou se eu com algum protecionismo disfarçado de discurso moral não estou privilegiando Gaboury Sidibi por ela ser negra, obesa e fora de qualquer padrão para estar no elenco de uma produção decente, vivendo um personagem que mal dirigido pode virar um estereótipo desagradável.&lt;br /&gt;Não vi o grande vencedor da noite, Guerra ao Terror, da diretora premiada Kathryn Bigelow, apresentada sempre como a ex-senhora James Cameron, como se isso fosse cartão de visitas. Além desse, recebeu ainda o oscar para melhor filme, edição de som, mixagem de som, edição (segundo Martin Scorcese, a essência da Sétima Arte!) e roteiro original, do jornalista BLÁ-BLÁ-BLÁ, o que me fez desejar ainda mais vê-lo e lamentar profundamente que ele tenha sido exibido em Belém ao longo de uma única semana, na chamada sessão Moviecom Arte, o que significa uma medíocre exibição única às 17 horas. Filmes considerados de arte tendem a ser algo obscuros, metafísicos, intelectualóides, destinados a um público seleto, privilegiado e pelo visto, ocioso. Às vezes, quando Deus dá bom tempo, os vencedores de melhor filme voltam à cena. Tomara. Desta vez, em seu devido lugar, já que na verdade a tal sessão de arte é destinada a filmes de baixo apelo público e que não arriscaria a rentabilidade da empresa que ainda pode pagar de séria e apoiadora da cultura. Afinal, dentro de um contexto obra de arte, Xuxa e o Mistério de Feiurinha, há semanas em cartaz em várias sessões também é arte.&lt;br /&gt;Né?!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-3991243589499175632?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/3991243589499175632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=3991243589499175632' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3991243589499175632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3991243589499175632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/03/oscar-2010.html' title='OSCAR 2010'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-1989525436679410948</id><published>2010-03-06T10:47:00.001-03:00</published><updated>2010-03-06T10:49:34.500-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='homossexualidade.'/><title type='text'>AQUELES DOIS...</title><content type='html'>&lt;a href="http://lettersfromlouis.files.wordpress.com/2009/11/do-comeco-ao-fim-560-div.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 560px; height: 420px;" src="http://lettersfromlouis.files.wordpress.com/2009/11/do-comeco-ao-fim-560-div.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Para ler e depois ler Caio F, que faz, ele sim, parecer essa coisa de igual ser de verdade!)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homossexualidade não é tema novo no cinema. Desde a sutileza dos diálogos de Ben Hur passando pelos vários matizes e glitteres de deboche, violência, romantismo, até o recente desencontrado amor de Jack Twist e Ennis Del Mar em Brokeback Mountain. Logo, contar uma história cujo foco seja esse precisa de um diferencial. E Aluísio Abranches apostou na consangüinidade e no incesto para contar seu Do Começo ao Fim (Brasil, 2009). Mas a ousadia acaba aí! Desde o início percebemos que aquilo não pode dar em outra coisa e quando Pedro (Jean P. Noher), pai de Francisco, questiona Julieta (Julia Lemmert), ex-esposa e mãe do garoto se ela não teme que a intimidade excessiva com o meio-irmão Tomás acabe sexualizada, a resposta é um tímido “sim” de olhos perdidos. E nada mais. Aliás, esse negócio de meio-irmão é só pra atenuar o climão de incesto da coisa.&lt;br /&gt;Francisco e Tomás (... e ... quando crianças e ... e ..., adultos) vivem um e para o outro num mundo idílico: uma mãe incondicionalmente amorosa e compreensiva, Alexandre (Fábio Assunção), um pai-padrastro capaz de sufocar suas dúvidas e medos pelo amor à esposa, uma ama (seria esse o papel de Louise Cardoso?), uma casa linda, confortável, dinheiro bamburrando e ninguém mais. Nenhuma outra criança, empregados, escola, vizinhos e até mesmo o esporte dos meninos, a natação, prescinde de uma equipe. Como não se apaixonar (ou criar uma dependência?) daquele que é a sua mais presente referência?!&lt;br /&gt;Daí tão logo se vêem sós Francisco e Tomás se entregam um ao outro como se aquilo fosse o mais natural e plausível possível, sem qualquer impedimento moral (o fato de serem irmãos), social, ou o que quer que seja. E a cama que os recebe, branca, imaculada, num quarto branco, imaculado, numa penumbra acolhedora e um discurso de “eu te amo porque...” que faz o sol nascer amarelinho, cedinho, cheio de um amor azulzinho, azulzinho, os redime de qualquer pecado, seja lá em que hemisfério for.&lt;br /&gt;Aliás, ninguém questiona nada. Nem Alexandre, ou  o treinador, ninguém. O que Abranches quer que pareça natural tira do roteiro o conflito, a falha trágica dos heróis lindos, másculos, honestos, queridos. Não existem curvas emocionais. O filme engata uma velocidade de cruzeiro e navega sem procelas. Daí eu vou discutir o quê?! O mundo não existe. Só existem Francisco e Tontom.&lt;br /&gt;Quando os dois se separam pelo treinamento de Tomás na Rússia (!) os textinhos sobre ciúmes não convencem ninguém, assim como o sexo virtual. Francisco definha como um dependente químico e sua tentativa de transgressão é frustrada não por culpa ou moralidade própria, mas da moça que ao ver a aliança em seu dedo decide ir embora mesmo desmentindo a própria fala anterior “Se ele tem alguém esse alguém tem um problema porque ele é meu!”. Cadê aquela atitude? De fêmea fatal a madre da Castíssima Irmandade das Mantenedoras de Lares em alguns poucos fotogramas!&lt;br /&gt;Francisco não resiste e vai atrás do irmão e amante. Putz! Contei o final. Relaxa. Em dez minutos de filme a gente saca isso. E o filme termina, abrupto, e eu fiquei pensando numa frase da Elen Vaneau, personagem de Andréia Beltrão em Som &amp; Fúria: “Essa história é uma idiotice. Um amor assim não existe!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;09 de fevereiro de 2010 – 11h06&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-1989525436679410948?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/1989525436679410948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=1989525436679410948' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1989525436679410948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1989525436679410948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/03/aqueles-dois.html' title='AQUELES DOIS...'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-3329176125353566024</id><published>2010-03-06T10:43:00.001-03:00</published><updated>2010-03-06T10:46:10.038-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>A MENINA, O MOÇO, RITINHA, A AMA DE LEITE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_2PIaagB5MwE/SyRfrBpKiMI/AAAAAAAAAZQ/D4Ku9TbwKCU/s400/imagemreduzida.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 298px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_2PIaagB5MwE/SyRfrBpKiMI/AAAAAAAAAZQ/D4Ku9TbwKCU/s400/imagemreduzida.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“O ator deve sempre começar de si mesmo, da própria qualidade natural (...). A arte começa quando não existe papel, existe somente o ‘eu’(...)”. (Stanislavski)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É do eu que nasce Solo de Marajó, um eu coletivo, como diz seu diretor Alberto Silva Neto, um eu de profundas raízes familiares, nas palavras de Cláudio Barros, um eu que se reparte na escrita de Dalcídio Jurandir e Carlos Correia Santos. Marajó da obra de Dalcídio, vigorosa; solo de se estar só e se bastar e precisar de complemento e solo de um chão onde o ator se mistura na cenografia de Nando Lima e na luz de Tarik Coelho. Tudo absolutamente minimalista, claro, limpo, fazendo aparecer quem realmente deve aparecer: o ator – o primeiro dos ingredientes desse fazer teatro. O segundo é a platéia. Nada mais é necessário.&lt;br /&gt;E estávamos lá, ator e platéia para quarenta e cinco minutos de tanto tempo, tantos dias, tantas histórias. Ele virado muitos, mimetizado, os sons saindo do próprio peito, a voz firme e clara, o corpo transformando-se nesse e naquela, cada qual com sua particularidade, seus trejeitos, sua prosódia sem a necessidade de recorrer a sotaques e tucandeiras para que nos reconhecêssemos naquelas pessoas antes de tudo, pessoas; e nós daqui, atentos, a cabeça fervendo de criar caixinhas de fósforos, igarapés, redes, toalhas, altares. Entremeando tudo isso uma escuridão que me incomoda mais porque não gosto do breu e aprecio ver tudo acontecendo diante da assistência que acompanha quem é o ator e quem é o personagem; no entanto os blecautes são necessários – talvez um pouco longos – para que a encenação possa marcar bem onde termina cada “causo” e nos deixar no suspenso para o que vem depois.&lt;br /&gt;Cláudio Barros assume a difícil tarefa de contador de histórias e se propõe com maestria a nos encantar com luas, indignar com o tratar mal não porque se é malino, mas porque a vida secou, desejar, amar, crescer, envelhecer.&lt;br /&gt;Eu precisava ver isso. Todo mundo nessa cidade precisava ver Solo de Marajó. Teatro por excelência. Direção segura, texto preciso e sobretudo (sua majestade) o ator, que aqui e com Claudinho – como vou, abusado, me permitir chamar – encontra um parâmetro a ser seguido.&lt;br /&gt;Pena que temporadas tão curtas. Bom que volte logo e nos alague de sentimentos.&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;18 de dezembro de 2010 – 10h31&lt;br /&gt;Escrito quando da estréia do espetáculo. Desculpem aí a demora!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-3329176125353566024?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/3329176125353566024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=3329176125353566024' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3329176125353566024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3329176125353566024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2010/03/menina-o-moco-ritinha-ama-de-leite.html' title='A MENINA, O MOÇO, RITINHA, A AMA DE LEITE'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2PIaagB5MwE/SyRfrBpKiMI/AAAAAAAAAZQ/D4Ku9TbwKCU/s72-c/imagemreduzida.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-1894101552164384789</id><published>2009-11-10T12:27:00.003-03:00</published><updated>2009-11-10T12:36:34.010-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='João Lucas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amizade.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>“SE TEM UMA COISA QUE EU NÃO TENHO... É MEDO!”</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;para ler ao som de Pecado, de Carlos Balk e Pontier y Francini.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Yo no sé si es prohibido&lt;br /&gt;Si no tiene perdón&lt;br /&gt;Si me lleva ao abismo&lt;br /&gt;Solo sé que és amor.”&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SvmITaJ84sI/AAAAAAAAAFY/NcmmLtV3am8/s1600-h/CIANO0163.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SvmITaJ84sI/AAAAAAAAAFY/NcmmLtV3am8/s320/CIANO0163.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402499095027573442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Se pecar é querer-ser feliz, então meu amigo João Lucas pecou um bocado. (Ele e toda a humanidade!)&lt;br /&gt;E se é verdade que não existe pecado do lado de baixo do Equador, então tá tudo certo e ele foi pro Céu! Não esse Paraíso idílico, níveo, modorrento, mas aquele que nós e o Milton(1) perdemos por desejarmos viver além da conta.&lt;br /&gt;E o João Lucas viveu! Viveu, não, vive!!! Vamos acabar com essa finitude judaico-cristã que até onde me conste ele nem era partidário disso e eu muito menos! Parece que depois do acidente de um tempo atrás um pisca-alerta acendeu. Um contador de dias às avessas, diminuindo o tempo ao invés de somá-lo como deveria ser o que chamamos natural. E ciente disso ele investiu tempo, saúde, inteligência, desejo, tesão, insônia, sono, sonho, tudo quanto tinha pelo Direito – seu e alheio –, pela Arte, pela Vida, vertida na mesa dos homens de vida vazia-vadia(2). Mas, vida, ali, quem sabe, meu caro Lucas, foste feliz. Eu sei que foste. Quem te ama sabe que foste. Agora precisaste dar um tempo e apesar da curta temporada gregoriana que estiveste conosco em carne que nos faz sentir tanta saudade, temos que te deixar ir porque isso é devido a quem se ama!&lt;br /&gt;Da minha parte, vai. Ainda parafraseando o Chico, sei que além das cortinas há palcos azuis e infinitas cortinas com palcos atrás e isso vai até o infinito, meu caro. Essa vida, mano, é só um véu e nos cabe tirá-lo. Mais um se foi pra ti. Espero que consigas ver melhor agora. Te conhecendo como te conheço, tenho certeza que sim!&lt;br /&gt;Espeju, Lucas. Nós se encontra (não, eu não errei!) pra lá dos rio das Icamiabas, longe, longe(3), mundiados desse bem-querer sem termo.&lt;br /&gt;Até lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;10 de novembro de 2009 AD&lt;br /&gt;12h08&lt;br /&gt;Belém – Pará&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(1) Paraíso Perdido. John Milton&lt;br /&gt;(2) Vida. Chico Buarque&lt;br /&gt;(3) O Uirapuru. Hudson Andrade&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-1894101552164384789?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/1894101552164384789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=1894101552164384789' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1894101552164384789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1894101552164384789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/11/se-tem-uma-coisa-que-eu-nao-tenho-e.html' title='“SE TEM UMA COISA QUE EU NÃO TENHO... É MEDO!”'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SvmITaJ84sI/AAAAAAAAAFY/NcmmLtV3am8/s72-c/CIANO0163.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-731155762042813036</id><published>2009-11-10T12:24:00.002-03:00</published><updated>2009-11-10T12:27:25.737-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião pessoal. Teatro.'/><title type='text'>BROCARDOS (13)</title><content type='html'>&lt;a href="http://lettersfromlouis.files.wordpress.com/2009/09/foto-teatro11.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 279px;" src="http://lettersfromlouis.files.wordpress.com/2009/09/foto-teatro11.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“E disse o Senhor a Gedeão: Tu tens contigo muito povo (...). Fala (...): Aquele que for medroso e tímido, volte (...). E ele com trezentos homens saiu à batalha.”&lt;br /&gt;(Juízes, 7: 2-3, 8)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus prometeu aos israelitas uma terra de fartura e paz, mas nunca disse que seria de graça. Foram quarenta nos dando voltas no deserto até chegarem a Madian onde um exército se estendia pelos vales como um bando de gafanhotos. E Deus disse a Gedeão que então comandava os batalhões de Israel que apenas com homens de valor lutasse e que assim seria vitorioso.&lt;br /&gt;Não, este não é um artigo de caráter religioso. Nem é um artigo propriamente dito, mas um pensar sobre coisas muito próximas a mim e que, creio, faça parte da realidade de outras companhias de teatro.&lt;br /&gt;O teatro é uma Arte e um ofício. As companhias precisam se entender não apenas como um agrupamento, sobretudo enquanto entidade com objetivos claros e comuns e mesmo como uma empresa, distribuindo tarefas bem definidas e provendo seu próprio sustento. Infelizmente carecemos desse entendimento e nos vangloriamos amadores no sentido menor do termo, tirando do bolso a produção de nossas pecinhas e juntando a renda da bilheteria pra comprar três cervejas, dois refris e tira-gosto de mortadela. E o pior é que muitos se satisfazem em trabalhar por comida, criando um vício nos contratantes que oferecem cachês missérimos porque sabem que se um não aceitar outros dez aceitarão. E trabalhos de qualidade vão para o limbo porque não conseguem se manter enquanto o entulho vai amontoando.&lt;br /&gt;No cerne desse problema está uma multidão de gente medrosa e tímida que ainda não entendeu teatro como trabalho: com responsabilidades, horários, normas, necessidades, investimentos e até algum sacrifício. Se a estabilidade de uma empresa mais formal demora a chegar, avalie de uma companhia teatral?&lt;br /&gt;Nessa busca por leite e mel, horas incontáveis de sexo e reconhecimento público muitos se decepcionam e abandonam tudo, criando algumas situações constrangedoras. Os cursos, mini-cursos, oficinas, workshops, palestras sobre teatro ficam cheias de pessoas ávidas, desinibidas, descoladas, ou extremamente tímidas querendo se soltar, ou que alguém disse que leva jeito pra coisa, ou que foi porque a namorada também vai, ou porque não tem mais vaga no curso de reike freudiano de linha branca. Se é só um dia, depois de algumas horas, mais da metade já sentou contra a parede. Se o negócio é mais sério e leva dias, ou anos, apenas meia dúzia de seis pessoas resistem e desses, uns dois, quem sabe três conseguem o entendimento real dessa profissão e se não podem viver exclusivamente dela (um sonho dourado nosso!), pelo menos a tem como algo se não prioritário, relevante. Estabelecem uma rotina de ensaios, lêem exaustivamente, pesquisam e dividem com a equipe seus conhecimentos, assumem tarefas burocráticas que garantam o funcionamento do grupo e rendimentos que lhes são diretamente interessantes; mantêm um clima de harmonia tentando herculeanente não deixar o ego, o orgulho, a vaidade falar mais alto. Ou o que é pior, mais baixo, aos cochichos, pelos cantos, nos pés dos ouvidos, que fulano é isso, que sicrano é aquilo, que beltrano podia-devia-seria.&lt;br /&gt;Muito povo vem e a gente até quer ter todos por perto, achando mesmo que quantidade é sinônimo de qualidade. Ledo engano. Só com aqueles verdadeiramente valorosos é que venceremos.&lt;br /&gt;Antes de investir tempo, dinheiro, trabalho próprio e alheio, pensa: Eu realmente quero isso? Pesquisa primeiro como é que funcionam as companhias, como são montados os espetáculos, os protocolos determinados para geri-los, no macro e no micro, que meu grupo de amigos não é, necessariamente, meu grupo de trabalho, ainda que meu grupo de trabalho precise ser um grupo fraterno. Veja suas próprias necessidades e disponibilidades, que essa é uma Arte difícil e um ofício ainda mais que hoje te paga mil reais por 10 minutos de cena e que por semanas vai te exigir grana de ônibus (tô falando da minha realidade), redistribuição de horários e alguma insônia.&lt;br /&gt;Se ainda não é o teu momento, mesmo que ames, que querias, que até entendas o teatro, paciência. Façamos escolhas e escolhamos o que naquele momento é o que nos fará feliz. Continuaremos amigos. Mas pra frente, quem sabe não dá certo?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-731155762042813036?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/731155762042813036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=731155762042813036' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/731155762042813036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/731155762042813036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/11/brocardos-13.html' title='BROCARDOS (13)'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7597048298724418665</id><published>2009-11-10T12:21:00.002-03:00</published><updated>2009-11-10T12:23:55.422-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião pessoal. Sociedade.'/><title type='text'>BROCARDOS (12)</title><content type='html'>&lt;a href="http://ich.unito.com.br/materia/resources/images/che/digest4.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 425px; height: 234px;" src="http://ich.unito.com.br/materia/resources/images/che/digest4.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Racca! Entre os judeus a expressão Racca! era dita com asco, cuspindo-se de lado. A pessoa a quem era endereçada a injúria poderia se considerar absolutamente desprezada. A ofensa era tão séria que o próprio Cristo criticou duramente quem a usava. Nos dias de hoje, olhando desolado o mundo em volta, particularmente o Brasil, percebo que algumas criaturas merecem um sonoro Racca! com direito a cuspe, pipoqueiro, banda de música e todo o rito. Seguem alguns:&lt;br /&gt;01. Nesses tempos de H1N1 manter as janelas dos ônibus fechadas é, no mínimo, uma insensatez. Independente da gripe A, outras doenças respiratórias podem ser evitadas por mantermos os espaços – sobretudo os coletivos – arejados. Pras bonitas (e bonitos também!) que supervalorizam seus penteados em detrimento do bem-estar geral: Racca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02. Aos nossos governos municipal e estadual. Votei em Ana Júlia Carepa e, obviamente não votei em Duciomar Costa (esse pecado eu não levo pro Inferno!), mas hoje me vejo vítima e refém da incompetência de ambos. O pior é agüentar o risinho de alguns amigos e aquela cara de eu-já-sabia! Claro que seus motivos anti-PT e afins ainda são preconceituosos e maniqueístas, mas o resultado foi o previsto. Pelo descaso e desrespeito imoral com a saúde, segurança, educação, cultura, limpeza e conservação de praças, monumentos, vias públicas, pelos sumiços e pelas mochilas: Racca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03. Emendamos, por natural, com o governo federal. Votei no Lula (esse pecado eu levo pro Inferno, ainda que não me arrependa dele dado o contexto de então!). Digo sempre que o PT perde pra ele mesmo e ele perdeu o meu voto (e de muitos outros, se a razão assim o permitir!). O caso é que agora as coisas beiram o caos e sentir vergonha não chega (muito menos medo, D. Regina!). Ao Lula, aos seus seguidores cegos, às bolsas disso e daquilo, a essa politicagem abjeta de auto-favorecimento e troca de favores: Racca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04. Só pra manter na política, a cada sem-noção que eleger um só desses que aí estão: Racca! Racca! Racca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05. A todo aquele que compensa seu deficit peniano com decibéis, principalmente se for um vizinho: Racca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;06. A todo o que se prevalece do desamparo alheio e usa qualquer religião para se favorecer: Racca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;07. Ao tecnobrega e todos os seus símbolos e variações distorcidas e esganiçadas: Racca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08. E se no volume máximo: Racca!&lt;br /&gt;09. Ao trânsito de Belém, sobretudo no complexo vi(ot)ário do Entroncamento: Racca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. Aos caras (e algumas mulheres que eu sei!) que mijam em postes, placas, muros, praças, enfim... Racca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11. A quem, podendo, acha que porque eu estou no teatro não estou trabalhando e não quer pagar o ingresso justo – exceto pra gorda galinha do vizinho: Racca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12. Se és emo, simpatizante, amigo, correligionário, amante de, namorado (a) de, e não fazes nada pela evolução humana: Racca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tu? A quem tu mandarias um sonoro Racca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;28 de agosto de 2009 AD&lt;br /&gt;9h00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7597048298724418665?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7597048298724418665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7597048298724418665' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7597048298724418665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7597048298724418665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/11/brocardos-12.html' title='BROCARDOS (12)'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-8581861002358706446</id><published>2009-11-10T12:19:00.001-03:00</published><updated>2009-11-10T12:20:56.183-03:00</updated><title type='text'>PENSANDO NESSE TAL DE AMOR</title><content type='html'>&lt;a href="http://ricardodiamante.files.wordpress.com/2009/10/cupido4b.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 521px; height: 600px;" src="http://ricardodiamante.files.wordpress.com/2009/10/cupido4b.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“O nosso amor a gente inventa pra se distrair. E quando acaba, a gente pensa que ele nunca existiu.”&lt;br /&gt;(Cazuza)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior artimanha do Diabo, dizem, é nos fazer acreditar que ele não existe. A maior artimanha do Amor é exatamente nos fazer crer nele.&lt;br /&gt;Nós nos relacionamos pela nossa necessidade antropológica de contato físico, casamos por convenções sociais, temos filhos pela manutenção do nosso patrimônio material e genético, transamos pela satisfação de um prazer individual e momentâneo. Depois de um tempo, dizemos: O Amor acabou! Daí os relacionamentos ficam frios, os casamentos enfadonhos, as trepadas espaçadas e burocráticas. Então partimos pra outra, certos de que dessa vez vamos acertar. E tudo se repete.&lt;br /&gt;Como é que pode acabar aquele que é dito como o sentimento humano por excelência? A sublimação de todas as virtudes, o que cobre a multidão das nossas faltas? Como é que vamos da felicidade absoluta para a depressão mórbida? Do desejo incontrolável de estar junto para a apatia e o descaso? Das cartas todas ridículas para o esquecimento e até mesmo a indisposição (pra não dizer ódio, que isso aqui já está seco demais)?&lt;br /&gt;Mas a culpa, afinal, nem deve ser do Amor. Eros é só uma criança inconseqüente brincando de índio. Que sabe ele da vida, da malícia do mundo, dos nossos jogos de sedução? Que culpa ele tem se só vemos o imediato?&lt;br /&gt;No final das contas o problema é meu. Tem tanta gente aí super satisfeita. Senta num banquinho na porta de casa e tá tudo muito bom. Não sabe se é carnaval, semana santa, julho, ou natal e tá tudo muito certo. Não se pergunta se ama alguém, ou se alguém lhe ama, que essa palavra é tão clichê, ou esse sentimento parece que só cabe na novela e leva a vida sem um beijo e tá tudo muito justo. Ou tudo isso é tão significativo porque é simples e natural que aconteça que a rua tem todo o sentido, os dias a mesma importância, o amor é algo que simplesmente vem e quando o beijo acompanha, é terno e doce e calmo e dado porque um beijo só tem sentido se sair da gente. E eu aqui querendo e me consumindo nesses quereres. Leso!&lt;br /&gt;Comecei com música e termino com música. Quase um pedido de socorro: “Só peço a você um favor, se puder: não me esqueça num canto qualquer.”*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) O Caderno. Chico Buarque.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-8581861002358706446?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/8581861002358706446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=8581861002358706446' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/8581861002358706446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/8581861002358706446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/11/pensando-nesse-tal-de-amor.html' title='PENSANDO NESSE TAL DE AMOR'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-5953069103090238662</id><published>2009-10-23T09:49:00.002-03:00</published><updated>2009-10-23T10:03:56.636-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dança contemporânea'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal.'/><title type='text'>RETRATO EM BRANCO E PRETO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SuGprdpLu_I/AAAAAAAAAFI/S2z2EIWBgvE/s1600-h/taobonitodetaofeio-230x306.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SuGprdpLu_I/AAAAAAAAAFI/S2z2EIWBgvE/s200/taobonitodetaofeio-230x306.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395780392723397618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Eu sou um ator que dança, ou um dançarino que atua?”. Fiz essa pergunta para a Ana Flávia Mendes, da Companhia Moderno de Dança na saída do Teatro Cuíra depois de assistir Taobonitodetaofeio, da Companhia de Investigação Cênica. “Esses limites não existem em muitos trabalhos e são muito tênues em outros. Poucos ainda assumem alguma rigidez”, posso resumir do que ela me respondeu. Na quarta versão de O Glorioso Auto do Nascimento do Cristo-Rei, da Nós Outros, criamos uma dança circular específica para aquele trabalho, com consultoria e coreografia de Ana Cláudia Costa, do Instituto Ocara; todos os trabalhos da Moderno têm inserções mais, digamos, cênicas, no sentido teatral da coisa. Investimos nessa idéia.&lt;br /&gt;No seu segundo trabalho na Cênica, Danilo Bracchi aposta novamente nesse artista múltiplo e coloca atores pra dançar e dançarinos para interpretar textos e cenas. Dança, música, artes circenses, audiovisual, teatro, performance, tudo se mistura em Taobonitodetaofeio para falar dessa relação que temos com o nosso corpo, com o corpo alheio, com valores do que é igual e, sobretudo, do que é diferente. Tanta coisa (ainda da conversa com a Ana Flávia) criou uma obesidade (termo dela) de informações no espetáculo que acaba em alguns momentos carecendo de uma costura mais precisa. Mas nos seus sessenta, mais ou menos, minutos, não há espaço para o enfado. São surpresas, imagens (vídeos que me parecem homoeróticos demais e não acrescentam à encenação), sons, luz, que vão criando a expectativa pelo que vem depois, mesmo com aquela sensação de que tudo é algo fragmentado. Isso pode resultar do acúmulo de funções do Danilo como intérprete e diretor. Essa não é uma tarefa impossível, mas é de difícil execução e faz com que o diretor que está no palco perca a visão do conjunto. Digo isso da experiência própria de estar só atuando, só dirigindo e nas duas funções. Mas como eu ia dizendo, não há lugar para o tédio, ou o alheamento. Taobonitodetaofeio é um espetáculo empolgante, sobretudo para quem gosta de dança, ou não se prende a rótulos, ou clichês. Mais de uma vez eu quis estar em cena, dançando como meus amigos atores e atrizes, agora tornados intérpretes, termo mais geral que para mim reflete o que o artista deve ser: plural, não apenas em suas escolhas de trabalho, mas principalmente no investimento em sua formação. &lt;br /&gt;A trilha sonora de Leonardo Venturieri é muito melhor do que a anterior, feita para Depois de Revelado Nada Mais Muda (ver &lt;a href="http://curiadarte.blogspot.com/2009/04/rabiscos-de-luz.html"&gt;RABISCOS DE LUZ&lt;/a&gt;). Não sei de sua experiência com música para teatro, mas ele me pareceu mais maduro, mais preciso; exceção a manter-se fora de cena, entrando ocasionalmente, com a roupa que estiver vestindo. Se a opção for por estar fora, esteja fora. Se for pela interferência ainda que ocasional, que se esteja preparado para compor com o restante do espetáculo.&lt;br /&gt;O figurino de Taobonitodetaofeio é visualmente limpo, objetivo, bonito e funcional. Aníbal Pacha investiu em peças simples, permitindo o livre movimento dos intérpretes e suas trocas de roupa, e no uso do branco e do preto, cartesianamente opostos, mas indissociáveis, complementares mesmo, como os distintos que só o são pela existência do outro. Por serem iguais, me remetem a idéia de que o bonito é o que está na moda – vide o desfile que abre o espetáculo – e o que está na moda é um padrão previamente estabelecido. Ser diferente é estranho. Ser diferente é feio!&lt;br /&gt;O cenário é um elefante branco. Essa expressão nos remete aquelas obras faraônicas e ineficazes dos governos desse país. Lembram? Mas é isso mesmo. Grande, parecendo inconcluso e usado pelos intérpretes em suas entradas e saídas de forma que só reforça esse inacabado.&lt;br /&gt;Com a mantimento e repetição do espetáculo certamente aumentará a precisão de tudo. Do que é dito, do que é dançado. Isso o tempo garante. Ou talvez seja essa mesma a cara que se queira dar, de algo em construção, dinâmico, mutante, esse quê de Brecht que eu gosto tanto e que os intérpretes executam em vestir-se, desvestir-se em cena, conversar, observar, acarinhar-se, para num segundo, cúmplices, estarem todos prontos para o próximo passo. Atenção para a cena das máscaras – camisetas criadas por Maurício Franco – sobre o corpo nu dos artistas. Nenhuma apelação. Nenhum pudor. Poesia crua.&lt;br /&gt;Vamor ver e rever Taobonitodetaofeio e Depois de Revelado Nada Mais Muda. Vamos esperar pelo que virá. Estarei ansioso e... ah! Quem me dera!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SERVIÇO:&lt;br /&gt;Taobonitodetaofeio. Teatro Cuíra (Tv. Riachuelo, esq. com Primeiro de Março), até o dia primeiro de novembro, sempre aos sábados e domingos, 20 horas. Ingressos: R$ 20,00 (vinte reais).&lt;br /&gt;Este espetáculo foi produzido com o patrocínio da Petrobrás, através do Prêmio de Dança Klaus Viana 2008, promovido pela Fundação Nacional de Arte – FUNARTE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elenco: Alessandra Nogueira, France Moura, Marluce Oliveira, Natália Simão, Ícaro Gaya, Danilo Bracchi.&lt;br /&gt;Direção e coreografia: Danilo Bracchi&lt;br /&gt;Assistente de direção: Cláudio Dídima&lt;br /&gt;Consultoria dramatúrgica: Wlad Lima&lt;br /&gt;Direção musical/trilha sonora: Leonardo Venturieri&lt;br /&gt;Cenografia/arte gráfica/vídeo em Second Life: Nando Lima&lt;br /&gt;Figurinos e adereços: Aníbal Pacha&lt;br /&gt;Máscaras: Maurício Franco&lt;br /&gt;Cabelos: Fernando Gomez e Carol Pabiq&lt;br /&gt;Iluminação: Roma Muniz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em memória de &lt;strong&gt;Ronald Bergman&lt;/strong&gt;.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-5953069103090238662?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/5953069103090238662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=5953069103090238662' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5953069103090238662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5953069103090238662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/10/retrato-em-branco-e-preto.html' title='RETRATO EM BRANCO E PRETO'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SuGprdpLu_I/AAAAAAAAAFI/S2z2EIWBgvE/s72-c/taobonitodetaofeio-230x306.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7008638159539309719</id><published>2009-08-29T11:41:00.002-03:00</published><updated>2009-08-29T11:46:53.904-03:00</updated><title type='text'>EU 22</title><content type='html'>&lt;a href="http://ipt.olhares.com/data/big/185/1859678.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 606px; height: 750px;" src="http://ipt.olhares.com/data/big/185/1859678.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“E eu que tinha apenas dezessete anos, baixava minha cabeça pra tudo. Era assim que as coisas aconteciam. Era assim que eu via tudo acontecer.” (Camilla Camilla. Nenhum de Nós)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olho o mundo com olhos de distância. Aos 17 anos esse mundo não é assim tão grande, mas como é complicado. Tenho que ser adulto pra cuidar de tantas responsabilidades que eu não criei ou pedi, e não deixei de ser criança pra dormir fora de casa.&lt;br /&gt;Ok. Exagerei. Da última vez cheguei tão bêbado e transtornado que não imagino como achei o rumo de casa. E não estava com as roupas com as quais saí. Acordei muito depois do almoço e diante da TV meu pai repetiu suas verdades, mas dessa vez o tom não era de ameaça – que eles, os pais, chamam de conselho – mas tinha algo de protecionista e de preocupação e por fim, de determinação. Aquilo não se repetiria enquanto eu comesse do seu feijão.&lt;br /&gt;O que meu pai dizia ecoava surdo na minha cabeça, quicando nas paredes de osso e atravessando meu cérebro que parecia gelatina. Eu mal conseguia ficar de olhos abertos e quando não respondi que tinha entendido, veio o tapa.&lt;br /&gt;Fazia anos que meu pai não me batia. Até minha mãe se assustou, mas não se atreveu a mover um único músculo em minha defesa. Puxou meu irmão pelo braço e foram se entrincheirar na cozinha. De lá começou a vir o cheiro de pipoca! Caralho! Isso é surreal, eu pensei. Meu pai aqui me agredindo com máximas e tabefes e minha mãe fazendo pipoca! Uma raiva cega subiu pelas minhas veias e eu fechei os punhos e quis esmurrar aquele homem ali na minha frente, mas me limitei a perguntar se podia voltar pro meu quarto. “Aproveita!”, ele respondeu, “enquanto ele ainda é teu quarto!”&lt;br /&gt;Entrei no aposento ainda escuro e desarrumado, tranquei a porta por dentro e sentado na cama quis chorar, mas homem não chora. Quis calar, mas havia um menino dentro do peito que queria agradar aos pais, passar no vestibular, fazer natação, terminar o cursinho de inglês que ele tinha conseguido bolsa parcial. Quis chorar pra encher todas as latas de cerveja entornadas, pra apagar todo cigarro, até aqueles que ele tinha recusado fumar. Quis calar porque suas notas eram boas e ele ganhara uma medalha na olimpíada de matemática e cuidava do irmão quando a mãe ia ao comércio onde passava o dia inteiro de loja em loja. Quis chorar pela roupa que alguém tirara e pelas tantas mãos e bocas e tudo o mais. Quis calar porque tinha uma pessoa que ele amava. Mas aos dezessete anos a gente ama muita gente e odeia todo mundo.&lt;br /&gt;Liguei o computador e entrei no MSN, mas teclava e falava ao celular ao mesmo tempo e com o mesmo desinteresse. Por fim, cansei e desliguei a máquina puxando pela tomada. Desliguei o celular disposto a não falar com ninguém, não interessava quem fosse.&lt;br /&gt;Então vieram me chamar. Levantei de um pulo e segurei a porta pra que ninguém entrasse. “Tá trancado por quê?” minha mãe perguntou. Não sabia o que fazer, não sabia o que falar, só queria ficar na minha e o resto do lado de fora. Tirei a chave da fechadura e joguei garganta abaixo. Senti o gosto de metal e de sangue e o ar começou a faltar. Recuei engasgado, apertei o pescoço, dobrei o corpo pra frente, me joguei de costas contra a parede e cai chutando a cadeira e a prateleira cheia de livros, CDs e miniaturas coloridas de carros.&lt;br /&gt;Um pontapé arrancou o trinco da porta que bateu contra a parede e voltou, brusca. Meu pai foi o primeiro a entrar. Minha mãe gritava de um lado para o outro. Meu irmão não parava de chorar. E eu acho que vi umas duas, ou três vizinhas.&lt;br /&gt;Eu fazia uns sons estranhos e não conseguia respirar, meus olhos saltados lacrimejavam e tudo foi ficando escuro e silencioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;27 de agosto de 2009 AD&lt;br /&gt;9h15&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Manda sugestões pra mim e me ajuda a escrever o final dessa história. Tô esperando.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7008638159539309719?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7008638159539309719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7008638159539309719' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7008638159539309719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7008638159539309719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/08/eu-22.html' title='EU 22'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-5265387215133756195</id><published>2009-07-23T09:52:00.002-03:00</published><updated>2009-07-23T10:03:13.750-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ator'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Som e Fúria.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diretor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>ATO TERCEIRO. CENA II</title><content type='html'>&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_jev-B2BTWPM/SfoDo97yYpI/AAAAAAAAGy4/1a9ckEIDyZs/s720/A-%C3%9Altima-Grava%C3%A7%C3%A3o-do-Krapp_cr%C3%A9dito-foto-GugaMelgar.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 720px; height: 480px;" src="http://lh4.ggpht.com/_jev-B2BTWPM/SfoDo97yYpI/AAAAAAAAGy4/1a9ckEIDyZs/s720/A-%C3%9Altima-Grava%C3%A7%C3%A3o-do-Krapp_cr%C3%A9dito-foto-GugaMelgar.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Deixa que o teu bom senso te oriente. Que a ação responda à palavra e a palavra à ação, pondo especial cuidado em não exceder os limites da simplicidade da natureza, porque tudo o que a ela se opõe, afasta-se igualmente da própria finalidade da arte dramática, que é, tanto em sua origem quanto nos tempos que correm, a de apresentar, por assim dizer, um espelho à vida.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Hamlet. William Shakespeare)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é à toa que o capítulo 9 da série &lt;a href="http://somefuria.globo.com/Somefuria/0,,17336,00.html"&gt;Som &amp; Fúria&lt;/a&gt; se chama “Monstros Raros”. Nessa semana aparecem alguns tipos que, infelizmente, não são assim tão raros: o diretor Oswald Thomas (Antonio Fragoso), que já esteve em cena antes quando da montagem de Hamlet, o ator Henrique (Daniel Dantas), chamado para viver Macbeth e o publicitário Sanjay, representado por Rodrigo Santoro. Cada um a seu jeito vive em um mundo muito particular em torno do qual devem gravitar todos os demais. Senhores de si, tentam senhorear os outros e há, acreditem, quem se proponha à coleira.&lt;br /&gt;Sanjay é, na minha opinião, um aproveitador. Se seus caminhos são honestos, ou não, ainda não deu pra saber. Há quem o apóie e existe quem o detrate, mas isso há em qualquer lugar, em qualquer profissão, pra qualquer pessoa. Com uma estrutura organizadíssima e uma lábia totalmente fundamentada ele leva seus clientes pra onde quer. Se vai dar certo, é preciso pagar pra ver!&lt;br /&gt;Thomas é um desses diretores herméticos, cheio de certezas, de um conhecimento processado pelas suas próprias experiências e, por que não, impávia, contra o qual não há contradição. A cada questionamento uma enxurrada de colocações feitas como que num dialético alienígena que pretendem fazer os atores parecerem os grandes idiotas que ele, claro, acha que são. E quantos encenadores não há assim, que devendo dividir e orientar fazem dos espetáculos a sua cozinha, ou a sua privada? Trabalhei com alguns profissionais e cada um tem um jeito muito particular de conduzir a encenação. Felizmente nenhum foi um Thomas na minha vida, ainda que em muitos momentos eu tenha ficado (ou me sentido) num escuro frio e pegajoso, sem saber o que fazer, o que dizer, pra onde ir, me sentindo sim, um idiota. Mas isso são meus processos: cerebrais diria Adriano Barroso, disciplinados na visão de Aníbal Pacha, (...) na não-fala de Wlad Lima. Em todos ao menos um ponto em comum, uma exasperação que nasce sei lá de onde aliada a um paternalismo (com a peça, consigo, ou conosco eu não sei!) que beira um precipício do qual alguém sempre acaba se jogando. Talvez seja exatamente isso o necessário: jogar-se. É importante dizer que é mister se sentir seguro com a direção. Entender que ela sabe os caminhos para os quais a encenação está caminhando; que haja respostas – nenhuma de mão beijada – e que o ator possa se sentir um artífice, nunca um marionete.&lt;br /&gt;Atores. O que é o Henrique? Logo de cara ele pede pra se apresentar com um dos monólogos de Macbeth, pavão misterioso. “Já fiz essa peça três vezes”, repete incessantemente e pára o ensaio pra dizer que ele pensa que seria melhor se ele estivesse em tal lugar no momento de tal fala. “Claro!”, retruca o fantasma de Oliveira, “Ele não pode ficar quatro segundos de costas para a platéia!”. Daí me reporto ao texto do Shakespeare no topo da minha escrita. Henrique é o que chamamos de canastrão, mas adorado. Sua atuação empolada agrada apenas a pseudo-conhecedores-apreciadores da arte dramática. Houve um tempo de monstros sagrados, isolados no centro-frente do palco, em plano mais alto, iluminados profusamente, intocáveis. Enquanto estética isso foi se quebrando e ficando ultrapassado. Enquanto vaidade permanece até hoje e permanecerá sempre porque a vaidade parece ser atributo inerente dos (maus) atores. Ainda somos vistos como animais exóticos, capazes de mimetizar sentimentos, fingir e mentir de tal forma que ninguém saiba se o que falamos, seja no palco ou fora dele, é ou não real. Cria-se uma aura de desconfiança, mas também de admiração. Precavida, mas admiração. Parecemos viver num mundo à parte, doidivanas, contrários todos as leis honradas dos homens e de Deus*. Poucos fora do metier nos vêem como trabalhadores. Vêem apenas as gaitadas, a libertinagem, a tal fama e a tal fortuna que, quando não aparece, é recibo de incompetência e norte pra outros caminhos. É preciso entender e respeitar nossas longas horas de ensaios, nossa detalhada observação das pessoas e da vida, nossa entrega; os suores, as lágrimas, as noites em claro, alguns sacrifícios, uma necessidade quase patológica de ler, estudar, pesquisar, repetir, refazer, retomar, mandar deus e o mundo às favas e se agarrar a tudo como uma tábua de naufrágio. Não ter certezas. Não se sentir enorme. Não ter dúvidas. Nunca se sentir pequeno. Ser. E ser pra si e ser pro palco.&lt;br /&gt;Isso, claro, para os que são atores e atrizes. Quem desconhece essa rotina, ou faz disso o seu cartão de visitas, não merece esse substantivo. Ou seria adjetivo? E sejam todos bem vindos ao Fantástico Mundo de Henrique!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;23 de julho de 2009 AD&lt;br /&gt;9h50&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS&lt;br /&gt;1. Shakespeare, William. Hamlet. Tradução Pietro Nassetti – São Paulo: Martim Claret, 2001&lt;br /&gt;2. (*) Pecado, Carlos Balk e Pontier y Francini&lt;br /&gt;3. Imagem: Sérgio Britto em foto de Guga Melgar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-5265387215133756195?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/5265387215133756195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=5265387215133756195' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5265387215133756195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5265387215133756195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/07/ato-terceiro-cena-ii.html' title='ATO TERCEIRO. CENA II'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_jev-B2BTWPM/SfoDo97yYpI/AAAAAAAAGy4/1a9ckEIDyZs/s72-c/A-%C3%9Altima-Grava%C3%A7%C3%A3o-do-Krapp_cr%C3%A9dito-foto-GugaMelgar.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7920934493035185285</id><published>2009-07-16T10:06:00.002-03:00</published><updated>2009-07-16T10:15:39.981-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ator.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Shakespeare'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='televisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>SEIS SOLILÓQUIOS. O RESTO É SILÊNCIO.</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.abril.com.br/imagem/felipe-beltrao-436.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 436px; height: 293px;" src="http://www.abril.com.br/imagem/felipe-beltrao-436.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“O grande conflito da série é o de equilibrar integridade artística e bilheteria.&lt;br /&gt;Esse é meu conflito do dia a dia.”&lt;br /&gt;(Fernando Meirelles)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim Dante Viana, o personagem de Felipe Camargo em &lt;a href="http://somefuria.globo.com/Somefuria/0,,17336,00.html"&gt;Som &amp; Fúria&lt;/a&gt; definiu Hamlet, de William Shakespeare. A série da Globo que entrou em sua segunda semana é um desses produtos primorosos com que a televisão tão raramente nos tem presenteado. Praticamente uma conjunção astral entre a direção de Fernando Meirelles (que também assina o roteiro), o elenco encabeçado por Felipe Camargo e Andréa Beltrão e uma produção afinadíssima. No capítulo de ontem, 15 de julho, dirigido pelo próprio Meireles e Gisele Barroco, encerra-se um primeiro momento em que se apresenta o retorno de Dante ao Theatro Municipal, agora como diretor artístico, depois de sete anos de ausência e traumas, para lutar contra si mesmo, egos inflamados e as picuinhas políticas que envolvem e entravam nossa cultura e arte. Assessorado, digamos assim, pelo fantasma de Oliveira (Pedro Paulo Rangel), que tal qual o assassinado rei da Dinamarca, pai de Hamlet, volta do túmulo para colocar alguns pontos em alguns is.&lt;br /&gt;Em cartaz na temporada clássica do Municipal, a história do príncipe do podre reino da Dinamarca que vinga a morte do pai. Retornamos assim a frase que dá título a este texto. Longe de menosprezar a obra do bardo inglês, Dante se utiliza dessa linguagem para acalmar o protagonista do espetáculo, &lt;a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1082056-7822-DANTE+PASSA+AS+ULTIMAS+DICAS+PARA+JAQUES,00.html"&gt;Jaques Maya&lt;/a&gt;, representado por Daniel de Oliveira, e encorajá-lo a ir ao palco. Informações precisas, objetivas. Foco. Um entendimento claro do que o autor precisava dizer e que se dito, satisfaria a todos. Já em outro momento Dante fizera isso, explicando a uma aspirante a atriz, Clara (Maria Helena Chira) quem era Ofélia. E no dito capítulo, de camarim em camarim, ele dá indicações de como aprimorar os personagens. E aí temos duas situações: o diretor atento que consegue extrair de seus atores o melhor através de indicações e como o ator se coloca em relação a isso, ao público, ao seu trabalho. Vemos o Oberon de Paulo Betti responder que não mudaria nada do que tinha feito, que era o último dia de apresentação e que a platéia era um bando de delinqüentes; e vemos a Elen de Andréa Beltrão acatar as indicações, entender que teatro é uma arte dinâmica e, como disse Dante, ter a chance de fazer bem feita a sua cena. Um momento de dúvida entre acomodar-se e arriscar-se a ganhar o mundo, e sua rainha Gertrudes entra em cena plena, enorme, silenciando uma assistência realmente indócil e desacostumada dessas coisas de clássicos e teatros, num crescendo que não poderia sair de dentro dela, mas que igualmente não cabia no peito, uma lágrima borrando a maquiagem, um texto fluido, cristalino. Não sou difícil de me emocionar e agora mesmo enquanto escrevo os olhos marejam, mas a cena foi absolutamente fantástica. Ontem, sentado sozinho na sala, chorando, quis levantar também e aplaudir, mas me contive por esses lapsos de racionalidade, não sem me sentir gratificado por fazer parte dessa arte, pela oportunidade de aprendizado, pela consciência das coisas que tenho oferecida tão generosamente por parceiros valiosíssimos como Adriano Barroso, Ailson Braga, Miguel Santa Brígida, Aníbal Pacha, Wlad Lima, Karine Jansen, Ana Flávia Mendes, Henrique da Paz, já anteriormente citados (nunca, nunca é demais!) com quem mais diretamente trabalhei e tantos outros que seria injusto nomear um sem indicar os demais, mas sobretudo os meus companheiros de Nós Outros, incluindo claro meus novos parceiros.&lt;br /&gt;Para o público comum, sem qualquer desfeita com essa expressão, talvez tenha sido apenas um capítulo de uma minissérie. Algo emocionante, quem sabe. Para o povo do teatro, uma verdadeira aula, um Hamlet sintetizado em uns trinta, quarenta minutos entre o futebol e o telejornal sem que nada de sua esplêndida carga emocional fosse perdida. Alguém não deve ter pensado assim e torcido a cara. Paciência. Humildade não é demérito nem disponibilidade, submissão. Sempre se pode dar um passo a mais. Atores e atrizes que se acham grandes demais, bons demais, que já sabem coisas demais, hmmm, diriam Adriano e Ailson: se foderam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SERVIÇO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Som &amp; Fúria. TV Globo. De terça a sexta, tarde demais pra um programa assim, mas que bom que dá tempo de eu assistir quando chego do ensaio.&lt;br /&gt;Direção: Fernando Meirelles, Gisele Barroso, Toniko Melo, Fabrizia Pinto e Rodrigo Meirelles.&lt;br /&gt;Roteiro original “Slings &amp; Arrows”: Susan Coyne, Bob Martin, Mark McKinney&lt;br /&gt;Roteiro adaptado: Fernando Meirelles&lt;br /&gt;Produção: Fernando Meirelles, Andrea Barata Ribeiro e Bel Berlink&lt;br /&gt;Produção executiva: Ary Pini&lt;br /&gt;Direção de fotografia: Adriano Goldman, André Modugno e Marcelo Trotta&lt;br /&gt;Direção de arte: Cassio Amarante&lt;br /&gt;Figurino: Verônica Julian&lt;br /&gt;Montagem: Lucas Gonzaga e Lívia Serpa&lt;br /&gt;Trilha sonora: Ron Sures&lt;br /&gt;Produção de elenco: Cecília Homem de Mello&lt;br /&gt;Coordenação de maquiagem: Anna Van Steen&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;16 de julho de 2009 AD&lt;br /&gt;9h05&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7920934493035185285?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7920934493035185285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7920934493035185285' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7920934493035185285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7920934493035185285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/07/seis-soliloquios-o-resto-e-silencio.html' title='SEIS SOLILÓQUIOS. O RESTO É SILÊNCIO.'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-4870761895309506165</id><published>2009-06-23T08:34:00.002-03:00</published><updated>2009-06-23T08:37:59.325-03:00</updated><title type='text'>EU 21</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3CixsVPEkLA/SK-SjlasAkI/AAAAAAAAAA4/9Qdf29lmipI/s400/sozinho2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 284px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_3CixsVPEkLA/SK-SjlasAkI/AAAAAAAAAA4/9Qdf29lmipI/s400/sozinho2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Para ler ao som de Cazuza – O Nosso Amor a Gente Inventa:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“O teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer. E o meu poesia de cego: você não pode ver. Não pode ver que no meu mundo um troço qualquer morreu. Um corte lento e profundo entre você e eu.”&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei o dia inteiro meio sonolento. Uma modorra chata de bater cabeça se por dez minutos eu não fizesse algo. Dia quente, suarento, aborrecido. Segunda-feira típica. Quantas vezes tirei o celular do bolso imaginando tê-lo sentido vibrar? Quantas vezes eu ensaiei telefonar e desisti porque era o melhor a ser feito, ainda que a sensação de vazio me apertasse a boca do estômago.&lt;br /&gt;Numa pausa, rabisquei num pedaço usado de papel: Cuida do teu amor que ele é mais frágil do que parece. E lhe dê o tempo apenas necessário e todo o respeito que merece. Daí coloquei isso numa mensagem, fui escolhendo pessoas aleatoriamente e enviando via celular.&lt;br /&gt;Não demorou pra começarem as respostas. Algumas agradecendo, outras perguntando quem eu era que eu não estava em suas agendas; mas o que me chamou a atenção foram as respostas preocupadas, do tipo “o que foi que aconteceu?”. Saudades, eu respondia. Só isso...&lt;br /&gt;Então quando uma velha amiga telefonou, eu não resisti e brinquei que ela relaxasse que aquilo não era um bilhete de suicida. Mas do outro lado ela parecia apreensiva. “Mas por que mandaste essa mensagem pra mim?”. Respondi que sei-lá, que ia escolhendo e mandando. “É que ela tem tudo a ver comigo. Eu tô me separando... tu sabias?”. Não, eu não sabia. E lamentei muitíssimo. Ela e o marido pareciam um casal super feliz. Mas todos parecem afinal, felizes, companheiros, cúmplices. De uma hora pra outra, a realidade: dois estranhos que compartilhavam o mesmo teto, a mesma ilusória vida. “Fico feliz que tenhas me escolhido!”, ela disse. “Obrigada. De coração!”. Fiquei emocionado. Um gesto besta fizera eco em alguém de forma positiva. Isso quase me tranqüilizou. “Mas o que aconteceu contigo?”, ela insistiu. “O que te motivou a escrever isso?”.&lt;br /&gt;Aconteceu tanta coisa, eu pensei. Eu tinha idealizado um amor, um mundo sem curvas, uma vida compartilhada. Medi palavras, escondi coisas, sufoquei caprichos, atendi pedidos, alterei rotinas, tudo em nome de um relacionamento que só existiu na minha cabeça (E a quem eu podia culpar senão a mim mesmo, se é que aqui cabe culpa?!). Respondi firmemente que não tinha acontecido nada, minha linda. Nada! Só saudades. Só isso...&lt;br /&gt;Ela não parecia convencida e disparou: “Mas se quiseres conversar, a gente pode marcar pra se encontrar.”, Respondi que claro que sim. “Bater um papo. Tô à disposição...”. E eu ia respondendo claro, claro, obrigado. Então aquele silêncio. A gente sempre se predispõe afinal, mas sabe que dificilmente vai haver algum encontro. “Bom, amor... tchau!”. Respondi um tchau.&lt;br /&gt;Ao tu-tu-tu do telefone me ocorreu que eu tinha muito que fazer. Tanta coisa. Olhei o relógio. Corri os dedos no teclado.&lt;br /&gt;Então parei. Olhei novamente o relógio e pensei que se eu me organizasse ainda daria tempo pra ir à casa do meu irmão beijar minha sobrinha, ou convidar aquele amigo que queria ver aquele filme pra ir ao cinema comigo, ou ir pra casa mais cedo e fazer o jantar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente aquela sensação de que não acabou, certo? Mas dessa vez acabou, se é que algum dia começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;17 de junho de 2009 AD&lt;br /&gt;17h45&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-4870761895309506165?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/4870761895309506165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=4870761895309506165' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/4870761895309506165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/4870761895309506165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/06/eu-21.html' title='EU 21'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3CixsVPEkLA/SK-SjlasAkI/AAAAAAAAAA4/9Qdf29lmipI/s72-c/sozinho2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-973902892326379628</id><published>2009-06-13T11:46:00.005-03:00</published><updated>2009-06-23T08:44:13.178-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='x-men'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dúvida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='exterminador'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bashir.'/><title type='text'>MUTANTES, EXTERMINADORES... NA DÚVIDA, DANCE.</title><content type='html'>Os quatro últimos filmes que assisti foram X-Men Origens: Wolverine, O Exterminador do Futuro 4: A Salvação, Dúvida e Valsa com Bashir, estes últimos no Líbero Luxardo, do CENTUR. Dúvida num domingo de temporal que foi de impressionar que o cinema, mesmo pequeno, estivesse lotado; Valsa num feriado solitário que doía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.iwatchstuff.com/2008/02/14/wolverine-origins-jackman.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 450px; height: 300px;" src="http://www.iwatchstuff.com/2008/02/14/wolverine-origins-jackman.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;WOLVERINE&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;(X-Men Origins: Wolverine, EUA, 2009)&lt;/em&gt; é uma falácia. O roteirista David Banioff e o diretor Gavin Hood vãona cola do sucesso de X-Men, no peso da DC, no carisma do mutante com garras de adamantium. Empatia que é devida a Hugh Jackman e seu carão, costão, peitão, pernão, etc... Mas carisma só não basta para reaver os milhões que o próprio Jackman investiu no filme. Vejam, por exemplo, Russel Crowe. Ele podia ficar feliz com a boca escancarada cheia de dentes com o seu Gladiador e enveredar por continuações e filmes que só mudam o nome sem mudar o enredo, dos quais Hollywood é pródiga. Mas não. Los Angeles – Cidade Proibida, Uma Mente Brilhante e O Informante (mesmo feitos antes de Gladiador) estão aí pra mostrar o contrário, ainda que haja Mestre dos Mares. Mas e Hugh Jackman? A Senha, Van Helsing e agora Wolverine. Caras e bocas, músculos à mostra, testosterona vazando pela tela. História que é bom, nada. Aquelas subversões que sempre ocorrem de uma linguagem para outra, efeitos especiais estonteantes, brecha para um próximo filme e só. Ejaculação sem prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://moviesmedia.ign.com/movies/image/article/896/896069/terminator-salvation-the-future-begins-20080802103715076_640w.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 640px; height: 358px;" src="http://moviesmedia.ign.com/movies/image/article/896/896069/terminator-salvation-the-future-begins-20080802103715076_640w.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O EXTERMINADOR DO FUTURO 4: A SALVAÇÃO&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;(Terminator Salvation, EUA, 2009)&lt;/em&gt; é mais filme. Desses de ação, com todas as idiossincrasias que essa fala carrega quando eu as digo. Machos, mulheres masculinizadas – as não masculinizadas são dadivosas, servis e de grandes olhos lacrimejantes! –, atitudes heróicas, redenção e rajadas de metralhadoras pra matar um Aedes aegypti. Aqui a vaidade de um ator custou ao filme uma maior linearidade e consisão. Christian Bale foi chamado para viver Marcus Wright, personagem que acabou ficando com Sam Worthington. Bale aceitou o trabalho com a condição de viver John Connor, o líder da Resistência contra a Skynet, mas quando leu o roteiro, percebeu que Marcus era o personagem principal e exigiu mais falas e maior visibilidade em cena, o que provocou os tais problemas de linearidade do filme. O que mais se vê é Bale voando, saltando no mar bravio, lutando. “Eu sou John Connor” volta e meia ecoa no filme. Mas não adiantou. Mesmo passando para um próximo filme – e não duvidem que haja um próximo filme!- Connor é menor que Wright e é do condenado à morte que busca uma segunda chance que se vai lembrar. Bale deu um tiro no pé. E falando nisso e em próximo filme, A Salvação, cuja ação se passa em 2018, no apocalíptico futuro apenas sugerido nos filmes anteriores, nos coloca exatamente no ponto em que nos idos de 1984 começava O Exterminador do Futuro, ainda com Arnold Schwarzenegger como o monossilábico T-800 – que agora volta completamente digital, já que o ator não aceitou participar do filme dadas as suas ocupações como governador da Califórnia – e James Cameron – o idealizador de tudo – na direção. Daí ou temos um roteirista inteligente e criativo (?!) ou a desgraça estará feita. E sem um bom roteiro (e talvez até com um!) McG (As Panteras e As Panteras Detonando) não é Cameron e a Resistência terá uma batalha bem maior e mais inglória do que enfrentar T-800s!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://f.i.uol.com.br/guia/cinema/images/09036261.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 330px; height: 220px;" src="http://f.i.uol.com.br/guia/cinema/images/09036261.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;DÚVIDA&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;(Doubt, EUA, 2008)&lt;/em&gt; é dirigido por John Patrick Shanley, cujo roteiro é uma adaptação da peça teatral de sua autoria, vencedora do Pulitzer e de quatro Tonys, contando agora com cinco indicações para o Oscar. O filme tem um elenco espetacular encabeçado por Meryl Streep e Philip Seymour-Hoffman, protagonistas das melhores sequências de um filme cheio de grandes diálogos, palavras veladas, meias verdades, olhos baixos, enfrentamentos, torneios de força em que o poder está na persuasão enquanto as mãos se ocupam com terços e delicadas xícaras de café.&lt;br /&gt;A irmã Aloysius Beauvier (Streep) é dessas mulheres imbuídas de um objetivo cego do qual não se desvia por mais consistentes sejam as evidências em contrário. Rígida, autoritária, centralizadora, esconde nessa capa de sisudez uma alma fragilizada, cheia de receios e dúvidas. Alertada pela jovem irmã James, vivida pela atriz Amy Adams, natural, numa performance tocante, de um possível assédio contra Donald Miller (o ótimo Joseph Foster),primeiro aluno negro da tradiconal escola St. Nicholas, pelo liberal padre Flynn (Hoffman), a irmã Aloysius inicia uma batalha que vai além de questões raciais, ou sexuais. É uma disputa por poder de alguém que busca uma brecha para se sobressair num 1964 em que ela é constantemente constrangida pelo seu sexo, sua posição na hierarquia religiosa, valores. Destaque para as sequências em que a irmã Aloysius conversa com a mãe do jovem Donald (Viola Davis) cuja linha de raciocínio não cabe no entendimento inflexível da religiosa e no embate final entre Beauvier e o padre Flynn, desses textos que nos pegam tanto pela escrita quanto pela atuação precisa de excelentes atores.&lt;br /&gt;Num filme quase tão silencioso e sombrio quanto os corredores da St. Nicholas, sobram dúvidas: dos personagens, nossas, dos valores de cada um, do que é certo, do que é errado e se há certo e errado. Dúvidas que se espalham como plumas ao vento, impossíveis de serem totalmente resgatadas. Resta-nos manter distância – pretensa isenção –, ou buscar a verdade, custe o que custar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://retratos.files.wordpress.com/2009/01/bashir.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 434px; height: 289px;" src="http://retratos.files.wordpress.com/2009/01/bashir.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;VALSA COM BASHIR&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;(Val sim Bashir, ISR, ALM, FRA, EUA, FIN, SUI, BEL, AUS, 2008)&lt;/em&gt; tem roteiro e direção de Ary Folman. Um semi-documentário de animação que tem como pano de fundo a guerra no Líbano. Bashir é uma referência a Bashir Gemayel, líder miliciano cristão de extrema-direita, opositor de muçulmanos nacionalistas e militantes palestinos, eleito presidente do Líbano e assassinado dois dias antes de tomar posse durante a guerra civil do Líbano, fato que provocou uma violenta cruzada entre os grupos rivais.&lt;br /&gt;Ao ouvir um sonho recorrente do amigo Boaz, parceiro no front, o cineasta Folman percebe que ele mesmo não tem lembranças daquela guerra e decide procurar antigos camaradas e a partir de suas histórias, refazer a sua própria. Misturando recordações e explicações médicas sobre memórias e traumas, Folman vai remontando seu quebra-cabeças, não sem dúvidas, que parecem aumentar a cada nova entrevista, até achar-se no meio de um caos do qual ele tentou fugir seja por culpa, medo, ou simplesmente por não compreender uma guerra que, em essência, não tem explicação.&lt;br /&gt;A narrativa é limpa, linear, objetiva; as histórias se sucedem com crescente intimidade entre quem conta e quem escuta – o que nos inclui. A animação, longe do virtuosismo da Pixar onde grãos de areia e pêlos dançam individualmente ao sabor do vento não é menos impactante. Yoni Goodman utilizou técnicas de animação em Flash, clássicas e 3D para amenizar imagens que, de outra forma, seriam duras demais pra suportar. Como as imagens jornalísticas apresentadas no final do filme e que bem gostaríamos também de apagar e esquecer. Destaque para a sequência inicial, o tal sonho de Boaz, com vinte e seis cães ferozes, e outra, noturna, de uma cidade destruída iluminada por foguetes sinalizadores. De um vigor e uma beleza impressionantes. A trilha sonora de Max Richter é um dos pontos altos de Valsa com Bashir e ouvir “This is Not a Lova Song” dos ingleses do Public Image Ltd. me trouxe umas tantas lembranças e me colocou de alguma maneira dentro daquela busca, por meus particulares anseios.&lt;br /&gt;É muito bom isso de ir atrás de si. Apesar do medo que dá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;12 de junho de 2009 AD&lt;br /&gt;9h00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-973902892326379628?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/973902892326379628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=973902892326379628' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/973902892326379628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/973902892326379628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/06/mutantes-exterminadores-na-duvida-dance.html' title='MUTANTES, EXTERMINADORES... NA DÚVIDA, DANCE.'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-188319587644064052</id><published>2009-06-03T08:49:00.001-03:00</published><updated>2009-06-03T08:53:00.461-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Walter Bandeira'/><title type='text'>QUERO VER VOCÊ VOANDO, QUERO OUVIR VOCÊ CANTANDO.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ZngE4pShE-k/Rz3aOZNpGLI/AAAAAAAAAXA/GlnYCBBwmF4/s400/walter.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 318px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ZngE4pShE-k/Rz3aOZNpGLI/AAAAAAAAAXA/GlnYCBBwmF4/s400/walter.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;02 de junho de 2009. Morre Walter Bandeira.&lt;br /&gt;Suspende-se temporariamente uma das vozes mais características do Pará. Inspiração para uns, deleite para outros, deboche para todos.&lt;br /&gt;Walter é um comunicador. No teatro, rádio, seu projeto de novelas, pinturas e, sobretudo, música, ele deixa uma marca, dessas que ficam feito tatuagem, pra nos dar coragem pra seguir viagem. É claro que há a dor e o sentimento corriqueiro é de perda. Fato que a cultura brasileira fica sem um dos seus mais expressivos representantes, mas sobrevive o legado: o CD a ser lançado, as atividades na Escola de Teatro com rádio-novela, o riso fácil, litros de café, maços de cigarro, conselhos em voz grave, palavras ditas inteiras e compreendidas além; um cantar que vai crescendo e tomando e sempre recebendo os aplausos com uma reverência irreverente. Passado esse momento de susto, é hora de cuidar disso que o Walter não esperaria nada menos. Lembro de encontrá-lo uma madrugada dessas saído de um atendimento médico por hipertensão, pedindo um café. “Pra espertar!”, ele me disse, que tinha muito o que fazer.&lt;br /&gt;Não fui ao velório. Melhor assim pra mim. Fico com a imagem do Walter em frente à Sé, no Auto do Círio do ano passado, bata branca, agarrado num “santo Antonio” de um carro alegórico, preocupado em não cair, mas cantando firme: “Olha lá vai passando a procissão... as pessoas que nela vão passando acreditam nas coisas lá do céu... eles vivem penando aqui na Terra, esperando o que Jesus prometeu. E Jesus prometeu coisa melhor...”. O poeta disse. O Bandeira confirmou.&lt;br /&gt;A gente se vê, Walter, e toma um café que pros lados daí deve ser bem mais encorpado.&lt;br /&gt;Beijos.&lt;br /&gt;Tchau!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;HUDSON ANDRADE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;03 de junho de 2009 AD&lt;br /&gt;8h35&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;crédito da imagem: J. Bosco, cartunista. Lápis de Memória. http://jboscocartuns.blogspot.com/2007/11/walter-bandeira.html&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-188319587644064052?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/188319587644064052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=188319587644064052' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/188319587644064052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/188319587644064052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/06/quero-ver-voce-voando-quero-ouvir-voce.html' title='QUERO VER VOCÊ VOANDO, QUERO OUVIR VOCÊ CANTANDO.'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ZngE4pShE-k/Rz3aOZNpGLI/AAAAAAAAAXA/GlnYCBBwmF4/s72-c/walter.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7436426943181524819</id><published>2009-05-26T12:05:00.003-03:00</published><updated>2009-05-26T12:09:36.565-03:00</updated><title type='text'>EU 20</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.zonalibre.org/blog/limit/archives/azul.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 446px; height: 338px;" src="http://www.zonalibre.org/blog/limit/archives/azul.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;blockquote&gt;Para ouvir ao som de Vuelvo al Sur, de Astor Piazolla e Fernando Solanas.&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era apenas uma vez a cada semana. Um dia apenas. E o dia era aquele.&lt;br /&gt;Eu me coloquei no lugar de sempre e fiquei esperando. E não conseguia sentar ou ler, ou fazer palavras cruzadas e até a música no MP3 parecia que me faria perder a ocasião.&lt;br /&gt;Ele veio vestindo azul. Índigo nas calças, clarinho na camiseta. Óculos escuros que podia ser contra o sol forte, ou o sono interrompido, ou mal dormido. Veio vindo e passou por mim que novamente tinha recuado e não podia ser visto, ou notado. Mas senti o cheiro. O mesmo. Invariável. Em seu passo tranqüilo de mochila nas costas, se foi.&lt;br /&gt;E as onze-horas que desabrochavam encheram de vermelhos, laranjas e amarelos a alameda.&lt;br /&gt;Quanto tempo foi assim? Demais. E porque eu não lhe dizia de mim, não sei. “Só sei que me aturde a vida como um torvelinho, que me arrasta, me arrasta aos teus braços em cega paixão...”* E lá estava eu novamente.&lt;br /&gt;E era aquele o dia, apenas uma vez por semana e tudo me inquietava e dessa vez quando as onze-horas abriram ele ainda não tinha vindo e meu peito se encheu de um não-sei-quê de ausência que sufocava e eu me joguei no banco, baixei a cabeça entre as mãos e, olhos fechados, apoiei os cotovelos nas coxas.&lt;br /&gt;Foi quando senti o perfume. O mesmo. Invariável. E levantando a cabeça dei com ele à minha frente e não pude recuar. Não que eu quisesse. Sei lá.&lt;br /&gt;Ele me olhou e sorriu e disse um oi amistoso, tudo isso talvez porque eu não parasse de olhá-lo e eu sorri e disse um oi e ato contínuo me pus de pé e barrei o seu caminho.&lt;br /&gt;Por muito tempo ninguém disse nada. Verbalmente. Foi ele que quebrou o silêncio com um “Te vejo sempre por aqui” que me deu um calafrio.&lt;br /&gt;- Sempre?! Eu?! – perguntei.&lt;br /&gt;- Sempre! Tu! – Respondeu.&lt;br /&gt;- Queres sentar?&lt;br /&gt;- Eu preciso trabalhar.&lt;br /&gt;Liberei a passagem:&lt;br /&gt;- Claro! Desculpa!&lt;br /&gt;- É só que eu realmente tenho que ir.&lt;br /&gt;- Eu sei...&lt;br /&gt;- O meu tempo é curto...&lt;br /&gt;- Tanta coisa... eu também...&lt;br /&gt;- Mas a gente podia...&lt;br /&gt;- Claro! Claro! Seria ótimo...&lt;br /&gt;- Quando?&lt;br /&gt;- Agora!... Não! Agora não dá...&lt;br /&gt;- É... a gente podia...&lt;br /&gt;Avancei e lhe dei um beijo. Era aquele o dia. Só aquele.&lt;br /&gt;Eu o beijei, ele me beijou. Natural que fosse assim.&lt;br /&gt;- Tens que trabalhar...&lt;br /&gt;- Tenho...&lt;br /&gt;- A gente podia...&lt;br /&gt;- Anota meu número...&lt;br /&gt;- Tem o final de semana...&lt;br /&gt;- Cinema... barzinho...&lt;br /&gt;- Claro! Claro! Seria ótimo...&lt;br /&gt;- Me liga... qualquer hora...&lt;br /&gt;E já não era só um dia ainda que a gente só tivesse um dia, às vezes, pra se ver, que então era aquele o dia, que a gente esperava e fazia ter todo o sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Simplesmente não consigo terminar essa história e isso desde ontem. Quem sabe por que se eu próprio não sei? Nada místico, nenhum mistério. Apenas talvez o pensar que essa história não tem porque acabar.&lt;br /&gt;Publico assim mesmo, pra ver o que vem depois.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;26 de maio de 2009.&lt;br /&gt;11h35&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(*) Traduzido de Pecado, de Carlos Bahr e Pontier Y Francini.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7436426943181524819?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7436426943181524819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7436426943181524819' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7436426943181524819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7436426943181524819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/05/eu-20.html' title='EU 20'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-4951890795228124121</id><published>2009-05-22T16:43:00.004-03:00</published><updated>2009-05-22T16:53:08.732-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário'/><title type='text'>NÓS, NOSSO, VOSSO, TUDO (3): A ARTE DO ATOR EM BELÉM E EM QUALQUER LUGAR DO MUNDO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_cFZKsYNBw_I/SV4PTCfva-I/AAAAAAAABLA/u4pNpQvnaBY/s320/barrosop.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 202px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_cFZKsYNBw_I/SV4PTCfva-I/AAAAAAAABLA/u4pNpQvnaBY/s320/barrosop.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Transcrevo o texto do Adriano Barroso, ator, dramaturgo, direto e roteirista, que coordena o Projeto Outros 5 Anos, da Companhia Teatral Nós Outros. Além de uma opinião sobre a arte do ator, mostra um muito interessante ponto de vista sobre a nossa arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final, preciosas dicas de livros pra quem quer se aventurar nesses mares revoltosos da arte cênica.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.klickeducacao.com.br/Klick_Portal/Enciclopedia/images/Te/6293/2274.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 450px; height: 185px;" src="http://www.klickeducacao.com.br/Klick_Portal/Enciclopedia/images/Te/6293/2274.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na imagem, Téspis, consagrado como o primeiro ator, nas origens gregas do teatro.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada espetáculo novo, em cartaz na cidade, vemos surgir novos atores. Mas será que estão realmente preparados para encarar o palco?&lt;br /&gt;Acredito que o grande trabalho do ator é a inquietação. Nunca há um método 100% seguro para que o ator esteja em cena. Nem deve ter. Atuar é a arte de correr riscos. Pode parecer somente uma frase de efeito, mas quem está sobre o palco com responsabilidade sabe do que estou falando; se um ator se sente totalmente seguro diante de seu personagem, é preciso ligar o sinal de alerta. Não há fôrmas nem fórmulas. Há trabalho.&lt;br /&gt;Existem muitas teorias e métodos de mestres teatrais sobre a arte do ator, ao longo dos tempos eles têm concordado e discordado em muitos princípios, mas, pelo menos, para Stanislasvski, Grotowski e Chaikin, atuar é dividir-se, é dar a luz, trazer a público o que é velado no indivíduo. A representação é um testemunho do ator, que deve fazer um teatro com coisas que façam sentido para ele e para quem o assiste. O trabalho do ator começa com um estudo de sua própria natureza e não, como é comum para os iniciantes, distanciando-se de si mesmo.&lt;br /&gt;O trabalho do ator é um exercício de entrega. Não vou aqui defender algum método de construção de personagem, não. Quero discutir, ou pelo menos, iniciar uma discussão sobre a qualidade e a preparação do ator que freqüenta os palcos de Belém. Como e por quê poderemos formar atores conscientes e responsáveis de seu ofício. &lt;br /&gt;O teatro moderno trouxe para junto do encenador e do ator a figura do dramaturgista, aquele que é responsável por ajudar a “traduzir” o texto literário para a obra cênica.&lt;br /&gt;Em Belém poucos grupos se utilizam dessa figura (um ou outro), isso não significa necessariamente um demérito para quem não a usa. Mas deve significar, necessariamente, mais um atributo para o ator na busca pela perfeita representação do que lhe é proposto. A dramaturgia do texto, da cena, da luz, do corpo do ator é necessária ser compartilhada por todos os que se associaram para edificar um espetáculo.&lt;br /&gt;Não acredito em ator parasita. Aquele que só se alimenta do que lhe é posto na boca, e já mastigado, não é um ator. &lt;br /&gt;O ator é aquele que é treinado para observar, absorver, digerir, experimentar em seu próprio corpo, e representar a realidade que está ao seu redor. A matéria de que se alimenta o ator é tudo. Tudo mesmo. Por isso um ator precisa estar “ligado” 24 horas por dia, atento a todas as informações que lhe chegam por via dos olhos, ouvidos, nariz, boca, extremidades, ou seja lá mais como for. Um trabalhador de teatro não é mais um na multidão - nem que ele queira - É um ser atento, um observador contumaz, um crítico... um ator.&lt;br /&gt;Para tanto é preciso exercício. Não por acaso repeti tanto a palavra ATOR nos parágrafos acima. Quero chamar a atenção ao significado da palavra, aquele que atua, age. Ou, como diz com mais propriedade Patrice Pavis em seu Dicionário de Teatro: “O ator situa-se no próprio cerne do acontecimento teatral. Ele é o vínculo vivo entre o texto do autor, as diretrizes de atuação do encenador e o olhar e a audição do espectador.” Mas os atores não estão só no palco. Todos nós, de uma maneira ou de outra, atuamos.&lt;br /&gt;Se tu ligaste a afirmação acima a aplicar uma mentirinha, ou fingir, de vez em quando, em benefício próprio, estás errado. Redondamente enganado. No teatro, é pecado mortal mentir ao público, uma falta de respeito. Uma atrocidade. Imperdoável! E, infelizmente, esse tem sido o principal engano de muitos novos atores em nossos teatros (tô falando de Belém mesmo).&lt;br /&gt;Muita gente acredita que um bom ator se mede pela sua capacidade de fazer com que os outros acreditem em suas mentiras. Mentira e teatro não rimam. Outros ainda creditam ao ator a chamada “pegação de santo”, alguma entidade, sabe-deus-da-onde, baixa sobre a consciência do infeliz e o joga, durante uma hora e tantos, num estágio de inconsciência sobrenatural levando-o a desempenhar sua função na trama.&lt;br /&gt;Se fosse só isso. Se fosse só decorar um texto, rezar para um santo baixar e subir no palco, não precisaríamos de tanto estudo sobre a arte do ator. A literatura sobre essa matéria é vastíssima, e é dever dos que entram nessa arte a busca pelo combate da ignorância.&lt;br /&gt;A questão mais preocupante que vemos nos últimos tempos é a quantidade de pessoas mal preparadas subindo em nossos palcos. Nem bem se aprende a falar e lá estão eles azucrinando nossos ouvidos a gritar seus textos com a cara vermelha e a jugular estufada. Alguns poucos até vão bem neste ou naquele espetáculo, mas ninguém pode enganar todo mundo todo o tempo. É preciso preparação para estar no palco. Trilhar fase por fase. É uma grande responsabilidade. Ou alguém faz uma operação no primeiro ano de medicina?&lt;br /&gt;Não se pode pular etapas. Um ator se faz passo a passo e dia após dia, ele precisa tomar consciência da expressividade do seu corpo, do registro de sua voz, da qualidade de suas emoções. O trabalho teatral é, sobretudo, o da cooperação, um diretor precisa ter estofo para encabeçar a direção de uma peça e um ator precisa ter um bom repertório para representá-la.&lt;br /&gt;A primeira tarefa para quem deseja entrar nessa arte tão fascinante é procurar um bom orientador. Um ator sem boa formação é tão criminoso quanto um médico sem moral. Não estou aqui para apontar esse ou aquele profissional em Belém como bom ou ruim. Porém, não é tão difícil distinguir o joio do trigo. Qualquer profissional, de qualquer área, se mede pela conduta.&lt;br /&gt;Tenho tido a oportunidade de assistir algumas peças de teatro ultimamente, e mais, tenho tido a oportunidade de conversar com muitos atores da nova safra. E, invariavelmente, tenho tido a oportunidade de me surpreender ante a tanta empáfia aliada à ignorância (essas duas rimam).&lt;br /&gt;Todos querem negar. Todos optam pela experimentação, pela transgressão. Mas sem conhecimento da regra, como vão transgredir? Transgredir o quê? Negar o quê? Arrisco-me a dizer que 80% dessa nova geração de “atores” paraenses nunca leu Stanislavski. E pior, muitos o chamam de ultrapassado. O chamam assim porque só ouviram falar, de muito longe, “naquele negócio de memória emotiva”. Mas nem sabem que o mestre russo nos deixou uma trilogia de livros sobre a arte do ator belíssima. &lt;br /&gt;Se a tragédia grega é chata, Shakespeare já foi muito montado, Brecht já deu o que tinha que dar, Artaud nunca ouvi falar, Grotowski idem, Chaikin ibidem, Barba não me satisfaz; ou vivemos um momento mágico dos pós modernismo, onde estamos próximo de encontrar uma dramaturgia totalmente nova e singular, ou estamos vivendo um momento de puro ócio infértil no teatro paraense (eu fico com a segunda).&lt;br /&gt;Nossa profissão é um negócio muito complicado. Assim como há muita gente responsável e se esmerando mesmo para fazer um teatro competente, há outros tantos aventureiros se utilizando desse veículo atrás de benefício próprio. E no meio dessas duas pontas está uma carrada de pessoas tentando dizer algo através do teatro.&lt;br /&gt;Não é fácil. Nem moleza. Ser ator é quase um sacerdócio (para manter meu tom exagerado) Nem sei porque tanta gente quer ir ao palco no meio de tanta dificuldade que é fazer teatro em Belém. Mas uma coisa é certa, se escolherem o teatro para falar, sejam inteiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A título de informação, aqui vão algumas ferramentas importantes para o ator.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O teatro e seu duplo, &lt;em&gt;Antonin Artaud&lt;/em&gt;. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É uma obra decisiva para a renovação do teatro contemporâneo. Nesse livro, o autor, que também era ator, cenógrafo e encenador, defende um teatro dinâmico, vivo, em busca de uma arte autônoma, repudiando o teatro psicológico ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Teatro e seu espaço, &lt;em&gt;Peter Brook&lt;/em&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Brook distingue a palavra teatro em 4 diferentes significados: teatro morto, teatro sagrado, teatro rústico e teatro imediato. O livro é uma verdadeira aula que ajuda a distinguir o que faz o acontecimento teatral tornar-se algo vivo ou morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em busca de um teatro pobre, &lt;em&gt;Jerzy Grotowski&lt;/em&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Aqui tu vais encontrar uma série de artigos, entrevistas e comentários de encenações. É um livro muito ilustrado que ajudam a entender os exercícios desenvolvidos no seu método de treinamento do ator.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A linguagem da encenação teatral, &lt;em&gt;Jean-Jacques Roubine&lt;/em&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O autor interpreta o fazer teatral setorizando a criação cênica; aqui poderás encontrar capítulo a capítulo o trabalho de cada elemento que compões uma obra cênica, do encenador ao ator, passando pela arquitetura teatral, posição do texto dramático, evolução do espaço cênico, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Improvisação para o ator, &lt;em&gt;Viola Spolin&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É a exposição do sistema de ensino da autora. É uma abordagem da dramatização proposta em forma de problemas a serem desenvolvidos no palco e solucionados durante a atuação. Em seu valor pedagógico dos jogos e as técnicas, utilizados tanto na atividade teatral quanto em várias outras áreas, se assemelha (em importância) ao Teatro do Oprimido de Augusto Boal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Preparação do ator, A construção da personagem, A preparação de um papel e Minha vida na arte, de &lt;em&gt;Constantin Stanislavski&lt;/em&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nesses quatro livros pode-se ter um panorama do pensamentos e das técnicas de um dos maiores atores e encenadores e mestres do teatro mundial. Leituras obrigatórias para quem deseja ser ator. Mesmo que seja para depois negá-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-4951890795228124121?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/4951890795228124121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=4951890795228124121' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/4951890795228124121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/4951890795228124121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/05/nos-nosso-vosso-tudo-4-arte-do-ator-em.html' title='NÓS, NOSSO, VOSSO, TUDO (3): A ARTE DO ATOR EM BELÉM E EM QUALQUER LUGAR DO MUNDO'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_cFZKsYNBw_I/SV4PTCfva-I/AAAAAAAABLA/u4pNpQvnaBY/s72-c/barrosop.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-6877348516514781084</id><published>2009-05-18T17:50:00.002-03:00</published><updated>2009-05-18T17:51:40.938-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Outros 5 Anos.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nós Outros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>NÓS, NOSSO, VOSSO, TUDO (2)</title><content type='html'>“A mim ensinou-me tudo&lt;br /&gt;Ensinou-me a olhar para as cousas (...)”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa / Alberto Caeiro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É. Começou a peneiragem.&lt;br /&gt;Finda a primeira semana de trabalho, as ausências começaram a dizer de quem vai ficar fora desse processo. E a questão não são os compromissos que levaram a faltar, mas a falta em si. Se alguém ainda não se tocou que o negócio aqui é trabalho e trabalho árduo, pode enfiar sua viola no saco e vazar mesmo. Outra: escolhas. Vamos ter que fazê-las nossa vida inteira e doloroso e ruim é não fazê-las e se entristecer e prejudicar o trabalho alheio. Então as duas coisas se juntam, porque se eu tenho isso e aquilo e mesmo que eventualmente eu precise me ausentar, há de se convir que eu não estou inteiro nem aqui nem lá e que escolhas deverão ser feitas para o pleno exercício de um, OU de outro. E o que me for mais necessário, interessante, construtivo, etc, por ora, que receba o meu aval. Isso é honestidade consigo em primeiro lugar e com ou outros, além de uma civilizada demonstração de responsabilidade e respeito.&lt;br /&gt;Claro que este trabalho tem particularidades e podemos flexibilizar em tanto quanto se trata de educação, mas isso tem um limite tolerável.&lt;br /&gt;Não cobramos inscrição nem mensalidade porque há um investimento pessoal na compra de apostilas, livros, ingressos de teatro e até lanche, mas essa gratuidade não significa liberalidade, muito menos desqualificação. Os profissionais que nos orientam são de longa data e larga experiência e nossas atividades são pesquisadas e planejadas. Dispomo-nos, porque exigiremos disponibilidade. Oferecemos qualidade, porque não vamos nos contentar com pouco. E o fruto dessa disciplina, organização e exigência virá a seu tempo, num trabalho limpo, belo, agradável e que ofereça a nós e ao público o deleite de um espetáculo de teatro com “T” maiúsculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;18 de maio de 2009 AD&lt;br /&gt;15h32&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-6877348516514781084?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/6877348516514781084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=6877348516514781084' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6877348516514781084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6877348516514781084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/05/nos-nosso-vosso-tudo-2.html' title='NÓS, NOSSO, VOSSO, TUDO (2)'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-6915512836481010603</id><published>2009-05-18T17:48:00.003-03:00</published><updated>2009-05-18T17:59:27.892-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='justiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='leis.'/><title type='text'>BROCARDOS (11)</title><content type='html'>No último dia 07 o veículo Passat dirigido pelo deputado paranaense Fernando Ribas Carli Filho, 26 anos, voou sobre o Honda Fit em que viajavam Gilmar Rafael Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida. Isso não é uma figura de linguagem. Dada a altíssima velocidade em que trafegava o Sr. Deputado, o carro que avançou um sinal de trânsito sem os devidos cuidados literalmente voou sobre o outro e isso atestam a completa destruição da lataria do Fit em oposição a integridade de seus pneus. Os jovens Gilmar e Murilo não resistiram aos ferimentos. Carli Filho agora está internado em São Paulo e apesar de não apresentar risco de morte, ainda inspira cuidados.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://odia.terra.com.br/portal/brasil/fotos/09/05/12_carro_deputado280x195.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px; height: 195px;" src="http://odia.terra.com.br/portal/brasil/fotos/09/05/12_carro_deputado280x195.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O acidente foi na cidade de Curitiba, onde reside e trabalha o deputado, mas após ter o quadro clínico estabilizado, ele foi transferido para um hospital paulista.&lt;br /&gt;Apesar do relatório de paramédicos e testemunho de funcionários do restaurante onde o Sr. Carli Filho jantou antes do acidente evidenciarem o consumo excessivo de bebida alcoólica, somente após vários dias do ocorrido a justiça determinou o exame de dosagem alcoólica.&lt;br /&gt;Em entrevista ao Fantástico ontem, a mãe do deputado disse, consternada, que se ficar provada a culpa de seu filho, ele responderá totalmente por seus atos.&lt;br /&gt;Seus colegas na câmara afirmam que essa situação é intolerável e que eles tudo farão para que o deputado assuma todas as suas responsabilidades, que por ora só podem ser julgadas por desembargadores locais, dado o foro especial a que o Sr. Carli Filho tem direito.&lt;br /&gt;Agora que duas famílias foram destroçadas e toda uma comunidade se mobiliza contra essa situação vergonhosa, pergunto eu: por que dirigia um automóvel o excelentíssimo Sr. Deputado se sua carteira de habilitação estava irregular e trinta multas de trânsito (igual a 130 pontos na referida certeira) – cinco delas na mesma Av. Monsenhor Ivo Zanlorenzi, onde aconteceu o sinistro – o impediam legalmente de trafegar em via pública? É isso? A lei existe para tolher os desmandos da sociedade, mas a segue quem o quer? A letra por si só encerra todo um código de moral e não há instrumentos que a tornem prática além de multas e possíveis detenções? Qual é o limite que deve chegar a ilegalidade de um cidadão para que ele seja chamado às favas, ou isso depende de que cidadão estamos falando? A justiça conta com instrumentos para localizar e punir os transgressores, mas os inúmeros delitos e os poucos agentes proporcionam que entremos num jogo de azar e sorte para numa incerta os supostos criminosos sejam encontrados? E em encontrando os tais, apesar de todas as evidências, é preciso observar se há ou não culpabilidade, intenção, privilégios? Será possível que o departamento de trânsito não possua um sistema que quantificando essas multas emitisse um documento impeditivo ao Sr. Fernando que o permitisse de forma acintosa e arrogante desprezá-lo, talvez escudado pela sua condição social, econômica e política? Tenho eu e os outros mortais o mesmo direito?&lt;br /&gt;O que matou Gilmar Yared e Carlos Murtilo foi a total ausência de caráter do Sr. Deputado Fernando Ribas Carli Filho, amparada pela falta de educação e valores que agora se diz satisfatória (e vá lá que seja, que quantos recebem pérolas e as deitam aos porcos?!!!), uma certeza de impunidade que se enraizou no brasileiro do mais humilde ao investido em quaisquer públicos poderes; daqueles que, às gargalhadas, jogaram para baixo do tapete persa as multas, propinas, desmandos e bravatas dos seus correligionários; de qualquer governo, em qualquer esfera, e toda instituição que se contenta em escrever leis e não instrumentalizá-las; da conivência de todo aquele que por medo, ou conveniência não atestou, publicou e confirmou tudo o que levaria o caso a bom termo.&lt;br /&gt;Essa piada de mau gosto todo mundo conhece: quando sair do hospital, debilitado e abatido, o deputado precisará de repouso, suporte psicológico, amparo fraterno. O processo, se instaurado, vai levar anos e anos para ser avaliado, julgado e cumprido. E ainda se pode concluir da inocência do réu, ou falta de elementos que o tornem culpado. E assim, daqui há alguns anos, pelas ruas e estradas, ao som do mar e à luz de um céu profundo, o Sr. Carli Filho respirará fundo e rirá de sua boa estrela, um novo mandato e tudo quanto se deve ao digno cidadão brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;18 de maio de 2009 AD&lt;br /&gt;11h05&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-6915512836481010603?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/6915512836481010603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=6915512836481010603' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6915512836481010603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6915512836481010603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/05/brocardos-11.html' title='BROCARDOS (11)'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-4556740914890241539</id><published>2009-05-15T16:10:00.005-03:00</published><updated>2009-05-15T17:18:28.554-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Outros 5 Anos.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nós Outros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>NÓS, NOSSO, VOSSO, TUDO (1)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_P3fNOaoCVkk/R6T7iycYDbI/AAAAAAAAAQM/p3muCnTegDc/s400/o+guardador+de+rebanhos+copy.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 283px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_P3fNOaoCVkk/R6T7iycYDbI/AAAAAAAAAQM/p3muCnTegDc/s400/o+guardador+de+rebanhos+copy.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esta é uma nova sessão, para eu contar da fase 2 de um projeto chamado &lt;strong&gt;Outros 5 Anos&lt;/strong&gt;, que a Companhia Teatral Nós Outros iniciou em 2007, coordenado por Adriano Barroso e Aílson Braga e que gerou Exercício Nº 1: O Homem do Princípio ao Fim e A Comédia dos Erros. Como todo blog, a idéia é fazer um relato do processo de trabalho que, se não diário, será, no mínimo, satisfatório. E absolutamente instigante.&lt;br /&gt;Vamos lá!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dá-me sonhos teus para eu brincar&lt;br /&gt;Até que nasça qualquer dia&lt;br /&gt;Que tu sabes qual é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O Guardador de Rebanhos VIII. Fernando Pessoa / Alberto Caeiro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 12 começamos um novo processo. Igual em 2007 reunimos a boa e velha Nós Outros com sangue novo e bom. Da outra vez foram convites mais particulares e tivemos Mary, Lucas e Ajax, ainda conosco, e o Ives, que tomou outros rumos. Agora batemos o tambor e apareceu gente de todo jeito. Gente boa, bonita e aparentemente disposta. Uns 2, ou 3 a gente já sabe que não vão ficar, por motivos vários. Outros vão durar mais. Alguns eu espero que realmente engrenem, porque serão de grande valia para a CIANO.&lt;br /&gt;O Adriano tratou logo de dar aquele susto inicial – com uma hora de atraso! – dizendo “Eles já sabem a cagada em que se meteram?!” e prosseguiu, resumidamente, com o discurso do que é ser ator, da exigência da disponibilidade, estudo, leitura, exercícios, suor, trabalho, esforço e tantas dores para, no palco, gozar a delícia de fazer teatro. De qualidade. Bom! E a tudo isso o Aílson deu aval e fez-se as 22 horas, o primeiro dia!&lt;br /&gt;E ter todos de volta e de novos; e ver aquele brilho no olhar de quem ainda está encantado e perceber que há tanto a fazer, tanta energia, a velha falta de espaço para trabalharmos digna e confortavelmente, as ausências, as dúvidas e a certeza de que, no final, que não tem quando nem onde a Nós Outros terá novas pernas, braços e um coração juvenil e uma cabeça madura.&lt;br /&gt;O texto antes dessa escrita, do Pessoa (&lt;a href="http://www.releituras.com/fpessoa_guardador.asp"&gt;VEJA COMPLETO&lt;/a&gt;), foi o primeiro exercício que o Aílson passou. Pediu ainda que observássemos crianças respirando. E o Barroso pediu que pesquisássemos sobre Bertold Brecht, autor de Dansen e Quanto Custa o Ferro? nossos novos pré-textos.&lt;br /&gt;Evoé ao teatro que me sangra e que eu amo tanto e no entanto eu...&lt;br /&gt;Aos atores e atrizes, evoé!&lt;br /&gt;O terceiro sinal bateu novamente.&lt;br /&gt;Merda!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;14 de maio de 2009 AD&lt;br /&gt;9h30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRÉDITO DA IMAGEM: Caraca Desenhos (http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://2.bp.blogspot.com/_P3fNOaoCVkk/R6T7iycYDbI/AAAAAAAAAQM/p3muCnTegDc/s400/o%2Bguardador%2Bde%2Brebanhos%2Bcopy.jpg&amp;imgrefurl=http://caracadesenhos.blogspot.com/2008_02_01_archive.html&amp;usg=__VuYwDtI08aaRtiPx6H5FST2uV3A=&amp;h=400&amp;w=283&amp;sz=50&amp;hl=pt-BR&amp;start=20&amp;tbnid=W_7GwhkGgsYH_M:&amp;tbnh=124&amp;tbnw=88&amp;prev=/images%3Fq%3Dguardador%2Bde%2Brebanhos%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-4556740914890241539?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/4556740914890241539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=4556740914890241539' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/4556740914890241539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/4556740914890241539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/05/nos-nosso-vosso-tudo-1.html' title='NÓS, NOSSO, VOSSO, TUDO (1)'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_P3fNOaoCVkk/R6T7iycYDbI/AAAAAAAAAQM/p3muCnTegDc/s72-c/o+guardador+de+rebanhos+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-6510347916770506640</id><published>2009-05-15T16:07:00.002-03:00</published><updated>2009-05-15T16:09:14.877-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte.'/><title type='text'>PALMO EM CIMA</title><content type='html'>&lt;a href="http://betebrito.com/wp-content/fgallery/academico/campo_de_margaridas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 279px;" src="http://betebrito.com/wp-content/fgallery/academico/campo_de_margaridas.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cartas de amor &lt;br /&gt;  Também ficam &lt;strong&gt;Sem Cor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;quando &lt;strong&gt;Sem Perfume &lt;/strong&gt;fica a vida&lt;br /&gt;perde-se o tom, a luz&lt;br /&gt;  como um jardim &lt;strong&gt;Sem Margarida&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Rita Melém)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caio Fernando Abreu, nosso Caio F., é um escritor potencialmente complexo. Difícil? Talvez. Verdadeiro? Totalmente.há na sua escrita uma empatia tal que nos torna cúmplices de seus personagens e idéias. São pessoas que amam, matam, choram, gozam, enfim, vivem, garantindo então essa identificação ao som de Adriana Calcanhoto.&lt;br /&gt;Por isso, para falar de tudo quando Sem Cor, Sem Perfume, Sem Margarida, o mais recente trabalho da Companhia Nós do Teatro quer falar, há e se ter verdade. E se ela existe em Antípodas e Uma História Confusa (os contos de Caio F.) e nos de Neto, como nos versos de Neto, Larissa e Rita Melém, vaga em cena. Falta ao trio de atores uma propriedade cênica que vai além de um bom texto e de um corpo disposto. Benone nos deixa muito à vontade para ver o espetáculo e igualmente deixou seus atores em zonas muito confortáveis. É preciso cuidar de tons muito agudos e fortes ao falar, ou muito baixos – mas não introspectivos –, de dizer do desejo sem o toque óbvio. Há que se dar ao espetáculo todo a mesma graça precisa de quando ao som de Vuelvo aos Sur – o ponto alto do trabalho! – as histórias dos personagens parecem que vão se encaminhar. É preciso assumir o triângulo amoroso e a paixão a que se propuseram.&lt;br /&gt;Sem Cor, Sem Perfume, Sem Margarida tem uma encenação espartana e signos para os quais eu ainda busco sentido, mas o que mais grita para mim mesmo é a falta de precisão dos atores. Precisão que nasce da técnica e que obrigatoriamente precisa extrapolá-la para não ser um arremedo de realidade.&lt;br /&gt;De algum paraíso, junto aos seus dragões, Rodrigues Neto (VER &lt;a href="http://curiadarte.blogspot.com/2008/05/brocardos-1.html"&gt;Brocardos (1)&lt;/a&gt;, um dos fundadores da Nós do Teatro e grande homenageado com este espetáculo, deve estar meditando sobre isso e certamente vai lhes encher a cabeça de borboletas. Muitas. Negras;&lt;br /&gt;Tomara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FICHA TÉCNICA: Sem Cor, Sem Perfume, Sem Margarida. Texto a partir de poemas de Rodriguez Neto e Larissa Latif e de contos de Caio Fernando Abreu e Rodriguez Neto. Com: Jéssica Mirley, Markson de Moraes e Will Júnior. Iluminação: Sônia Lopes, Sonoplastia:Hélio Saraiva, Arte: Jéssica Mirley, Cenografia, figurino e direção: Beto Benone.Teatro Waldemar Henrique, 08, 09 e 10 de maio de 2009, 20h00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;11 de maio de 2009 AD&lt;br /&gt;17h00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-6510347916770506640?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/6510347916770506640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=6510347916770506640' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6510347916770506640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6510347916770506640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/05/palmo-em-cima.html' title='PALMO EM CIMA'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-3228022893798694278</id><published>2009-05-07T11:38:00.002-03:00</published><updated>2009-05-07T11:43:51.776-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dança contemporânea'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte.'/><title type='text'>PORÇÃO DE REFERÊNCIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://img527.imageshack.us/img527/4273/avesso1tv3.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 419px;" src="http://img527.imageshack.us/img527/4273/avesso1tv3.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pegue um punhado de jovens intérpretes ansiosos por criar, acrescente uma boa dose de ousadia (cuidado para não desandar), temperos exóticos, muita carne, suor, mexa tudo vigorosa e constantemente para não empelotar e deixe cozinhar em banho-maria.&lt;br /&gt;O resultado é Repertório Paralelo, que a Companhia Moderno de Dança apresentou nos dias 28, 29 e 30 de abril, no Teatro Waldemar Henrique. Repertório Paralelo é o resultado da experimentação dos integrantes da companhia – apresentados não apenas como bailarinos, mas intérpretes-criadores –, suas teses e estudos e, sobretudo, do trabalho contínuo de amadurecimento técnico e estético coordenados por Gláucio Sapucahy e a coreógrafa Ana Flávia Mendes. Em cena, sentimentos, ações cotidianas, a literatura furiosa de Nelson Rodrigues, as brincadeiras de criança, fotografias, o corpo e a própria dança ressignificados em coreografias solo, duos e trios, culminando com a improvisação final que reuniu toda a companhia em Luz em Cena, trabalho de Tarik Alves que investiga a luz cênica.&lt;br /&gt;Repertório Paralelo não é um espetáculo no sentido estrito da palavra, mas como já se disse, uma experimentação. No entanto, modernamente, esse exercício acaba por se tornar um espetáculo à parte, como bem explicou o professor João de Jesus Paes Loureiro em conversa no final das últimas apresentações. O público então pode observar tanto o percurso criativo quanto o amadurecimento do processo até seu resultado, numa iniciativa que cria vínculos e um público interessado e cativo. Utilizar o Waldemar Henrique é uma grande sacada, porque a casa permite o uso de vários espaços e do mesmo espaço de várias formas.&lt;br /&gt;Em Repertório Paralelo, assim como em Depois de Revelado Nada Mais Muda (ver &lt;a href="http://curiadarte.blogspot.com/2009/04/rabiscos-de-luz.html"&gt;RABISCOS DE LUZ&lt;/a&gt;), existem fortes elementos de outras áreas além da dança: vídeo, teatro, performance; vários setores se alinham na chamada dança contemporânea.Não que ela esteja buscando seu lugar, ou uma afirmação, mas porque ela é isso mesmo,numa tendência cada vez mais crescente de instigar os sentidos, desconstruir e ressignificar (estes próprios, termos altamente batidos atualmente) a dança e a arte em si.&lt;br /&gt;Em três dias de apresentações os intérpretes-criadores da Companhia Moderno de Dança se revezaram em onze coreografias e dois trabalhos em vídeodança, uma modalidade dessa contemporaneidade que utiliza o vídeo e não artistas em cena. Em Repertório Paralelo os dois citados números de vídeodança são absolutamente experimentais e não deveriam ser apresentados ainda. Ok! Se eu não tenho referências suficientes para falar de dança, quanto mais de algo ainda mais recente? No entanto, a impressão que fica ao leigo que assiste não é de algo experimental e/ou em amadurecimento, mas de um trabalho primário e talvez mal feito. É claro que ele deve ser produzido, visto, discutido, refeito e aprimorado, mas isso deve ficar no âmbito da própria companhia até que haja madureza o bastante para trazê-lo à público. Dissecações e Bo(b)as Maneiras, os ditos trabalhos pecam exatamente por essa primariedade e destoam. As demais coreografias mostram diferentes graus de técnica, de bons a ótimos, extremamente criativos e possibilitando interação com a platéia que não se faz de rogada. Destaque para Labirintite, Pequeno Mundo Dilatado, Gesto Sanitário e Panocorpo Circulado. A mim incomoda que numa mesma coreografia não haja uma linearidade musical, ainda que as músicas utilizadas possuam algum encadeamento. Dão idéia de algo fragmentado, prejudicial num trabalho tão curto. Atenção para o figurino: antes de ser bonito ele precisa ser funcional e significante e por mais cotidiano que se queira parecer, a roupa do armário não é a roupa da cena.&lt;br /&gt;Mexa tudo isso forte e constantemente para não empelotar, cozinhe em banho-maria, fogo brando, e quando começar a ferver, dê aquele toque especial que tudo perfuma e nos faz estalar a língua.&lt;br /&gt;Rende três generosas porções. Ou mais.&lt;br /&gt;Sirva quente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FICHA TÉCNICA: Repertório Paralelo. Direção geral: Gláucio Sapucahy e Ana Flávia Mendes. Iluminação e Produção Técnica: Tarik Alves. Teatro Experimental Waldemar Henrique, 28, 29 e 30 de abril de 2009, 20h00.&lt;br /&gt;Coreografias:&lt;br /&gt;CLAVICÓRDIO – Christian Perrotta e Daiane Gasparetto&lt;br /&gt;DISSECAÇÕES (vídeodança) – Ana Flávia Mendes&lt;br /&gt;BO(B)AS MANEIRAS (vídeodança) – Feliciano Marques, Clediciano Cardoso e Márcio Moreira&lt;br /&gt;SOASSIM – Bruna Cruz e Christian Perrotta&lt;br /&gt;TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA – Márcio Moreira, Nelly Brito e Ercy Souza&lt;br /&gt;LABIRINTITE – Daiane Gasparetto&lt;br /&gt;CACO – Bruna Cruz, Christian Perrotta e Ana Paula&lt;br /&gt;REVIRA(E)VOLTA – Andreza Barroso e Wanderlon Cruz&lt;br /&gt;PEQUENO MUNDO DILATADO – Luiza Monteiro e Luiz Thomaz&lt;br /&gt;GESTO SANITÁRIO – Christian Perrotta&lt;br /&gt;PANOCORPO CIRCULADO – Ercy Souza e Luiz Thomaz&lt;br /&gt;COISAS – Nelly Brito e Luiza Monteiro&lt;br /&gt;LUZ EM CENA – Tarik Alves e Companhia Moderno de Dança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;06 de maio de 2009 AD&lt;br /&gt;17h25&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-3228022893798694278?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/3228022893798694278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=3228022893798694278' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3228022893798694278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3228022893798694278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/05/porcao-de-referencia.html' title='PORÇÃO DE REFERÊNCIA'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-1249796127493430722</id><published>2009-05-07T11:20:00.002-03:00</published><updated>2009-05-07T11:23:49.702-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte.'/><title type='text'>ANTES DO TEMPO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_R8LkKSvcN4c/SDmPXY98xhI/AAAAAAAADu0/2LxHSOzJO8w/s400/1+varal.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_R8LkKSvcN4c/SDmPXY98xhI/AAAAAAAADu0/2LxHSOzJO8w/s400/1+varal.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Severa Romana foi escrita em 1968 pelo também escritor e jornalista Nazareno Tourinho e encenada pelaprimeira vez em 1969. Quarenta anos depois a história da moça grávida assassinada quando defendia sua honra volta à cena pela Companhia de Artes Cênicas Fato em Ato. O caso, real, aconteceu em Belém do Pará em 1900. Severa Romana, então com 19 anos, casada com Pedro, militar, era constantemente assediada pelo Cabo Ferreira, transferido do Ceará para nossa capital e que, tendo suas investidas recusadas, mata Severa. O crime comoveu a população e a jovem é até hoje venerada como uma de nossas santas populares. “Os seios de uma mulher são jóia rara”, diz a personagem Joana apresentando bem o ideal de honestidade da sociedade de então e dando testemunho, como em outros momentos, da retidão de caráter de Severa. Talvez essa postura ferrenha e altiva da jovem – mais do que a própria honra – seja o que motiva tantas pessoas a ir à quadra 28 do Cemitério de Santa Izabel pedir-lhe graças.&lt;br /&gt;Antes desses tempos de Lei Maria da Penha – demonstração tardia, mas importantíssima de que a sociedade rejeita agressão tão covarde – o texto de Tourinho já apresentava esse problema hoje tão banal. Não sei se o dramaturgo queria discutir violência contra a mulher, ou apresentar um fato histórico, mas a postura da Fato em Ato de trazer o assunto à baila é de suma importância. Na peça cita-se também o caso de Maria Bárbara, em tudo semelhante ao de Severa, e que o poeta Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, em suas Obras Literárias (1850), descreve em belíssimo soneto*:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se acaso aqui topares, caminhante,&lt;br /&gt;Meu frio corpo já cadáver feito,&lt;br /&gt;Leva piedoso com sentido aspeito&lt;br /&gt;Esta nova ao esposo aflicto, errante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-lhe como de ferro penetrante&lt;br /&gt;Me viste por fiel cravado o peito&lt;br /&gt;Lacerado, insepulto, e já sujeito&lt;br /&gt;O tronco fêo ao corvo altivolante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que d'um monstro inhumano, lhe declara,&lt;br /&gt;A mão cruel me trata desta sorte;&lt;br /&gt;Porém que alívio busque à dor amara,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrando-se que teve uma consorte&lt;br /&gt;Que, por honra da fé que lhe jurara,&lt;br /&gt;A mancha conjugal prefere a morte.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espetáculo Severa Romana parece prematuro. Apesar do tempo de trabalho (mais de um ano) algo nele ainda não está pronto para o palco. É fato que sua encenação e relevância podem lhe garantir – e deve – vida longa e próspera e que o tempo há de se encarregar de deitar azeite em suas juntas, mas por ora lhe falta vigor. Os personagens são estereotipados – no texto e na representação – e apesar de cerca de hora e meia de espetáculo nãos e tem uma curva ascendente que garanta um clímax na platéia. O final da história todo mundo sabe e isso é um grande trunfo. Tornar a platéia cúmplice do vilão, sofrer pela mocinha, agonizar-se, pensar em fazer isso e aquilo. Mas Severa Romana não nos permite isso e alguém à saída do teatro comentava com sua acompanhante que o final deixava a desejar. Deixa! Pior e que pode dar o tom de apenas mais um caso que toda a equipe quer exatamente afirmar-se contra. Os personagens Pedro e Vizinha são dessas caricaturas tão fortes que se tornam risíveis e não se tem por eles qualquer empatia; o cabo Ferreira é a encarnação do Demo. Cínico, debochado, rufião,não dá margem a que se sinta nada por ele além de repulsa e o texto não lhe confere nuances tornando-o tão arrogante que só reforça um Pedro fraco, ridículo e egoísta em sua covardia. Severa deve ser mais do que uma heroína de folhetim. É preciso que sintamos que suas atitudes não são só fruto de criação, ou dos costumes da época – e sua postura sempre assustadiça diz isso –, mas a expressão de seu real caráter. Palmas para Joana, desses personagens tão presentes em Shakespeare e Moliere que dizem e fazem de tudo, tudo vêem, tudo questionam e suas palavras acabam sendo a demonstração da verdade. Palmas sobretudo para a atriz Luíza de Abreu que faz uma Joana absolutamente tranqüila em cena, falando com desenvoltura e gesticulado na medida certa. É maravilhoso e infelizmente cada vez mais raro ver atores e atrizes maduros no palco, dando o fôlego de sua experiência para nós, meros iniciantes.&lt;br /&gt;O figurino de Mestre Nato é belíssimo, mas romântico demais e parece – e efetivamente está – muito novo, limpo e cheirando à alfazema em cena; a cenografia de David Matos, que também assina a direção, é moderna, objetiva e clara; a luz de Sônia Lopes, sempre precisa, ainda que eu ache que aconteçam Black-outs demais.&lt;br /&gt;Colhido antes do tempo, Severa Romana agora vai amadurecer a pulso e não ficará tão doce, ainda que nos alimente. E que sejam muitos e muitos banquetes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FICHA TÉCNICA: Severa Romana. Texto: Nazareno Tourinho. Com: Mônica Alves (Severa Romana), Luíza de Abreu (Joana), Eliana Hazeu (vizinha), Marcelo Pinto (Cabo Ferreira) e Márcio Mourão (Pedro). Partitura corporal: Rutiel Felipe, Figurino: Mestre Nato, Iluminação: Sônia Lopes, Sonoplastia: Armando Hesketh, Fotografia: Simone Machado, Assistente de produção: Aline Chaves, Produção: José Clemente, Assistente de direção: Suely Brito, Cenografia e direção: David Matos.Teatro Margarida Schivazappa, 02 e 03 de maio de 2009, 20h00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;04 de maio de 2009 AD&lt;br /&gt;11h15&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) Disponível em http://blogflanar.blogspot.com/2007/10/o-brasil-tem-uma-nova-beata.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-1249796127493430722?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/1249796127493430722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=1249796127493430722' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1249796127493430722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1249796127493430722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/05/antes-do-tempo.html' title='ANTES DO TEMPO'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_R8LkKSvcN4c/SDmPXY98xhI/AAAAAAAADu0/2LxHSOzJO8w/s72-c/1+varal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-213156586549358715</id><published>2009-04-27T16:52:00.001-03:00</published><updated>2009-04-27T16:55:16.662-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dança'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte.'/><title type='text'>RABISCOS DE LUZ</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SfYNmAQVMLI/AAAAAAAAAEY/6vhQDSJfIQQ/s1600-h/BRACCHI.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SfYNmAQVMLI/AAAAAAAAAEY/6vhQDSJfIQQ/s200/BRACCHI.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329462155594248370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em cartaz no Espaço Cuíra Depois de Revelado Nada Mais Muda, com o bailarino Danilo Bracchi e as atrizes... (?)&lt;br /&gt;Em cartaz no Espaço Cuíra Depois de Revelado Nada Mais Muda, com as atrizes France Moura e Marluce Oliveira e o bailarino ... (!)&lt;br /&gt;Parece confuso? Só à primeira vista. Depois de Revelado Nada Mais Muda é, nas palavras do seu criador e intérprete, Danilo Bracchi, um espetáculo de dança contemporânea. E por que tantos elementos teatrais? Porque a dança contemporânea é isso, assim como as suas referências, enfatiza Bracchi. 10.000 coreógrafos existam e 10.000 danças contemporâneas existiriam, bebendo do balé clássico, dança moderna, jazz, performances, artes circenses e, claro, teatro. Este, segundo Danilo,ainda muito resistente à intromissão das sapatilhas. (E acreditem, eu sei bem o que é isso!)&lt;br /&gt;E que mal há nessa interdisciplinaridade? Nenhum. Não à primeira vista! Troca-se o físico ideal pela disponibilidade corporal; o gesto tecnicamente preciso pela (re) significação do movimento que substitui a palavra e a palavra complemente mãos, braços, peito; a música já não rege 1, 2, 3, 4, vai!, mas entra no espetáculo como água, ora útil, por vezes caudalosa e puxa o corpo que reage e puxa a música que pulsa e tudo move tudo.&lt;br /&gt;O perigo dessa Esfinge é ela devorar mesmo aquele que a decifra. Se a costura não é bem feita tudo fica frouxo e não há propriedade em nada.&lt;br /&gt;Depois de Revelado Nada Mais Muda é o primeiro trabalho da Companhia de Investigação Cênica, resultado da Bolsa de Pesquisa do Instituto de Artes do Pará (IAP) e tem como mote a fotografia. Apresenta um grupo em franco processo de amadurecimento, um cuidado com a preparação de seus intérpretes, com a estrutura cênica do espetáculo. A música de Leonardo Venturieri é autoral e fragmentada como a própria encenação de Bracchi e a mim incomoda que ela pareça querer/poder ser mais sem nunca explodir, contentando-se em ser o que é. A iluminação de Tarik Alves é pontual. Quase um flash. Limpa e precisa. Por vezes cria penumbras que, propositais, ou não, escondem detalhes talvez importantes. Noutros momentos, mergulha a platéia nos rubro-negros das salas de revelação. A luz é, afinal, um quarto personagem dessa trama, representando objetos e personagens, sendo, afinal, luz.&lt;br /&gt;Em cena, Danilo Bracchi, France Moura e Marluce Oliveira não se preocupam em contar uma história, mas sim falar desse processo de aprisionar o tempo em retângulos de papel brilhante, mesclando dança e teatro. É aí que necessitamos mais precisão para que os textos, curtos, algo técnicos, sejam tão cheios de cor e vitalidade quanto os gestos.&lt;br /&gt;Do afinco e talento de seus membros a Companhia de Investigação Cênica vai se firmar e juntar a outros grupos com o Valdete Brito e a Companhia Moderno de Dança, criando novos espaços artísticos, reinventando a dança, reformulando o teatro, sendo antes de tudo, a expressão completa do artista paraense.&lt;br /&gt;Arte é isso: pluralidade.&lt;br /&gt;Arte é isso: única!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SERVIÇO:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Depois de Revelado Nada Mais Muda&lt;/em&gt;. Espaço Cuíra. Dias 01, 02 e 03 de maio de 2009, sempre às 20h00. Ingressos na bilheteria. R$ 20,00. Apoio: Espaço Cuíra (a Companhia de Investigação Cênica é residente neste espaço) e Corpo Pilates. Contatos: Felipe Cortez. 8212 9182.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;27 de abril de 2009 AD&lt;br /&gt;10h20&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-213156586549358715?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/213156586549358715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=213156586549358715' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/213156586549358715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/213156586549358715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/04/rabiscos-de-luz.html' title='RABISCOS DE LUZ'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SfYNmAQVMLI/AAAAAAAAAEY/6vhQDSJfIQQ/s72-c/BRACCHI.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-1425151244870119824</id><published>2009-04-11T10:38:00.000-03:00</published><updated>2009-04-11T10:40:45.433-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cigarro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='saúde pública.'/><title type='text'>BROCARDOS (10)</title><content type='html'>&lt;a href="http://imagem.vilamulher.com.br/temp/orcamento-cigarro-210508.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 560px; height: 420px;" src="http://imagem.vilamulher.com.br/temp/orcamento-cigarro-210508.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como dizem os antigos: A gente cobre um santo e descobre outro. Para amenizar a crise que vai comendo tudo o que encontra e que no Brasil ainda está bem disfarçada (?!) o governo reduziu o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos setores automotivo e de construção. Com isso, deixa de arrecadar, segundo o ministro da fazenda, Guido Mantega, 1,5 bilhão de reais. Santo descoberto, quem paga a conta do prejuízo? A decisão do governo federal foi de aumentar a carga tributária (IPI, PIS, COFINS) sobre os cigarros a partir de primeiro de maio, com encarecimento do produto em torno de 20 a 25%. Para Mantega a decisão é duplamente positiva. Recupera-se o dinheiro perdido e desestimula-se o consumo de cigarros. “É melhor que o fumante sinta no bolso do que nos pulmões”, afirmou o ministro.&lt;br /&gt;Nem vou tentar entender o que significa aumentar daqui e reduzir de lá para compensar de cá o que ali está faltando. Deixo isso pros matemáticos, contadores e políticos cujas contas nunca me parecem racionais. Sobretudo estes últimos.&lt;br /&gt;Mas vejamos na prática. O preço dos cigarros aumenta, mas e daí? Dia desses numa entrevista que me fizeram eu disse que os cigarros não são assim tão venenosos quanto dizem, afinal, completei, os fumantes demoram tanto a morrer! Cruel?! Pode ser! Não mais do que as guimbas, fumaças, beijos amargos e venenos que eles espalham pelo ar. Também não vou entrar nessa seara. Seria chover no molhado. A questão que quero discutir é esse aumento de preço versus desestimulação de consumo. Fumantes são viciados. Dependentes. Eles buscarão o cigarro independente do preço que ele custe, porque fisiologicamente o corpo exigirá isso. Se os preços aumentarem demais, alternativas baratas e certamente mais perigosas aparecerão. Vide o consumo desenfreado de crack. “Quem não pode Nova York vai de Madureira”, canta o Zeca Baleiro. Já existem marcas de cigarro extremamente baratas e é de se questionar sua produção, a qualidade da sua matéria-prima, aditivos e tudo o mais. Esse cenário se repete em outros setores. Todos os de consumo, arriscaria dizer. De medicamentos genéricos, repudiados por alguns, mas a diferença (por vezes de vida e morte) para milhares de assalariados. Eu uso e confio! Passamos por cosméticos, bebidas. Tudo! O mercado precisa atender todas as camadas. A ganância idem! Quando os cigarros estiverem com seu preço elevadíssimo e suas alternativas genéricas começarem a minar pulmões e bolsos de centenas e centenas de brasileiros, o governo federal – e aí não será mais o Sr. Mantega, que estará gozando alguma aposentadoria perpétua em algum lugar gostoso! – terá outro grave problema de saúde pública para resolver.&lt;br /&gt;Que santo então ficará sem sua manta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;11 de abril de 2009 AD&lt;br /&gt;9h50&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-1425151244870119824?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/1425151244870119824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=1425151244870119824' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1425151244870119824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1425151244870119824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/04/brocardos-10.html' title='BROCARDOS (10)'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7043543275217908042</id><published>2009-04-01T16:38:00.001-03:00</published><updated>2009-04-01T16:40:54.590-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='auto-estima'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='saúde.'/><title type='text'>BROCARDOS (09)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SdPDOz7HU9I/AAAAAAAAAEI/o7wFPgzYxw0/s1600-h/RoosterBooster.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 133px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SdPDOz7HU9I/AAAAAAAAAEI/o7wFPgzYxw0/s200/RoosterBooster.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319810244078425042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Agora por apenas 62 reais um dos maiores problemas do homem será resolvido: o tamanho do pau.&lt;br /&gt;É o que garante a empresa norte americana &lt;a href="http://www.mrbusyballs.com/index.php"&gt;Mr. Busyballs&lt;/a&gt;. Alegando que a genitália masculina fica “pouco atrativa” quando exposta ao mar, ou a piscina, ela desenvolveu uma sunga que garante o volume do membro. É a Rooster Booster (algo como “elevador de galo”. Muito forte!!!). O cliente ajusta o tamanho desejado e aí é só se jogar. Ao sair da água, garante os produtores, nenhum ajuste é necessário.&lt;br /&gt;Agora não perde a cena: a menina, ou menino, vê aquela entidade saindo da água. Nossa!!! Chega junto, tudo acertado, sunga no chão... Que decepção! Ou não!&lt;br /&gt;A proposta é iludir o dono do dito. Ele é que se sente incomodado com medidas. Como diria Kid Abelha, “são sempre os mesmos sonhos de quantidade e tamanho...”*&lt;br /&gt;Não vou me ater ao texto tradicional de que o que importa é a performance. Isso é sabido, mas ninguém abre mão de fartura, o que, convenhamos, é muito bom. Comento essa matéria lida ontem num jornal-de-grande-circulação-de-Belém para dizer que somos criaturas insatisfeitas. O tamanho do pau, do peito, da bunda são sempre de menos. As medidas da cintura sempre demais. Quem tem cabelo liso, enrola; quem os tem crespos, alisa; se compridos, cortam. Os curtos ganham apliques; os olhos, lentes. Os pés, saltos. Para os ânimos, aditivos. Contra a timidez, álcool e anfetaminas. Pra não se comprometer, ficar, principalmente na internet, com apelidos exóticos e medidas desmesuradas. Sempre elas!&lt;br /&gt;Só o que não parece ter limite é nossa vaidade e falta de amor-próprio. Para além das necessidades biológicas de uma progênie saudável, nós nos atemos mais ao exterior que degenera do que ao ser que só pode progredir. Não que beleza não seja importante. Claro que é. Assim como saúde e bem estar. A questão é quando de tempo e energia (e dinheiro) despendemos nisso e de que forma. Além do mais, colocamos nossa tranqüilidade nos gostos alheios e nos elevados (e questionáveis) padrões da sociedade e por não atendermos suas expectativas, sofremos.&lt;br /&gt;Que tal lustrarmos as carecas (a minha já consome uns 100 ml de óleo de peroba!), malhar respeitando nosso biótipo, usar sapatos confortáveis? Gozar, mas também dar prazer ao parceiro (a)?&lt;br /&gt;Se tu achas que só pode ser feliz parecendo isso, ou aquilo, vá em frente. Mas o que tu és de verdade, o espelho não mostra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;01 de abril de 2009 AD&lt;br /&gt;16h25&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) Garotos, de Leoni e Paula Toller.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7043543275217908042?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7043543275217908042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7043543275217908042' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7043543275217908042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7043543275217908042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/04/brocardos-09.html' title='BROCARDOS (09)'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SdPDOz7HU9I/AAAAAAAAAEI/o7wFPgzYxw0/s72-c/RoosterBooster.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-1827516429008104568</id><published>2009-03-27T09:38:00.002-03:00</published><updated>2009-03-27T09:41:49.849-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>DE UM FÔLEGO SÓ</title><content type='html'>É assim que a gente assiste 6 Meses Aqui, dos Atores Independentes, a segunda parte de uma trilogia que começou com 3 e que pretende se encerrar no final deste ano, bebendo da mitologia e da filosofia para construir seu drama.&lt;br /&gt;De um só fôlego! Da feita que começa é como enfiar a cabeça numa pia d´agua.os olhos arregalam, a respiração prende, dá uma agonia. Isso é ruim? Não!&lt;br /&gt;Não necessariamente...&lt;br /&gt;O texto, próprio e alheio, está muito bem encadeado e bem dito, ainda que aqui e ali as coisas fiquem meio emboladas e outras, inaudíveis. A falta de acústica no espaço colabora. Este é um problema. Apresentado no Memorial dos Povos Indígenas, no Complexo Ver-O-Rio, 6 Meses Aqui compete com o vai-e-vem de uma platéia deseducada, o brega das barracas, o zum-zum-zum do povo, sirenes, sinetas, buzinas, crianças. A entrada do templo de Jerusalém perde e aí nem Jesus nem chicotadas.&lt;br /&gt;Iracy Vaz e Sandra Perlim, protagonistas deste enredo que fala de gente, de sentimento, de desencontros, separações, sem qualquer romantismo piegas, mas com alguma propriedade e total entrega, estão absolutamente confortáveis. O corpo disposto se dobra em posições que me fazem questionar o porquê praquela cena, que eu entendo dentro de uma proposta de encenação e criação de personagem, mas que pode ser confuso para o público comum, sobretudo o de ocasião, atraído pelo burburinho. Atenção para Sandra, de corpo e alma em cena, e destaque para sua interpretação de um texto de Arnaldo Jabor. Fantástico, lúdico, delicioso!&lt;br /&gt;Não entanto é preciso dizer que 6 Meses Aqui não espetáculo para rua, ainda que não seja para grandes platéias. É bom gozar de alguma intimidade com as pessoas bem pertinho. Algumas referências e, sobretudo, o conteúdo homoerótico do espetáculo pedem um público mais habituado aos jogos cênicos e as (pretensas) verdades que levamos aos palcos. Houve quem se levantasse incomodado (agredido?! Não sei!) e isso é questionável. Não fazemos teatro para nossos pares; fazemos para todos e entregamos nossa arte para que seja pesada pelos valores de cada um. Importante que se diga que não há nada de grotesco, ou leviano. Há apenas o que não é habitual nem devidamente compreendido, ou respeitado.&lt;br /&gt;6 Meses Aqui é uma experiência instigante. Carece de pausas para respiração, curvas mais acima, mais abaixo, nada que lhe tire o mérito.&lt;br /&gt;Não tive a oportunidade de ver 3, mas creio piamente que nesse ritmo, o final dessa história será vertiginoso.&lt;br /&gt;Que seja então uma montanha-russa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;25 de março de 2009 AD&lt;br /&gt;12h45&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SERVIÇO:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6 Meses Aqui – Atores Independentes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dramaturgia e elenco: &lt;strong&gt;Iracy Vaz e Sandra Perlim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Direção: &lt;strong&gt;Maurício Franco e Milton Aires&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Memorial dos Povos Indígenas – Complexo Ver-O-Rio&lt;br /&gt;28 e 29 de março de 2009, às 20h30.&lt;br /&gt;Entrada franca, com rodada de chapéu.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assista a vídeo do espetáculo em  http://www.youtube.com/watch?v=DRVOtOZ4UYs&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-1827516429008104568?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/1827516429008104568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=1827516429008104568' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1827516429008104568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1827516429008104568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/03/de-um-folego-so.html' title='DE UM FÔLEGO SÓ'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-2867981287276163746</id><published>2009-03-23T11:09:00.000-03:00</published><updated>2009-03-23T11:10:07.881-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='violência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='educação.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='armas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Belém'/><title type='text'>BROCARDOS (08)</title><content type='html'>Sábado passado, início da madrugada. Enquanto eu esperava o ingresso numa boate da cidade saiu um senhor de meia idade, longilíneo, voz e gestos tranqüilos, que ao ser questionado pelo segurança sobre seu ticket de saída, respondeu que não havia um, que estava indo embora e que tinha sido destratado pelo estabelecimento. Afirmou ser policial federal e não se submeteria a entregar sua arma para entrar na dita casa. Que seu porte tinha sido conseguido com muito investimento, esforço e treinamento e que não entregaria a qualquer um. O local, afirmou ainda, estava cheio de malandros (?!) e que num incidente precisaria estar armado e se tivesse entregado a arma, que aconteceria? E terminou com uma frase que tenho ouvido bastante de nativos e alienígenas*: “Mas isso é Belém. Temos que dar o desconto porque aqui é Belém!”&lt;br /&gt;Então! Qualquer um que entenda de legislações pode me explicar o que um policial de qualquer esfera faz armado em seus momentos de folga? Se ao sair de casa para o lazer ele continua investido de sua condição oficial e precisará defender os interesses e integridade dos cidadãos ordinários? A mim parece que este senhor já sai prevendo um contratempo, ou utiliza sua condição para garantir vantagens nos lugares a que vai. E não seria o primeiro, o último nem o único!&lt;br /&gt;Segundo. Em caso de um incidente, qual o limite para o uso de recursos extremos? Os seguranças das casas estão orientados (treinados é um sonho distante!) para resolver qualquer perrengue e não portam armas (graças a Deus!) e desarmar os freqüentadores os coloca em pé de igualdade. Logo, qual a necessidade deste senhor de manter-se armado? E se houvesse a necessidade de usar a arma, seu treinamento (sempre tão questionado no país) seria o suficiente para acertar o alvo? E o alvo precisaria ser acertado? E em errando, enquanto seus superiores se desdobrassem em sindicâncias, inquéritos, relatórios, documentos, a vítima (qualquer que seja ela) estaria em algum hospital, ou sob tratamento, às suas próprias custas; ou enterrada, a custos ainda maiores! E ainda se o revólver lhe fosse subtraído, que uso faria dele quem o tomou? Somos / estamos todos reféns da insegurança alastrada por Belém, pelo Estado, pelo Brasil e mundo todo, mas desejamos mesmo assim uma vida habitual, diversão no final no de semana com a família, os amigos. Ninguém quer abrir mão de seus hábitos, mas há que ter limites. O raciocínio deste senhor está, no mínimo, equivocado. Dele e de tantos quantos portam armas, criando para si falsas sensações de segurança. Pareço simplista falando desse jeito, mas não defendo o porte de armas pelo cidadão comum. Falo por mim mesmo. Num momento em que eu visse uma situação de abuso, de violência, quando o sangue me fervesse na cabeça, minhas reações seriam sempre imprevisíveis e armado, eu não seria nada que prestasse! Não vou falar aqui do caos na segurança e na obrigatoriedade estatal de cuidar dessa questão. Não é o meu foco e todos sabemos disso. Questiono a arrogância melíflua dessa presumida autoridade e com isso parto para a última das questões.&lt;br /&gt;Como é que é nossa cidade que justifique esse negócio de “Isso é Belém mesmo!”? Seus detratores estão colaborando efetivamente para mudar esse estado de coisas? Executam diligentemente seus deveres? Respeitam os direitos alheios, seus momentos de repouso, os limites de intensidade sonora, as leis de trânsito, as regras de boa conduta? Os coletivos, espaços públicos, instituições de ensino e religiosas? Ensinam seus filhos o bom convívio, o entendimento das diferenças de dogmas, credos, orientação política, sexuais e pessoais? Exercitam o amor à tolerância, fraternidade, às artes e às letras? Bem educados, quaisquer cidadãos possui valores e parâmetros para julgar o que é certo e podem caminhar livremente sem violar os espaços distintos dos seus, sem essa concepção afetada e pseudo-socialista-moralista de que a sociedade “impõe peias ao livre-arbítrio do povo!”. As leis nos indicam limites e regra nenhuma foi dura o suficiente em lugar nenhum do mundo que impedisse que alguém as violasse. Certamente quem as violou não tinha noção para julgar o que lhe/nos convinha, ou não!&lt;br /&gt;Desarmados de bom senso, armamo-nos de violência e artefatos. E Deus proteja quem cruzar nosso caminho!&lt;br /&gt;(*) Em oposição a indígenas, os naturais de algum lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;23 de março de 2009 AD&lt;br /&gt;9h04&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-2867981287276163746?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/2867981287276163746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=2867981287276163746' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2867981287276163746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2867981287276163746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/03/brocardos-08.html' title='BROCARDOS (08)'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-503229771018714861</id><published>2009-01-27T08:16:00.002-03:00</published><updated>2009-01-27T08:23:54.361-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haikai'/><title type='text'>HAI - LU - CAIS - TWELVE</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Estancam os pés.&lt;br /&gt;No termo da estrada&lt;br /&gt;o precipí - cio.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;26 de janeiro de 2009 AD&lt;br /&gt;11h22&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-503229771018714861?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/503229771018714861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=503229771018714861' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/503229771018714861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/503229771018714861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/hai-lu-cais-twelve.html' title='HAI - LU - CAIS - TWELVE'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-3527885668939774052</id><published>2009-01-26T07:57:00.001-03:00</published><updated>2009-01-26T08:00:21.325-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haikai'/><title type='text'>HAI - LU - CAIS - ELEVEN</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Teu nome: mantra&lt;br /&gt;que na cabeça roda&lt;br /&gt;no peito sangra.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;25 de janeiro de 2009 AD&lt;br /&gt;8h10&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-3527885668939774052?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/3527885668939774052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=3527885668939774052' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3527885668939774052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3527885668939774052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/hai-lu-cais-eleven.html' title='HAI - LU - CAIS - ELEVEN'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7130992786969729118</id><published>2009-01-24T08:08:00.001-03:00</published><updated>2009-01-24T08:10:14.567-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haikai'/><title type='text'>HAI - LU - CAIS - TEN</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ser parte, ser só.&lt;br /&gt;Estar pede tão pouco.&lt;br /&gt;Permita-se ser.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;19 de janeiro de 2009 AD&lt;br /&gt;18h35&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7130992786969729118?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7130992786969729118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7130992786969729118' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7130992786969729118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7130992786969729118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/hai-lu-cais-ten.html' title='HAI - LU - CAIS - TEN'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-505736616413348134</id><published>2009-01-23T08:04:00.002-03:00</published><updated>2009-01-23T08:06:31.782-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haikai'/><title type='text'>HAI - LU - CAIS - NINE</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Razão, coração.&lt;br /&gt;O comando exige.&lt;br /&gt;O medo trava.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;19 de janeiro de 2009 AD&lt;br /&gt;18h31&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-505736616413348134?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/505736616413348134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=505736616413348134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/505736616413348134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/505736616413348134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/hai-lu-cais-nine.html' title='HAI - LU - CAIS - NINE'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-5423314297155001147</id><published>2009-01-22T08:15:00.001-03:00</published><updated>2009-01-22T08:17:41.909-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haikai'/><title type='text'>HAI - LU - CAIS - EIGHT</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Paixão é e não&lt;br /&gt;móvel, furiosa, banal.&lt;br /&gt;Prima centelha.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;19 de janeiro de 2009 AD&lt;br /&gt;18h29&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-5423314297155001147?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/5423314297155001147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=5423314297155001147' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5423314297155001147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5423314297155001147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/hai-lu-cais-eight.html' title='HAI - LU - CAIS - EIGHT'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-2344398972847674654</id><published>2009-01-21T08:22:00.002-03:00</published><updated>2009-01-21T08:24:31.669-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haikai'/><title type='text'>HAI - LU - CAIS - SEVEN</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Mão na mão, outro.&lt;br /&gt;Lábio no lábio, barba.&lt;br /&gt;Uma vez não basta!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;16 de janeiro de 2009 AD&lt;br /&gt;17h22&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-2344398972847674654?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/2344398972847674654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=2344398972847674654' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2344398972847674654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2344398972847674654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/hai-lu-cais-seven.html' title='HAI - LU - CAIS - SEVEN'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-3931305610487888188</id><published>2009-01-20T08:17:00.001-03:00</published><updated>2009-01-20T08:19:27.464-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haikai'/><title type='text'>HAI - LU - CAIS - SIX</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O rio que corre.&lt;br /&gt;Desejo é segredo&lt;br /&gt;marginal tesão.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;16 de janeiro de 2009 AD&lt;br /&gt;17h17&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-3931305610487888188?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/3931305610487888188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=3931305610487888188' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3931305610487888188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3931305610487888188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/hai-lu-cais-six.html' title='HAI - LU - CAIS - SIX'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7467131157591109251</id><published>2009-01-19T08:09:00.001-03:00</published><updated>2009-01-19T08:11:25.535-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haikai'/><title type='text'>HAI - LU - CAIS - FIVE</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Trança desfeita.&lt;br /&gt;Sedoso velo marrom&lt;br /&gt;outros pensares.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;16 de janeiro de 2009 AD&lt;br /&gt;17h00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7467131157591109251?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7467131157591109251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7467131157591109251' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7467131157591109251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7467131157591109251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/hai-lu-cais-five.html' title='HAI - LU - CAIS - FIVE'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-5511595554253611188</id><published>2009-01-18T09:46:00.002-03:00</published><updated>2009-01-18T09:49:28.211-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haikai'/><title type='text'>HAI - LU - CAIS - FOUR</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Mar esmeralda&lt;br /&gt;introvertido âmbar&lt;br /&gt;naufraga e ri.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;16 de janeiro de 2009&lt;br /&gt;16h29&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-5511595554253611188?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/5511595554253611188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=5511595554253611188' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5511595554253611188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5511595554253611188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/hai-lu-cais-four.html' title='HAI - LU - CAIS - FOUR'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-1473509354928955060</id><published>2009-01-17T08:10:00.001-03:00</published><updated>2009-01-17T08:12:31.950-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haikai'/><title type='text'>HAI - LU - CAIS - THREE</title><content type='html'>&lt;strong&gt;No anel do teu&lt;br /&gt;cabelo o sol, suor,&lt;br /&gt;teu corpo em pêlo.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;15 de janeiro de 2009 AD&lt;br /&gt;15h00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-1473509354928955060?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/1473509354928955060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=1473509354928955060' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1473509354928955060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/1473509354928955060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/hai-lu-cais-three.html' title='HAI - LU - CAIS - THREE'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-3304120401812904559</id><published>2009-01-16T08:30:00.003-03:00</published><updated>2009-01-16T08:36:34.045-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haikai'/><title type='text'>HAI - LU - CAIS - TWO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Teu medo é o lacre&lt;br /&gt;dessa cova gris&lt;br /&gt;que a minha luz lambe.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;15 de janeiro de 2009.&lt;br /&gt;14h15&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-3304120401812904559?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/3304120401812904559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=3304120401812904559' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3304120401812904559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3304120401812904559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/hai-lu-cais-two.html' title='HAI - LU - CAIS - TWO'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-5688068401663995854</id><published>2009-01-15T14:47:00.004-03:00</published><updated>2009-01-15T15:33:50.837-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haikai'/><title type='text'>HAI - LU - CAIS - ONE</title><content type='html'>03 a 14 de janeiro de 2009. Por 12 dias minha alegria pendeu numa teia de aranha (e eu nem gosto desse bicho!).&lt;br /&gt;Quis a Vida (ela?!) que 2 caminhos traçassem paralelos.&lt;br /&gt;Pelo que poderia ter sido e não será e pelo que será diverso do que eu (nós) desejo (amos), 12 haikais, um para cada desses dias de ansiosa dúvida e felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: os haikais são poemas de origem japonesa que chegaram ao Brasil no início do século XX. São exercícios de concisão e sobriedade, sem obrigatoriedade de rima e título, divididos em três versos de, respectivamente, 5, 7 e 5 sílabas. Tradicionalmente fazem referência à natureza (diferente da natureza humana, ainda que aceite o ser humano como integrante dessa natureza), refere-se a um evento particular e não generalizações e apresenta este evento "acontecendo agora".&lt;br /&gt;Ao ser transcrito para outras línguas, ganhou certas liberdades de estilo, sem nunca perder o laço com sua forma original. Aqui, um exercício de quem é apaixonado pela palavra e abusado por nascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teu quarto escuro&lt;br /&gt;pode florescer&lt;br /&gt;lírio, trigo, joio.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;15 de janeiro de 2009&lt;br /&gt;12h39&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-5688068401663995854?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/5688068401663995854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=5688068401663995854' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5688068401663995854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/5688068401663995854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/hai-lu-cais-one.html' title='HAI - LU - CAIS - ONE'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-2769311675291326159</id><published>2009-01-10T10:37:00.002-03:00</published><updated>2009-01-10T10:38:42.800-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dança'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>dançAmemóRiaTEatro (Parte II)</title><content type='html'>O indutor de Ronald Bergman é sua origem. O de Miguel Santa Brígida é sua paixão. A dança do Mestre-sala e da Porta-bandeira é uma instalação coreográfica. Artes plásticas no figurino de Eduardo Wagner que vai desnudando os atores no persurso inverso até a origem dessa peculiar dança consagrada pelo carnaval, aqui mesmo em Belém, com a mesma paixão, garra e elegância que caracterizam o institucionalizado carnaval carioca. Plástica ainda nas bandeiras e cetros e demais adereços cheios de símbolos. Teatro na poesia dos textos de Flávio Negrão e Carol Pabiq e no retorno à cena de Miguel Santa Brígida que interfere, branco e prata, com cheiros, serpentinas e cores. É música nos sambas de enredo e é claro, dança.&lt;br /&gt;O trio em cena é coeso, mas falta maior precisão nas trocas de roupa e algumas marcas que ainda estão marcas. Falta precisão nas falas. Sobra a alegria momesca, o gingado, a irreverência que nos enche de vontade de também estar em cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, mas não menos importante, Iracema Voa, que Ester Sá construiu a partir de citações, histórias e músicas de e sobre Iracema Oliveira: cantora, atriz de rádio, cinema e televisão e que agora dirige o Pássaro Tucano e as pastorinhas Filhas de Sião; memória viva da arte em Belém. Foi emocionante compartilhar a platéia com essa mulher lúcida e festiva e com Ester, que conta histórias, canta e dá vida (ou seria toma a vida?) a artista para recriá-la e recriar-se, fazendo do teatro o veículo. O espetáculo começa com uma exposição fotográfica, passa pela contação de histórias, tem música ao vivo e gravada, interage com o público e envolve a todos e é impossível à própria atriz e a nós não se emocionar às lágrimas. Ester tem um talento especial para fazer vozes e personagens, para nos fazer rir e contou com o apoio de uma grande equipe onde destacamos a luz de Sônia Lopes, as vozes de Paulo Marat, Pauliane Banhos e o grande cenário-figurino-relicário de Mestre Nato, artista das antigas e ainda em plena e talentosa atividade.&lt;br /&gt;Penso que enquanto recorte poderíamos ter menos informações - ou conduzí-las em imagens, canções, etc -, o que reduziria um pouco o tempo do espetáculo e lhe daria mais dinamismo. Entendo a vontade de contar tudo, de falar muito e a própria Ester me dizia da preocupação em interpretar alguém ainda vivo e que a observaria. Como ser ela? A atriz não cedeu à tentação de ser Iracema; ela é a Iracema pelo filtro de outra mulher com toda uma bagagem própria de experiências. E assim ganhamos todos. Flores. Que a Arte semeie nas nossas vidas e que nos é devido regar, multiplicar e distribuir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;17 de dezembro de 2008 AD&lt;br /&gt;16h30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vaqueiro (a), substantivo: (01) Aquele que vai no vácuo dos outros para ingressar sem custo em festas, teatros, cinemas, jantares, caronas, etc...; (02) cara de pau... Vixe! A lista é extensa!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-2769311675291326159?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/2769311675291326159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=2769311675291326159' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2769311675291326159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2769311675291326159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/danamemriateatro-parte-ii.html' title='dançAmemóRiaTEatro (Parte II)'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-3529414693044249308</id><published>2009-01-10T10:37:00.001-03:00</published><updated>2009-01-10T10:37:49.362-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dança'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>dançAmemóRiaTEatro</title><content type='html'>Em dezembro de 2008 o Instituto de Artes do Pará (IAP) promoveu o Circuito das Artes, apresentando o resultado de suas bolsas de pesquisa envolvendo artes cênicas (dança e teatro), musicais, plásticas, audiovisuais, literárias e de expressão da identidade. Um incentivo à produção artística local e que leva ao público totalmente de graça (para alegria dos vaqueiros* de plantão!) espetáculos nos mais diversos ambientes do IAP.&lt;br /&gt;Do bafafá generalizado que ouvi dos muitos trabalhos, pude assistir quatro, resultados de amigos queridos e, acima de tudo, profissioais das artes cênicas: o ator e bailarino Ronald Bergman, o diretor e novamente ator Miguel Santa Brígida e a atriz, cantora, diretora e dramaturga Ester Sá. Três trabalhos absolutamente distintos, inscritos oficialmente em bolsas de dança (os dois primeiros) e teatro, cujos resultados são a mostra de uma arte plural e ousada que rompe os tênues e vaidosos limites entre as diferentes formas de expressão.&lt;br /&gt;Assisti ainda Muragens - Crônicas de um muro, animação em 2D sobre o cotidiano do entorno do Cemitério da Soledade, de Andrei Miralha. Sobre o cimento e o limo do cemitério, feirantes, amantes, ladrões, moradores de rua, crianças, desfilam seu dia-a-dia, seus imprevistos, o trabalho exaustivo e diário que não prescinde da sesta quando o calor aumenta e por poucos instantes a alma voa livre. Trabalho de excelente qualidade, poeticamente construído e maravilhosamente musicado. Tomara vare mundo!!&lt;br /&gt;Teatro é um ou mais atores em cena, dando falas e executando marcas? Dança são bailarinos, ou dançarinos em coreografias que expressam sem palavras o que se quer dizer? E contar histórias de vidas alheias? Em que categoria encaixar os rodopios do Mestre-sala e sua Porta-bandeira? e se eles falarem, isso é teatro?&lt;br /&gt;Dinamismo e inconformismo devem ser palavras sempre presentes no artista e todos os grandes (não necessariamente bons nem sempre belos!) gênios foram os que subverteram a ordem das coisas e provocaram olhares diferentes sobre o óbvio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As próprias origens e a sabedoria e cultura popular inspiraram Negra Memória, experimentação cênica em dança de Ronald Bergman. A sala de dança do IAP se transformou num labirinto escuro onde na procura de um preto retinto e tinhoso, Bergman encontra a religião afro, seus sincretismo, o açoite, a cachaça, a dança, o banzo de seus antepassados e o colo materno, porto seguro.&lt;br /&gt;Acompanhado de registros sonoros  gravados e música ao vivo o ator-bailarino avança no claro-escuro que é tanto a cena quando seu resultado inscrito em dança mas que se utiliza da poética da fala - ponto que precisa ser amadurecido. &lt;br /&gt;Negra Memória é uma celebração do Si, convidando todos a descansar a cabeça no colo da mãe África-útero-Arte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-3529414693044249308?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/3529414693044249308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=3529414693044249308' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3529414693044249308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3529414693044249308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/danamemriateatro.html' title='dançAmemóRiaTEatro'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-3466317354319512907</id><published>2009-01-08T16:23:00.005-03:00</published><updated>2009-01-08T16:50:12.695-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>EU 19</title><content type='html'>&lt;a href="http://gallery.photo.net/photo/6521267-md.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 679px; height: 683px;" src="http://gallery.photo.net/photo/6521267-md.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Aceitei o turno da noite com a gratidão de um refugiado. Chegava com o sol se pondo,quase uma hora antes do expediente e saía no azul-marinho-azul-celeste das primeiras horas. Protegido pelos óculos escuros, seguia para casa e depois de um banho frio, dormia até que o estômago reclamasse de fome.&lt;br /&gt;Pelos bons serviços prestados, uma transferência para horário mais confortável. Recusei. Primeiro pensou-se em preguiça de topar com o entra-e-sai de gente na empresa, mas isso não parecia coerente. Então veio a suspeita da desonestidade. Averiguações feitas, nada de errado, exigi uma retratação do encarregado perante meus colegas de trabalho que eu não iria amargar a pecha de supeito nem de vítima. Ele se recusou. Então eu saio. Simples assim. Mas fiquei, uma vez que bons funcionários são tão difíceis de conquistar. Mas cá entre nós, segredou o diretor, por que diabos queres esse turno tão puxado? Gosto da noite. Simples assim!&lt;br /&gt;Três anos e lá estava eu, o matinta-pereira, como os colegas brincavam. Só falta pedir fumo, completavam. Mas eu não fumava. Éramos eu, uma boa garrafa de café preto, forte, quente, meio amargo e o breu, o silêncio, as sombras que pregavam peças das quais eu ria bem voltando pra casa. Carnaval, Semana Santa, Círio de Nazaré, Natal, Ano Novo. Quantas vezes eu de boamente troquei minhas folgas pela diversão alheia?&lt;br /&gt;No quarto e sala aos domingos, ouvindo fossas antigas, mudava o sofá-cama de lugar, arrumava as revistas na mesinha de palha-da-costa, meus santinhos na prateleira de metal e cozinhava macarrão, sempre com alguma receita nova copiada da TV de, sei lá, 15 polegadas, ou da internet do cyber da esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite biologicamente convida ao sono e mesmo tendo dormido o dia inteiro, tinha horas em que os olhos pesavam e eu acordava já com a cabeça pra bater nos joelhos ou no tampo da mesa. Daí eu levantava, tomava café e fazia uma ronda. São tantas horas e tudo está bem, eu gritava brincando, ouvindo minha voz bater nos corredores vazios e penumbrosos.&lt;br /&gt;Foi num espantar de cochilo desses que eu vi a sombra. Negra, como lhe convêm, silenciosa e esquiva como devem ser as sombras. E fugidia quando o olhar se fixa onde ela estava. Acostumado ao vazio, dei um pulo derrubando mesa, cadeira e café, a mão imediatamente no revólver. À frente, um longo corredor que ia bebendo a luz da minha sala nas suas salas vazias.&lt;br /&gt;Caí numa gargalhada nervosa e me recompus, mas não dormi mais a noite toda. Fui para casa com uma sensação estranha, ainda que não sendo dado a superstições. Banho frio, sono. Desencanei.&lt;br /&gt;Mas no outro dia e no seguinte e no outro ainda, lá estava novamente a sombra de pé, estática, fosse no corredor principal, no refeitório, no vestiário, atrás da minha mesa, às duas, às cinco. Não dormia mais. Passava as madrugadas vasculhando os cantos com uma lanterna, a mão ridiculamente no cabo do revólver, os ouvidos atentos para os quais quaisquer ruídos viravam passos, portas abrindo, trincos. Percebi então que a cada noite a minha negra companheira aparecia em um local cada vez mais distante da minha sala, como que tentando que eu a seguisse, até que eu cheguei ao velho depósito do qual nem eu tinha as chaves. Ao olhar pelo buraco da fechadura antiga, um vento gelado pareceu sussurar meu nome. Eriçado, corri de volta e lavei demoradamente o rosto na pia do banheiro, acendi todas as luzes, pus a arma sobre a mesa, queimei a língua com café. Pela manhã estava destruído.&lt;br /&gt;Ainda assim falei com funcionários antigos, fucei anotações, fui à sede do jornal local e mesmo ao cartório: Nenhum acidente, ou vítima, ou catástrofe. O prédio fora erguido onde antes havia uma floricultura que fechou depois que os donos voltaram para Holambra.&lt;br /&gt;Naquela noite eu apaguei novamente as lâmpadas, empunhei a lanterna e segui o longo corredor, o silêncio e a penumbra criando fantasias na cabeça. Em frente ao velho depósito, parei. O cadeado era antigo,mas resistente, a porta estava chaveada; as dobradiças pareciam ainda mais velhas do que a madeira do caixilho. De súbito, meti o pé na porta, arrancando-a dos seus encaixes. Entrei tateando um interruptor que não acendeu luz alguma. Com a lanterna, vasculhei o espaço. Vazio. Completamente vazio. Foi ao virar para a porta que eu a vi, desenhada contra a luz mortiça do corredor. Dei um grito, recuei dois passos e deixei cair a lanterna que apagou assim como as lâmpadas de fora.&lt;br /&gt;Na completa escuridão, com o coração aos saltos e a respiração curta, tateava à procura da lanterna e da saída. Então a mão suave de alguém tocou a minha. Fiquei imóvel, mas nem pensei em reagir ao toque. A despeito da completa ausência de luz, o rosto era plenamente visível - os traços finos, lábios carnudos, olhos brilhando com uma paixão incontida. De pé frente à frente senti um ardor no peito tão forte que foi impossível não chorar. Aquela mão macia tocou meu rosto e seus lábios sorriram tudo.&lt;br /&gt;E com um som de besouros as luzes do corredor se acenderam, piscando, e a lanterna iluminou meus pés. Da minha negra sombra nem sinal.&lt;br /&gt;E um vazio foi tomando meu coração que até há pouco transbordava de algo bom.&lt;br /&gt;Caminhei até a porta, recoloquei-a nos caixilhos como pude deixando a luz do corredor lá fora. Pensei sentir um leve roçar no meu ombro direito e com força exagerada quebrei a lanterna contra a parede.&lt;br /&gt;E uma noite calma e plena me tomou inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hudson Andrade&lt;br /&gt;07 de janeiro de 2009 AD&lt;br /&gt;17h30&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-3466317354319512907?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/3466317354319512907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=3466317354319512907' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3466317354319512907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3466317354319512907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/eu-19.html' title='EU 19'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-747792865391179707</id><published>2009-01-05T16:13:00.000-03:00</published><updated>2009-01-05T16:14:25.883-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resultados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>A MÃO E A LUVA (parte II)</title><content type='html'>Belém, um dia, um mês, 2008 é uma construção coletiva por excelência. Dividiram a direção Olinda Charone, Cesário Augusto e Miguel Santa Brígida, cada um imprimindo seus próprios registros na encenação do espetáculo, com destaque para o Teatro do Movimento de Santa Brígida escavado no corpo do elenco e em imagens utilizadas em outros espetáculos (próprios e da Escola), perigosamente repetidos.&lt;br /&gt;Como todo espetáculo dessa natureza o resultado é irregular, variando com o ator e com a cena na qual ele está inserido. Todos precisam ter seu espaço e devem utilizá-lo com afeto, tendo por sua vez a direção o cuidado de dividir esse bolo em fatias mais ou menos generosas, conforme o rendimento individual e o efeito que se deseja obter. O produto no caso é muito bom: musical, delicado, emocional, apaixonado, melancólico, engraçado e, sobretudo, prazeroso para quem assiste e para quem executa.&lt;br /&gt;Calçando delicadas luvas a direção ordenou essa sempre complicada colcha de retalhos e costurou tudo com precisão. As falhas estão no exagero de algumas atuações – que os entendidos chamariam de overacting –,na obviedade de outros – que são bons no que fazem, mas seriam melhores no terreno movediço do desconhecido –, no texto panfletário e raso de muitos e em um ou dois toques de mediocridade. O enorme elenco (mais de dez pra mim é um pesadelo!), no entanto, parece coeso e consciente do que estão propondo a partir da idéia central do espetáculo construído sobre sentimentos e impressões dos próprios atores num exercício que certamente exigiu doses quimioterápicas de confiança e cumplicidade.&lt;br /&gt;Fugindo também da caixa preta, Belém... nos levou a um MABE (Museu de Arte de Belém) belíssimo, sob um céu cobalto e fresco, numa acústica impressionante.&lt;br /&gt;É pena que esses trabalhos raramente retornem. A dificuldade de reunir novamente o elenco, entre outras questões inviabilizam essas remontagens.&lt;br /&gt;Parabéns aos diretores de Paraíso Perdido e Belém, um dia, um mês, 2008 por extrapolarem os espaços cênicos desta cidade que insiste em se fechar em si mesma como se já tivesse de si o bastante.&lt;br /&gt;Parabéns aqueles cuja visão alcança além das suas mesas de gabinete e percebe que preservação passa por cuidado e cuidado nasce do conhecimento que faz com que eu crie laços e carinhos com os espaços que me cercam.&lt;br /&gt;Parabéns aos que foram para a cena, mesmos os que jamais serão atores ou atrizes. Valeu a ousadia, mas esse, como qualquer outro oficio, exige muito mais do que vontade de fazer.&lt;br /&gt;Os dois espetáculos também foram resultado das turmas de cenografia da ETDUFPA que recebe os parabéns por expandir seus trabalhos tablado afora.&lt;br /&gt;Apenas soaram os três toques. Merda!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;15 de dezembro de 2008.&lt;br /&gt;12h45&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-747792865391179707?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/747792865391179707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=747792865391179707' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/747792865391179707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/747792865391179707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/mo-e-luva-parte-ii.html' title='A MÃO E A LUVA (parte II)'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-3324780877994764216</id><published>2009-01-05T16:12:00.000-03:00</published><updated>2009-01-05T16:13:12.965-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resultados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>A MÃO E A LUVA</title><content type='html'>Final de ano e a Escola de Teatro e Dança da UFPA apresenta o resultado de seus cursos e oficinas. Dos tantos trabalhos apresentados assisti dois: Paraíso Perdido, dos alunos de teatro juvenil e Belém, um dia, um mês, 2008, da turma do segundo ano 2008 do curso de formação de atores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paraíso Perdido foi apresentado em novembro passado. Baseado na obra de John Milton e dirigido por Cláudio de Melo, o espetáculo reuniu um elenco extremamente jovem e para contar a história de um anjo que vem à Terra, propôs utilizar um dos locais mais bonitos de Belém, o Cemitério da Soledade. Simbolicamente o uso desse espaço que remete à morte queria dizer, às avessas, do nascimento humano desse anjo, assim como do surgimento de mais um grupo de atores. Mas a ousadia pára por aí. Noves fora as dificuldades de cessão do espaço – na ainda atrasada mentalidade local de que é melhor deixar apodrecer e cair do que utilizar – e de questões com o público desacostumado ao uso de locais não convencionais e o ingresso em quaisquer lugares com cadeiras não numeradas (aquela correria desembestada e grosseira pela primeira fila, para quem não entendeu!), o soledade foi, quando muito, uma moldura. E que moldura! Enquanto um cordão de isolamento humano barrava o acesso à área da apresentação, caminhei um pouco entre os túmulos com um milhão de imagens na cabeça para aquele início de espetáculo que não poderia ser menos do que a proposta do espaço. No entanto a encenação citada poderia ter sido feita em qualquer cemitério, na própria ETDUFPA e mesmo em qualquer teatro. Valeu por ter quebrado aquele silêncio todo e abrir portas para novas tentativas.&lt;br /&gt;Quanto a encenação há dois pontos principais a ser considerados. Primeiro, a imaturidade dos atores e, segundo, a mão pesada da direção. Falo imaturidade de tudo: do teatro, da vida, da formação acadêmica e ate mesmo de valores. De formação para entender para que servem pontos e vírgulas; do teatro pela postura, pela fala, pelas intenções; de vida e de valores para perceber a profundidade filosófica e as implicações do texto do Milton. Claro que estou sendo generalista e reconheço que há exceções. Boas, fruto de talento e dedicação de uma arte que carece tanto de exercício físico quanto intelectual em porções superlativas. Infelizmente talento não é tudo, sequer o princípio, mas e um bom caminho.&lt;br /&gt;A direção: Cláudio de Melo deveria ter optado por outro texto, pra começo de conversa. A grande questão envolvendo essa opção é exatamente a imaturidade supra citada do elenco. Quer dizer que para atores jovens eu deva dar sempre água com açúcar e textos medíocres? Nada disso! Mas para grandes passos, longas pernas e esse elenco em particular teria rendido muito mais em outra proposta. E teriam rendido muito mai com – sem trocadilho! – mais asas. Optando por um modelo de direção mais rígido, Melo acabou tolhendo seus atores que por sua vez não tinham conteúdo para contrapropor. Paraíso Perdido cai num formato carente de real ousadia e do qual o teatro contemporâneo busca fugir de forma até meio exagerada, caindo para o extremo oposto onde talvez nem o diretor saiba dizer o que quis dizer. Diretor, aliás, é o adjetivo que realmente cabe nesse contexto e que seria adequado a um grupo mais experiente e por que não dizer, mais tradicional.&lt;br /&gt;Aqueles meninos e meninas devem guardar essa experiência com carinho, cientes de que elas representam um primeiro passo num longo aprendizado. É evidente o esforço feito nessa empreitada e minhas palavras irão certamente contra suas impressões pessoais quanto ao resultado obtido. Tomara! Assim eles não desistirão,mas espero que eles realmente pensem sobre o assunto e invistam pesado na sua construção cênica, voltando quem sabe aquele cemitério e aquele paraíso com propriedade e sem medo da queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;15 de dezembro de 2008.&lt;br /&gt;11h30&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-3324780877994764216?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/3324780877994764216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=3324780877994764216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3324780877994764216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/3324780877994764216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2009/01/mo-e-luva.html' title='A MÃO E A LUVA'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-2613325930798871894</id><published>2008-12-31T08:45:00.003-03:00</published><updated>2008-12-31T08:50:32.812-03:00</updated><title type='text'>BROCARDOS (07)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://alegrao.files.wordpress.com/2006/10/salvador_dali.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 450px; height: 365px;" src="http://alegrao.files.wordpress.com/2006/10/salvador_dali.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;As horas, os dias são uma invenção do Homem.&lt;br /&gt;Os 366 dias que compõem 2008 são nossa tentativa de controlar o incontrolável: o Tempo!&lt;br /&gt;Aliás, essa é a maior marca dos nossos desencontros, das nossas ansiedades: o desejo de controle. De pôr rédeas aos outros, às nossas necessidades, colocar o cabresto nos desejos alheios, cercear o tempo, limitar as coisas e querer que a banda toque por uma pauta nossa, mesmo que a melodia resulte dissonante.&lt;br /&gt;Ainda não aprendemos que o outro é melhor se livre e que ainda que por caminhos tortuosos, melhor é que ele se vá do que atrelado a nós, definhe.&lt;br /&gt;Ainda não descobrimos o tamanho das nossas pernas e continuamos a colocar nossas “necessidades” no topo mais alto, onde por vezes estão os de fulano e de sicrano, ícones da modernidade, que alguém determinou como gabarito.&lt;br /&gt;E nesse turbilhão nos vemos escravizados por aquele que tentamos controlar, o Tempo, pois na ânsia de ser senhor ocupamos nossas horas com o alheio e deixamos de viver, de aprender, dormir, fazer sexo, comer adequadamente, exercitarmo-nos, escrever um e-mail (até mesmo uma carta, por que não?!), corrigir os deveres dos pequenos, olhá-los de longe e ver que já não são tão pequenos assim, curtir um bom filme e principalmente um bom espetáculo teatral, curtir a música, dançar por uma coreografia torta, mas pessoal, comprar tomates frescos na feira, tomar açaí gelado, dormir. Ao final das 24 horas, ficamos com a sensação de que faltou tanta coisa e que nosso cansaço é o maior que existe e já nos angustiamos com o dia seguinte, prenúncio de novos dissabores.&lt;br /&gt;Mas o tempo continua inexorável. Amanhã, 01 de janeiro de 2009, o dia começará exatamente como hoje, o último de 2008, com a Terra tendo dado a volta sobre si mesma, tornando este lado do mundo aos raios do Astro-Rei. Estaremos um dia mais velhos, mais experientes, teremos morrido um pouco mais diriam os pessimistas e continuaremos vivos, deste, ou do outro lado da vida.&lt;br /&gt;Das tradicionais resoluções que tomaremos para 2009 que tal incluir uma nova diretriz? O de tentar controlar apenas a nós mesmos. Regular nossos horários, assumir realmente as responsabilidades que tomamos para nós, ir, ficar, casar, estudar as novas (e para mim nem tão boas) regras ortográficas, comprar roupas novas, fazer um curso de qualquer coisa, aprender estenografia, ou mandarim. O que quer que façamos, façamos por nós. Apaziguados assim perceberemos que o outro não é lá tão lerdo nem apressado demais, que ele não é tão guloso assim, ou dorme tanto; que eu posso correr, mas o outro apenas caminhar. Entender o limite do outro e assumir o que é seu. Respirar isso, diria um bom amigo.&lt;br /&gt;Um ciclo humano de dias se encerra hoje numa invenção também humana de 24 horas.&lt;br /&gt;Fechemos esse ciclo. Aproveitemos o que foi bom, avaliemos o que não foi e não o joguemos pra baixo do tapete que isso também é aprendizado.&lt;br /&gt;Amanhã tem mais um dia dos 365 que tornarão 2009 um ano ímpar, sem qualquer trocadilho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;Belém, Pará, 31 de dezembro de 2008.&lt;br /&gt;8h40&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-2613325930798871894?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/2613325930798871894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=2613325930798871894' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2613325930798871894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2613325930798871894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2008/12/brocardos-07.html' title='BROCARDOS (07)'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-6505928156849240275</id><published>2008-12-13T11:44:00.003-03:00</published><updated>2008-12-13T11:50:49.455-03:00</updated><title type='text'>EU 18</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://lh5.ggpht.com/ffernando.gonzalez/SB-qWnLzxsI/AAAAAAAAAMg/fbAzehAzV0s/vassoura.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 330px; height: 440px;" src="http://lh5.ggpht.com/ffernando.gonzalez/SB-qWnLzxsI/AAAAAAAAAMg/fbAzehAzV0s/vassoura.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ele era o zelador. Tinha outros adjetivos e substantivos. Nada significativo.&lt;br /&gt;Estava lá quando chegávamos, ia e vinha enquanto estávamos, mas eu nunca tinha reparado que ele permanecia quando saíamos.&lt;br /&gt;Até aquela noite.&lt;br /&gt;Inconformado com o que eu considerava uma performance medíocre, ficara no camarim até ouvir  última porta bater e diante do espelho iluminado buscava o tom que me igualaria aos companheiros de cena. Sozinho, no entanto, eu apenas repetia falas.&lt;br /&gt;Irritado, joguei o texto sobre a bancada espalhando maquiagem e um copo com água inadvertidamente esquecido. Sequei tudo com papel-toalha e pragas, arrumando depois com esmero os lápis, sombras, pancakes, esponjas.&lt;br /&gt;Foi ao passar pelas coxias que eu vi o zelador. Acendera um foco branco sobre si mesmo, círculo perfeito, e com sua vassoura fazia a cena que tanto me inquietava. Seu corpo se movimentava pequeno e preciso, nenhum gesto fora do lugar. A destra segurava a vassoura com força, o braço tensionado, mas sem apertar o cabo, ou amassar os pêlos contra o chão. A outra mão num gesto congelado de quem se despede, permanecia no ar. Seguia com a fala e descia o corpo, sentando-se por fim e depondo a vassoura no colo, descendo finalmente a mão para acariciar a madeira tosca, levando-a depois para o chão, usando-a como apoio para o corpo que descia mais ou menos lento, subindo rápido, descendo novamente. Por fim deitou-se, a parceira de trabalho (e agora de cena) ao lado. Respirou profundamente três vezes e movimentando apenas os lábios, terminou as falas.&lt;br /&gt;Para si mesmo murmurou vivas e aplausos. Levantou-se solene e solene ergueu sua companheira inclinando-se ambos para as cadeiras vazias. Lágrimas nos olhos, não resisti ao aplauso. Ele me olhou apavorado como se pego no maior dos crimes e depois de balbuciar um “...o senhor me desculpe... eu não tive a intenção...” sumiu na escuridão do teatro e eu não consegui encontrá-lo em lugar algum. Queria lhe dizer da minha admiração e que ele tivera toda a intenção sim. Lembrava-o agora parado e atento por trás das panadas. Vira-o dançar com a vassoura, mas creditara a varrição do muito pó. Ouvira-o murmurar e atribuíra ao cansaço, à aporrinhação.&lt;br /&gt;No dia seguinte, deitado ao lado da minha parceira, Black-out, ouvi os aplausos ruidosos da platéia. Enquanto agradecíamos perfilados, apontei para as coxias e fiz uma mesura. Ninguém entendeu.&lt;br /&gt;O zelador foi mais para o fundo e sumiu na escuridão e eu não o encontrei mais na saída do teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;11 de dezembro de 2008, 12h43. Revisado em 13 de dezembro de 2008, 11h40.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-6505928156849240275?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/6505928156849240275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=6505928156849240275' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6505928156849240275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6505928156849240275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2008/12/eu-18.html' title='EU 18'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/ffernando.gonzalez/SB-qWnLzxsI/AAAAAAAAAMg/fbAzehAzV0s/s72-c/vassoura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-2349107886995129755</id><published>2008-12-06T10:19:00.002-03:00</published><updated>2008-12-06T10:34:47.028-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ingresso'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>BROCARDOS (06)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.fabiocampana.com.br/wp-content/uploads/2008/08/32.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 303px;" src="http://www.fabiocampana.com.br/wp-content/uploads/2008/08/32.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A situação é muito simples. Chega o final do mês e tu diligentemente te encaminhas para o Departamento de Pessoal, recebes o contra-cheque (ou holerite, ou envelopinho, enfim...), assinas e ao devolver ao encarregado, devolves também o dinheiro que te foi oferecido. “Não, muito obrigado. Isso não é necessário!”, saindo logo depois feliz e sorridente para mais uma jornada de oito horas.&lt;br /&gt;Essa situação é irreal até mesmo em Dubai e ninguém em sã consciência, ninguém, repito, sequer sonhou em tomar essa atitude. No entanto, é exatamente o que querem que eu faça: que eu trabalhe, me esforce, use meu tempo, meu físico, minha mente, enfrente engarrafamentos, falta de transporte público, de infra-estrutura, de apoio, de vergonha e ao final de tudo ofereça “de grátis” o meu produto!&lt;br /&gt;Deixa eu ser mais claro. Sou ator. Tenho uma companhia de teatro. Temos toda uma rotina de preparação e ensaios e tudo o mais quando estamos numa nova montagem, numa remontagem, pesquisando um novo projeto, etc. Nenhuma produção leva um mês, dois, pra ficar pronta e mesmo quando algumas estréiam precisam continuar a ser buriladas para um resultado mais interessante. São muitas horas de atividade e poucas de sono! Não reclamo, não. É o que gosto de fazer. É o que digo que sei fazer e faço porque acredito e porque quero. Agora queres me ver descer das tamancas, tufar a veia do pescoço como diz um grande e querido amigo, é quando ao convidar alguém para a apresentação que levou toda essa novela pra acontecer a criatura diz: Tem de pagar? Ou pior: Tens cortesia, ou convite? Ou pior ainda: Arranja duas entradas aí que eu vou levar uma pessoa comigo!&lt;br /&gt;Puta que o pariu! Só consigo pensar em mandar o sujeito (a) tomar onde o sol não bate! E não é piada da figura, não! É seríssimo!  E se ofende quando eu digo que o ingresso é tanto! E em Belém o ingresso mais caro cobrado por um espetáculo local é R$ 20,00 (vinte reais). Um pouco mais que um ingresso de cinema, penso, que faz tempo que não vou a uma sessão. Sete, ou oito cervejas sem tira-gosto, uma pizza escrota, 10% de um abadá para os três dias de Pará Folia. A maioria dos ingressos custa mesmo R$ 10,00 (dez reais), menos de 1/6 do ingresso de Dona Flor e Seus Dois Maridos que lotou o Theatro da Paz no primeiro final de semana de novembro e que ganhou ainda três sessões extras. O motivo? Atores globais e a bunda do Marcelo Faria (e talvez algo mais!). Não vi o espetáculo e não posso julgar seus méritos, mas posso questionar essa eterna sensação de que a grama do vizinho é mais verde! E nem são meus vizinhos. Os caras ficam lá pra baixo e nem sabem que a gente existe e que produzimos espetáculos de excelente qualidade. Levo em consideração, claro, que pra trazer uma produção dessas pra esse fim de mundo é um osso duro de roer. A equipe, os cenários, equipamentos, elenco. E não dá pra vir de bonde. É pelo céu mesmo. Some-se a isso o aluguel do teatro, alimentação, etc... soma-se dois, caiu um, veio sete, noves fora e o preço é esse mesmo! E talvez nem seja o preço justo!&lt;br /&gt;Alguém já tentou alugar um teatro em Belém? Quem já tentou sabe as dificuldades. E não é só grana, mas a falta de equipamentos, técnicos, disposição, respeito. A administração desses locais (de alguns pelo menos) não entendem sequer o que estão fazendo ali.  Acham que eu posso entrar no teatro no dia da minha apresentação, algumas horas antes, montar tudo, ensaiar num espaço novo e ao final de tudo ter cerca de 90 minutos pra botar tudo nas costas e liberar o espaço. Acha pouco. É só pagar mais. No Da Paz a hora de ensaio custa (custava, sei lá!) R$ 500,00 e tem uma hoje, outra daqui dois dias, depois mais uma semana, sendo uma de tarde e as outras de manhã. Pergunto: quem determinou isso conhece a dinâmica de ensaio de uma peça teatral? Claro que não. Age como um mau administrador que visa apenas o lucro com o uso do espaço e está naquela cadeira só porque alguém botou.&lt;br /&gt;Daí euzinho quero levar meu espetáculo pra lá, mas ele não se encaixa nos padrões elevadíssimos da nossa maior casa de espetáculos. A bunda do Faria e o carão da Carol Castro cabem! Então eu tento levar pra outro teatro, do governo, e caio numa fila enorme porque outros como eu estão querendo a mesma coisa. E é justo que queiram! Última alternativa, um teatro pequeno, mas particular: se eu pagá-lo, não tenho figurino nem luz nem nem, porque não tenho apoio que banca isso tudo. Se eu insistir e jogar todo esse bolo, contabilizar, ratear, dividir, enxugar, apertar, meu ingresso vai custar uns R$ 50,00. Isso pra não ter lucro!&lt;br /&gt;Aí vem a criatura e diz: Tudo isso?! Qual é o nome do grupo de vocês mesmo? Vocês já se apresentaram fora daqui? Tá, eu acho que vou no domingo! E sai pra tomar sete, ou oito cervejas sem tira-gosto. Ou comer uma pizza escrota!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-2349107886995129755?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/2349107886995129755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=2349107886995129755' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2349107886995129755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/2349107886995129755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2008/12/brocardos-06.html' title='BROCARDOS (06)'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-6394371588804280781</id><published>2008-11-12T10:34:00.003-03:00</published><updated>2008-11-12T10:44:13.626-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio de Janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>EU 17</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SRrdX8osswI/AAAAAAAAACA/H7AH45JN3Bk/s1600-h/005.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SRrdX8osswI/AAAAAAAAACA/H7AH45JN3Bk/s320/005.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5267766117646775042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Colo o nariz na janela do quarto do hotel. Prédio antiquado, limpo e arrumado. Uma construção, um estacionamento, uma barraca de camelô, um ponto de ônibus. E o Cristo Redentor, lá longe, encarapitado no seu morro temporariamente inacessível.&lt;br /&gt;O medo da cidade desconhecida tinha sumido. Nem maravilhosa nem Babilônia nem quarenta graus nem indiferente. Tomei uma média com pão rances, almocei batata frita, jantei sopa de cebola, trabalhei, atravessei ruas, cruzei arcos, via praia de longe, o pecado de perto, trabalhei, dancei, ri, mas não chorei (o que é de se estranhar!).Peguei sol, trabalhei, tomei chuva. O Cristo,lá de longe, sumiu no meio da cerração.&lt;br /&gt;Ao meu lado sempre tinha um bom amigo, o que dava alegria e reconforto. Mas a cidade não me reconhecia como eu era. Podia passar despercebido entre os nativos sem sotaque, cabeça chata ou cor de pele que merecesse um olhar mais atento. Isso me deixava mais seguro. Andava com desenvoltura certo que a má-fé não me pegaria desprevenido. O Cristo Redentor (Que horror! Que lindo!) nunca me olhou de frente.&lt;br /&gt;E fui sumindo. É! Sumindo! Desaparecendo, ficando invisível! Notei isso a primeira vez quando pensei terem retirado o espelho do elevador social. Olhando a superfície polida sem me ver de volta tive um frio na espinha e depois um leve sorriso nervoso de que a pessoa esta prejudicando um julgamento. Quando desci, o rapaz de roupa social e mochila nas costas não retribuiu meu cumprimento. E todos tinham sido tão educados até agora, pensei! Na rua nenhuma diferença. Todos iam, vinham, davam encontrões e sequer se desculpavam. Desci a Rua da Carioca, entrei no metrô e ninguém me atendeu para vender o cartão. Os outros passavam à frente, não atendiam meus protestos. O tempo foi passando e eu fui me estressando. Bati no balcão, soquei o vidro. A moça e o rapazola de chinelo e bermudão recuaram assustados. Ela chamou o segurança. Ele se foi sob protestos. Eu também não me vi no espelho do guichê. Saí dali, pulei a catraca, entrei no vagão quando a porta abriu para os outros e me encolhi no ladinho da porta. Desci correndo, morrendo de fome, medo e dúvida. No restaurante do hotel, outro espelho e a certeza de que deixara de existir para os outros. No começo até que foi divertido: no banheiro um hóspede cubano oferecia o pau pro garçom de aliança no dedo esquerdo, sem notar minha presença nem quando a luz acendeu automaticamente à minha passagem; no décimo segundo andar comi o almoço deixado sobre uma mesa no corredor; assustei a camareira gorda do sétimo que fugiu com dificuldades, assisti um ou dois filmes e na igreja apaguei velas com sopros fortes, bailando entre os candelabros alterando ritmos e formas. Foi quando o padre jogou água benta na minha direção e eu não senti as gotas que percebi que aquilo estava ficando sério demais. Eu não era visto e logo não seria mais sentido. Voltei para o hotel. No caminho o Cristo, sempre de lado, recebia o brilho de um sol dourado.&lt;br /&gt;Tomei as malas com dificuldade, joguei-as num táxi amarelinho e como não seria atendido pelo motorista, tirei-lhe calmamente as chaves, entrei no carro e saí, tomando o cuidado de fechar os vidros peliculados. Dirigia com cuidado e olhava para o retrovisor para ver se nenhuma viatura me seguia. Na linha vermelha, ao olhar pelo espelho, vi uma leve sombra de mim e quanto mais me afastava da cidade mais essa sombra ganhava contornos, cores e tons. No check-in a moça me deu a passagem com um olhar de estranhamento fixo em mim. O que era pior, meu Deus? Não ser visto, ou aquele olhar que misturava medo e curiosidade? Suspirei aliviado quando o comissário de bordo sorriu e disse boa tarde, senhor!&lt;br /&gt;O avião subiu e o que eu vi do Cristo foram luzes e frágeis contornos. E luzinhas, como um grande bolo de aniversário, ou um cruzeiro no dia de finados. Outra bebida, senhor? Perguntou a jovem loura e uniformizada. Sim, água, por favor!&lt;br /&gt;Indo, ou voltando, quis saber a senhora cheia de livros ao meu lado. Voltando! Respondi. Bom, não?! Ela sorriu. Muito!&lt;br /&gt;E reclinei a poltrona.&lt;br /&gt;Muito!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;11 de novembro de 2008.&lt;br /&gt;12h30&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-6394371588804280781?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/6394371588804280781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=6394371588804280781' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6394371588804280781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/6394371588804280781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2008/11/eu-17.html' title='EU 17'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SRrdX8osswI/AAAAAAAAACA/H7AH45JN3Bk/s72-c/005.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-9200279398859703307</id><published>2008-10-21T16:53:00.002-03:00</published><updated>2008-10-21T16:57:19.461-03:00</updated><title type='text'>BROCARDOS (05)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.camalleon.com/application/modules/tacchini/static/img/gd_logo_doacao0.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://www.camalleon.com/application/modules/tacchini/static/img/gd_logo_doacao0.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É nos momentos de grandes dificuldades que se revelam as mais nobres almas.&lt;br /&gt;Depois de dias de terror, horas de expectativa, Eloá Cristina Pimentel chega ao fim de sua curta vida. Apenas 15 dos nossos anos, cortados pela imaturidade de uns, pela ineficiência de outros. Isso agora acaba não sendo assim tão relevante. A jovem de Santo André se foi. Sua mãe, Ana Cristina Pimentel, no entanto, tendo todos os motivos para movimentar-se em desespero, ódio, revolta, mantêm uma calma e serenidade invejáveis, perdoa o causador da morte da sua filha e, exemplo maior, doa os órgãos de Eloá para transplante. Sete pessoas, entre elas uma paraense, têm uma nova chance de vida, com qualidade e possibilidades.&lt;br /&gt;Já disse aqui antes que não entendo de leis. Repito. Falo, como também já afirmei, pelo que sinto.para casos extremos, medidas extremas e a fila de doentes esperando transplantes é, para mim, caso de saúde pública. Setenta mil, segundo o presidente de Associação Brasileira para Transplante de Órgãos (ABTO), ontem, 20 de outubro de 2008, durante entrevista ao Jornal da Globo. Desses, alguns correm risco de morte; a paraense que recebeu o coração de Eloá esperou 16 dos seus 39 anos por este transplante. Setenta mil pessoas que esperam pela solidariedade de poucos. Quantos não permitem a doação de seus órgãos pelo egoísmo de enterrar o corpo sem “mutilação”? quantos identificam suas RGs como NÃO DOADOR DE ORGÃOS E TECIDOS por medo, desinformação, preconceito, descaso? E para quê? Para não violar uma embalagem. Para deixar se desagregue uma casca tão relevante como tempo quanto uma fotografia, ou um objeto pessoal.&lt;br /&gt;Pode ser duro falar assim, mas eu acredito que deveria haver obrigatoriedade para doação de órgãos, ao menos um por pessoa. A solidariedade é muito mais digna e bonita,mas enquanto setenta mil pessoas agonizam não há solidariedade certa! Somos obrigados a votar. Somos obrigados a prestar o serviço militar. Por que não ser obrigado a doar o que não nos servirá mais? Diz o Espírito Emmanuel – mentor espiritual do médium mineiro Chico Xavier – que as boas ações começam pela obrigação, passam pela conscientização, até se tornarem espontâneas. Seria um processo de aprendizagem, temporário, até que se entendesse que vale o corpo mais do que a roupa.&lt;br /&gt;Parabéns a D. Ana, mulher valorosíssima. Nossas orações a Eloá, que mais este gesto lhe seja levado em conta em sua nova vida. Nossas orações a Nayara Silva, amiga de Eloá, por sua pronta recuperação. Que coragem nunca lhe falte. Nossas orações ao Lindemberg Alves que não foi ensinado, ou não aprendeu o valor do não. Nossas preces ao Lindemberg, este, agora, o mais necessitado de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;Belém, Pará, 21 de outubro de 2008.&lt;br /&gt;16h30&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-9200279398859703307?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/9200279398859703307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=9200279398859703307' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/9200279398859703307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/9200279398859703307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2008/10/brocardos-05.html' title='BROCARDOS (05)'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-814701883763373070</id><published>2008-10-18T10:11:00.000-03:00</published><updated>2008-10-18T10:13:34.000-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Homossexualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cuíra'/><title type='text'>É SÓ SENTIR O VENTO FLUIR...</title><content type='html'>...sentar, relaxar e rir. Quando a Sorte te Solta um Cisne na Noite (cisnÊ e não cisnEM) é a nova produção do Cuíra, direção de Wlad Lima e Karine Jansen, premiado com o Myriam Muniz, da FUNARTE e que entrou em cartaz no último dia 17 de outubro.&lt;br /&gt;Até novembro, todas as noites de sexta, sábado e domingo serão cinza, prata e preto. Algum branco. Meia maquiagem, música, a alegria e o deboche característico de quem decidiu nadar contra a corrente e dar a cara à tapa pra amar e gozar com quem lhe é semelhante.&lt;br /&gt;Com dramaturgia de Edyr Proença, Quando a sorte... é um espetáculo gay. Retrata em quadros os amores, os desencontros, a solidão, a culpa, a festa, os relacionamentos bem, ou mal resolvidos, os choques – com o outro, consigo –, um jeito de ser que não permite meios termos. O espetáculo também não vai te dar essa opção. Vais gostar, ou não vais gostar. Odiar? Nunca! A diversão é garantida, até alguma identificação. Dá pra pensar em um monte de coisas e até rever alguns conceitos, ou reforçá-los.&lt;br /&gt;No entanto a dramaturgia é exatamente o ponto delicado do espetáculo. Uns textos têm um quê de panfletário, outros ficam nas margens daquilo que se quer dizer sem nunca ir lá no fundo. Todos precisavam dizer mais. Ou menos. E deixar a encenação resolver as coisas como faz em muitos momentos. Em Quando a Sorte... as imagens são muito mais contundentes. O espetáculo começa pra cima, convidando à festa e à dança. O público quer bater palmas (e bate mesmo!), subir no palco (eu queria!), balancê! A cena imediatamente seguinte é dessas em que basta o que se vê: incisiva, dura, um tapa que logo depois é soprado com mais luz e bandalheira. E assim vamos, pra cima e pra baixo, uma gangorra estranha, mas deliciosa. Às vezes o problema do texto nem é o texto em si, mas ser mal dito. Noutros, atores mais experimentados acabam presos numa laçada curta. Os quadros que compõem o espetáculo são criados em cima de uma linha mestra e se resolvem em si mesmos, mas por não conversarem com os demais, deixam uma sensação de incompletude, ou de excesso, como os shows de transformistas numa boate. De repente a idéia é até essa. Por que não?!&lt;br /&gt;O figurino de Maurício Franco é objetivo, bonito, confortável. A luz que se esperaria excessiva, colorida, é pontual, porque ser gay é viver sempre na sombra, uma espécie de segredo guardado cuidadosamente numa Ana Maria que a gente só vê no espelho do banheiro.&lt;br /&gt;Quem sair do Espaço Cuíra depois de Quando a Sorte te Solta um Cisne na Noite (cisnÊ, meus amores, não cisnEM!) vai cantarolando “Tomorrow, tomorrow, I will survive...” até em casa. Ou vai emendar, que dá vontade de esticar a noite na caça dessa ave de canto raro, que parece nunca ter uma nota sequer pra quem decidiu nadar contra a corrente e dar a cara à tapa amando e gozando com quem lhe é semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Viado só dá o cú porque é cú que tem que dar mesmo. Se desse buceta não &lt;br /&gt;seria viado. Daí, que graça teria?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SERVIÇO:&lt;br /&gt;Quando a Sorte te Solta um Cisne na Noite.&lt;br /&gt;Músicas e Dramaturgia: Edyr Proença&lt;br /&gt;Músicas cantadas por Walter Bandeira, Marco Monteiro e Nilson Chaves&lt;br /&gt;Produção executiva: Zé Charone&lt;br /&gt;Direção: Wlad Lima e Karine Jansen&lt;br /&gt;Elenco: Olinda Charone, Paulo Marat, André Mardock, Ronald Bergman, Roma Muniz, Fábio Tavares, Wanderley Lima, Maurício Franco, Thiago Ferradaes, Michel Amorim, Rafael Cabral, Ícaro Gaya e Lucas Gouvêa. &lt;br /&gt;No Espaço Cuíra (Riachuelo com Primeiro de Março), de 17 de outubro a novembro de 2008, sextas e sábados às 21 horas, domingo às 20 horas.&lt;br /&gt;Ingressos: R$ 20,00&lt;br /&gt;Veja imagens no You Tube: http://br.youtube.com/watch?v=jboZZD2geVw&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;Belém, Pará, 18 de outubro de 2008. 10h15.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-814701883763373070?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/814701883763373070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=814701883763373070' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/814701883763373070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/814701883763373070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2008/10/s-sentir-o-vento-fluir.html' title='É SÓ SENTIR O VENTO FLUIR...'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-262782869416744771</id><published>2008-09-19T16:28:00.001-03:00</published><updated>2008-09-19T16:30:31.776-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='olimpíadas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><title type='text'>BROCARDOS (05)</title><content type='html'>Agora dá pra falar de Olimpíadas, já que somente no último dia 17 terminaram as competições para atletas com deficiência. Toda a pompa e circunstância ficam com os atletas “normais”, os super-humanos que têm a missão de elevar seus países à categoria de potências esportivas e servir de propaganda para a superioridade desse ou daquele povo.&lt;br /&gt;Os Jogos Olímpicos de 2008 aconteceram em Pequim, na China, de 06 a 24 de agosto. As paraolimpíadas aconteceram de 06 a 17 de setembro de 2008. Naquela, grandes delegações, maiores quanto mais rico o país que as enviou. Investimentos altíssimos, alta tecnologia de tecidos a materiais antiderrapantes. Grandes cobranças. Nas paraolimpíadas é o inverso. Países mais pobres, os emergentes, mandaram delegações muito maiores do que os seus primos ricos, que reduziram suas equipes em média pela metade. Isso pode ser compreendido, segundo a Organização Mundial de Saúde, pelo grande número de pessoas com deficiência nos países em desenvolvimento, vítimas da ineficiência no combate a doenças como a poliomielite e por amputações causadas por conflitos armados. O Brasil enviou 200 atletas que competiram em 25 modalidades nestes jogos, contra 188 atletas com deficiência. Uma redução pequena frente a outros países como EUA (600 atletas nas Olimpíadas, contra 213 nas Paraolimpíadas), Japão e Austrália.&lt;br /&gt;Nadando contra a corrente, os atletas paraolímpicos se destacaram em sentido inverso aos seus companheiros ditos “normais”. Primeiro lugar no quadro de medalhas olímpicas, os americanos abocanharam 110 lauréis, sendo 36 de ouro, caindo para terceiro lugar nas Paraolimpíadas, com 99 medalhas, sendo 36 de ouro. A Venezuela terminou as Olimpíadas em 82º lugar, com uma medalha de prata e outra de bronze. Setenta e quatro países sequer subiram ao pódio entre africanos, latinos e países do oriente médio. Já nas Paraolimpíadas o destaque ficou com a Tunísia, país do norte da África, 52º lugar nas Olimpíadas onde competiu com 27 atletas. Na competição para deficientes, foram 35 atletas que angariaram 21 medalhas, 09 delas douradas, ficando em 15º lugar no quadro geral.&lt;br /&gt;Nosso Brasil terminou a competição olímpica em 17º lugar, com 03 medalhas de ouro, 04 de prata e 08 de bronze, logo atrás da Bielo-Rússia, também com 15 medalhas, sendo 04 de ouro. Nas paraolimpíadas foram 47 medalhas, 16 douradas, com destaque para o corredor cego Lucas Prado, que subiu ao pódio mais alto nos 100, 200 e 400 metros.&lt;br /&gt;Terminamos as Olimpíadas com uma sensação de derrota muito grande. Os grandes nomes do esporte nacional com Tiago Camilo e João Derly, judocas, o ginasta Diego Hypólito, os times de vôlei masculino, vôlei de praia masculino e o futebol feminino deixaram uma grande dúvida no ar. O que acontece com nossos atletas? O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman disse haver necessidade de um psicólogo na delegação brasileira, função tão importante quanto fisioterapeutas, preparadores físicos e nutricionistas. Isso já acontece na equipe feminina de vôlei. A psicóloga Sâmia Hallage vem trabalhando as meninas desde o início deste ano e colheu bons frutos: a inédita medalha de ouro para o vôlei feminino do Brasil.&lt;br /&gt;É claro que problemas há em todos os países, em todas as delegações, mesmo as mais ricas. Mas o que interessa falar aqui é do Brasil. Somos um povo apaixonado, torcemos de deixar a cabeça do dedo no osso, beijamos na boca pra logo em seguida, tendo frustradas as nossas expectativas, virar as costas aos nossos candidatos a heróis. E ainda temos que agüentar o Galvão Bueno dizendo aquele clichê idiota de que o que vale é ter chegado até aqui e que ir pra uma final já é uma vitória e que somos maiores do que isso. O escambau! Fora a seleção brasileira de futebol e sua milionária federação, quem tem apoio digno no esporte brazuca, guardadas as devidas proporções aos Correios e Caixa Econômica Federal? Não vou entrar nesse mérito porque serei tendencioso. Não gosto de futebol e renego o tratamento diferenciado que os jogadores desta seleção recebem. Alguém veio aqui no Bengui passar a mão na cabeça da Formiga depois que ela voltou da China? Nada! Toda a preocupação é com as eliminatórias, ou classificatórias, ou a droga que seja pra próxima Copa que eu bem queria que o Brasil não fosse pra ver o que é bom pra tosse!&lt;br /&gt;No meu ver os atletas brasileiros chegam aonde chegam com a garra que nos é peculiar. Vão abrindo caminho no peito e na raça, comendo pelas beiras, caindo de cabeça, dando os pulos até chegar nas semi-finais e finais. Daí esbarram na categoria do treinamento dos países desenvolvidos que investem milhões em seus representantes. Contra a técnica, não tem garra que chegue. E técnica eles têm. A fleuma de chegar, colar um sorriso ACME na cara, fazer o que tem que fazer e aguardar, frios, o resultado que todo mundo já sabe qual é. Isso está longe de ser a nossa realidade. Como é que o Tiago Camilo vai concorrer com um Michael Phelps cuja vida é dedicada à água? E recebe investimentos pesados pra isso. Quantos exemplos temos iguais a este em nosso país. Ruim é só que o povo parece não ver esse tipo de coisa e quer a vitória sempre e nada menos do que o ouro, querendo colher onde não lançou semente alguma!&lt;br /&gt;Esse estado de coisas é ainda mais contundente quando os atletas têm qualquer tipo de deficiência num país que diz não ser preconceituoso, diz não ser racista, diz não ser homofóbico.&lt;br /&gt;Na raiz disso tudo está novamente o descaso com o processo educacional do brasileiro, que precisa ser integral, incluindo não só as matérias formais de estudo, mas igualmente o esporte e a arte como elementos formadores de opinião e da condição de cidadão de qualquer pessoa. De absoluta inclusão! Não se desenvolvem as habilidades do indivíduo, que poderia ser um excelente músico, um dramaturgo maravilhoso, um pintor genial, um grande atleta. Todos somos limitados a fazer contas e entrar no saturado mercado de médicos e advogados e tecnólogos e engenheiros pelo status da profissão. Lamentável!&lt;br /&gt;Americanos, chineses, japoneses, europeus, todos já começaram a se preparar para Londres 2012. Crianças vão ser estimuladas, domadas, doutrinadas, torcidas e ser os novos heróis dos seus países, representando a glória dourada do ideal de superar milésimos de segundos, metros e marcas. Por aqui, vamos correr atrás de um bom tênis, de uma piscina, dividindo tudo isso com um trabalho formal que garanta o do fim do mês. No ritmo que as coisas vão, não será ainda nas próximas Olimpíadas que o Brasil será destaque no quadro de medalhas. Quem sabe na outra, ou na seguinte? Desde que comecemos agora. Desde que comecemos já!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;19 de setembro de 2008&lt;br /&gt;16h23&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-262782869416744771?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/262782869416744771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=262782869416744771' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/262782869416744771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/262782869416744771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2008/09/brocardos-04-olmpicos.html' title='BROCARDOS (05)'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7732418919278814493</id><published>2008-09-04T09:29:00.000-03:00</published><updated>2008-09-04T09:30:25.259-03:00</updated><title type='text'>EU 16</title><content type='html'>Uma sala repleta de homens vazios, diria Drummond. No entanto eu permanecia no chat há quanto tempo? Quatro, cinco horas?! Sempre desistindo, sempre me predispondo a ficar. Os papos de sempre de idade, de onde, querendo o quê, certos álbuns de fotos reveladoras, muitas propostas indecentes, nenhum Robert Redford.&lt;br /&gt;Então lancei o ataque final: Alguém aí do meu bairro? A resposta: Eu! Nesse deserto de almas (dessa vez é Caio F.) uma igualmente estiolada é capaz de reconhecer a outra. Daí foram conversas, convites para o MSN, web can, números de celular. E promessas!&lt;br /&gt;Duas, mais ou menos três semanas foram de muitos contatos, mas por uma série de contratempos, nenhum encontro, até que num dia desses ele confessou já estar aborrecido com aquela situação. Morávamos tão perto um do outro. Por que nunca nos encontrávamos? Respondi que se eu acreditasse em destino, certamente ele estaria conspirando contra nós. Ele propôs que mudássemos aquilo e marcamos já tarde da noite, quando ambos se tinham desvencilhado de seus compromissos, num ônibus que servisse aos dois para o retorno pra casa. Aguardei no ponto até que ele ligasse, dizendo estar no ônibus tal, número tal, camisa verde, calças jeans. Em quinze minutos eu sentava ao lado dele. Informal: E aí? Fala! Senta aí! Valeu!! E entre muitos silêncios, nenhum olhar direto, um rápido aperto de mão, as pernas que se encontravam nas curvas das ruas, trocamos impressões, informações, bocejos e talvez uns suspiros. Descemos numa rua larga e deserta pelo início do dia seguinte, caminhando lado a lado bem no meio da avenida, uma como que eletricidade entre a gente, até a pergunta: E então? Atendi tuas expectativas? Respondi que não tinha feito nenhuma. Às vezes a gente espera demais e se decepciona. Noutras espera de menos e se surpreende. Prefiro deixar rolar. Ele concordou. No meio do caminho entre as duas casas, novo aperto de mão, dessa vez mais forte, algo demorado e quente, um boa noite e nos separamos.&lt;br /&gt;Depois dessa noite mais nenhum telefone, ou e-mail, ou mensagem. Eu bem que tentei. Será que ele tentou? O fato é que ninguém se falou e eu fiquei pensando em tudo o que nos dissemos sem nunca termos nos visto, na vontade de estar juntos e quando isso finamente aconteceu, qualquer coisa deixou tudo morno e sem graça e uma contrária cuíra de estar perto de novo, de se tocar, de qualquer lance.&lt;br /&gt;Então decidi esperar o mesmo ônibus daquela noite. O mesmo horário, o mesmo número, o mesmo motorista que passou a me cumprimentar. Nada! Cheguei a pensar que algo tinha acontecido, ou que tudo não tivesse passado de um truque e agradeci a Deus por não ter lhe dito onde morava, tão perto de onde nos separamos. Depois de muitas tentativas, já quase desistindo, mas sempre me predispondo a tentar novamente, eu o vi em outro ônibus que cruzou com o meu, ora a minha frente, ora atrás. E foi me dando uma aflição, uma vontade de descer e não ser visto, de pedir explicações, de simplesmente dizer boa noite! Ele desceu. Eu desci. Chamei-o pelo nome. Ele parou, acendeu um cigarro, estendeu a mão. Toquei meu chip, perdi o contato, mas estamos aí e o novo número é facinho de decorar. Anota aí! Lembrou de coisas que eu tinha dito, mostrou-se gentil, mas daquelas gentilezas de vendedor de loja, de corretor de imóveis. Quando nos separamos no mesmo ponto da outra noite eu lhe pedi que esperasse, que eu tinha que lhe falar que eu sentira muita vontade de vê-lo de novo, que... Ele sorriu e disse: Legal, aí! Como eu tava te dizendo, tô pensando uns novos trabalhos aí e aí quando eles estiverem prontos aí eu te chamo pra pedir uma opinião aí! Depois deu um soquinho macho no meu peito e já de costas disse que a gente se falava.&lt;br /&gt;Parado no meio da rua pensei nas pessoas por trás das paredes, das cortinas, vendo TV, lendo, comendo, trepando, dormindo, insones. Alguns mais vazios, outros menos, vários outros satisfeitos.&lt;br /&gt;Minha alma ressequida voltou pra casa, meu corpo foi pra cama, minha mente tratou de apagar mais uma lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUDSON ANDRADE&lt;br /&gt;04 de setembro de 2008.&lt;br /&gt;8h48&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34887577-7732418919278814493?l=curiadarte.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://curiadarte.blogspot.com/feeds/7732418919278814493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34887577&amp;postID=7732418919278814493' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7732418919278814493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34887577/posts/default/7732418919278814493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://curiadarte.blogspot.com/2008/09/eu-16.html' title='EU 16'/><author><name>Hudson Andrade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16057514536304433664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_IcLmPwVOVgs/SWim8h6loyI/AAAAAAAAADc/OzZKeVOZ0Vc/S220/Quinta-ess%C3%AAncia_menestrel.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34887577.post-7898975741512801199</id><published>2008-08-29T14:04:00.001-03:00</published><updated>2008-08-29T14:14:03.761-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cigarro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vício'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião pessoal'/><title type='text'>BROCARDOS (04)</title><content type='html'>Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Venhamos e convenhamos, como combater algo tão enraizado na cultura das gentes, tão economicamente rentável e cuja dependência química nem é vista como vício? Das chamadas drogas lícitas é a mais combatida sem nunca ser realmente combalida. Filmes como &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Insider"&gt;O Informante&lt;/a&gt; (The Insider, Michael Mann, EUA, 1999)demonstram o poderio da indústria do tabaco que não se altera com os pequenos reveses que recebe.&lt;br /&gt;Não é preciso repetir toda a bomba química que o cigarro é nem os malefícios que ele provoca. Todo mundo sabe disso! O que precisa ser discu
